What am I doing here?

     

      Domingo, 09 de Fevereiro. Acordo as 08 e pouco da manhã no meu apartamento na praia, e sinto algo que não sentia há 8 anos e honestamente esperava nunca mais sentir na vida. Levanto, volto para a cama e após alguns minutos já pressinto o que viria a seguir, só não esperava que durasse a semana inteira...

 

      Ligo desesperado para minha casa para saber onde fica o hospital mais próximo e consigo dois endereços. Estava com uma dor terrível de cálculo renal, ou cólica renal, ou pedra no rim, ou qualquer outro nome que faça desta dor soar menos insuportável do que ela realmente é. Mas é impossível, ela veio forte desta vez.

 

      Após dois hospitais diferentes, e uma dose cavalar de morfina na veia, consigo respirar novamente. No dia seguinte a dor persiste e vou para um terceiro hospital onde Thanks God o médico diz que vai me internar para remover 'esta pedra de 7mm' que eu possuo alojada num canal que não me lembro o nome que ele deu. Só lembro que o canal tem 4mm e a pedra insiste em passar por ali com seus enormes 7mm. Haja coração.

 

      Na terça-feira a 1 hora da tarde eu já estava sem a pedra, e cinco dias depois parei de sentir o rastro de dor que ela havia deixado por onde passou...

     

      Why did it happen to me?. Tree times?. This last one after 8 years? Twice was not enough?

 

      Nestas ocasiões voce para e reflete sobre várias coisas. Geralmente os extremos que acontecem com voce. Injustiças, idiotices, tolices, sua vida gira numa forma espetacular. Nestas horas de dor, geralmente voce lembra de coisas ruins que lhe aconteceu. Ao invés de pontos positivos, voce lembra dos negativos, ao invés de coisas boas que tenha feito, voce lembra coisas ruins que fizeram para voce, e por ai vai. A verdade é que voce sai arrasado de uma semana destas. Voce se sente um zero. Tem medo de abaixar para pegar uma caneta no chão, porque pode afetar seu rim. Tem medo de andar depressa pra pegar o ônibus, tem medo de comer, tem medo de não conseguir jogar bola novamente, tem medo, medo, medo... Mais uma vez, voce se sente um zero. E começa a questionar um monte de coisas. What am I doing here?.

 

      No domingo a noite, conecto na Internet para ler os jornais "The Salt Lake Tribune" e "Deseret News" que dão notícias da cidade de Salt Lake City onde estive no ano passado e principalmente do time de basquete do Utah Jazz que eu acompanho. Me deparo com um artigo tão legal, onde o jornalista lembra um acontecimento de dez anos atrás. Ele havia feito uma 'previsão' (na verdade tinha dado sua opinião sobre um assunto), e hoje ele analisava com gargalhadas o que realmente aconteceu, o resultado de sua previsão tinha sido tão distante da realidade que ele não se conteve. O artigo deixou transparecer, talvez inconscientemente, que ele tinha muito prazer no trabalho dele.

 

      Quando eu analiso minha carreira profissional de quase 19 anos percebo que ela ocorreu com muitos incidentes, dificuldades, lutas e pouca ajuda. Eu poderia dizer que superei expectativas de várias pessoas, inclusive as minhas. O problema é que uma vitória em uma batalha não tem o mesmo impacto que uma derrota. As vezes uma vitória lhe da alguns frutos mas uma derrota pode lhe custar alguns anos, algumas oportunidades, e como as pessoas que não querem ajudar estam prontas para prejudicar, essas derrotas saem muito caras para a carreira profissional.

 

      Raramente me deparo dando gargalhadas sobre o que ocorreu na minha vida profissional, como fez o jornalista do "Deseret News". Hoje estou bem profissionalmente, mas as vezes acho que essas gargalhadas fazem falta para a vida, principalmente quando voce passa setes dias com dores, sem ter condições de ir ao trabalho, tomando dez comprimidos de quatro diferentes tipos de medicamentos diariamente.

 

      E algo para pensar. E quando penso, o resultado está longe do que eu gostaria, infelizmente.

 

 

 

 

             


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