02 de Junho de 2000.

 

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"Voce tem ídolos?" .

Acredito que todas as pessoas tenham ídolos. Pode ser no esporte, um astro de cinema, alguém no trabalho ou na familia sempre temos os nossos ídolos. Algumas vezes, somos pequenos ídolos de outras pessoas, o que é muito gratificante para o ego.

O que torna uma pessoa um ídolo?. Tente lembrar quem são os seus. É fácil, em poucos segundos voce vai lembrar do astro do esporte, aquela atriz que voce gosta, qualquer pessoa de qualquer função pode ser um ídolo, até um político. Entre os meus vários ídolos, um deles é político (e como voces perceberam no meu artigo anterior, ele não é o Paulo Maluf).

Para ser ídolo não precisa ser necessáriamente o melhor, o campeão. Até porque campeonatos não são decididos por uma única pessoa, geralmente é uma equipe. Mesmo os esportes individuais não são tão individuais quanto parecem, tem sempre uma equipe ajudando o atleta.

Ídolo é aquela pessoa que te cativa em algum ponto, geralmente o ponto que voce acha indispensável para um ser humano.

Por exemplo, meu ídolo na política é o Mario Covas. Porque ele sempre foi da ‘esquerda’, sempre lutou pelos direitos das pessoas mais humildes, jamais foi acusado de ser desonesto. Este último ponto pra mim é o mais importante, a honestidade. No futebol meu maior ídolo é o atacante Evair, que jogou no Palmeiras, meu time do coração. Porque o Evair?. Quem já viu Djalminha, Edmundo, Rivaldo (segundo dizem o melhor do mundo) não poderia escolher o Evair, um atacante eficiente, mas só. Ora, por vários motivos. O mais importante foi que o Palmeiras, que estava há 16 anos sem ganhar títulos, ganhou e o Evair foi o responsável pela goleada histórica contra o rival Corinthians, fez o gol decisivo e ao ser entrevistado perguntaram-lhe como ele se sentia sendo ‘o principal jogador da decisão’. Ele respondeu ‘não me considero o principal jogador....’. Uma simplicidade destas numa hora daquelas é para pouquíssimos. Voce imaginaria o Edmundo falando algo do tipo com aquela sinceridade?. Não.

Outros ídolos que tenho são Karl Malone e John Stockton. Eles são atletas da NBA, jogam no time do Utah Jazz, nunca foram campeões, chegaram duas vezes apenas nas finais e perderam. São considerados velhos, e venho ouvindo nos últimos anos que eles não tem condições de serem campeões. Não seria melhor escolher um outro jogador promissor como ídolo?. É claro quem sim. Mas é o que estou dizendo, o ídolo nem sempre é aquele que ganha. Essa dupla de atletas estão batalhando a 15 anos para levar o Utah Jazz a conquista do título. Eles não foram campeões, quer dizer que são perdedores?. Longe disto, eles são mais campeões do que os que levantam o troféu. Sabe quantos jogos o Karl Malone ficou fora pelo Utah Jazz nos últimos 10 anos?. Seis jogos, sendo tres jogos por suspensão. Ou seja, ele realmente não jogou apenas tres jogos por estar contundido ou sem condição física nos últimos 10 anos. John Stockton segue a mesma linha. O espaço é curto aqui, mas eu li um relato que quando o John Stockton foi adquirido pelo Utah, houve uma vaia geral. Poucos ficariam quinze anos trabalhando duro após uma vaia ao ser adquirido. Mas em poucos meses ele provou ser um jogador espetacular, conquistando toda a torcida. Toda ela.

Percebemos que os ídolos tem o que gostamos, no meu caso a honestidade do Mario Covas, a simplicidade do Evair, o trabalho dedicado de Karl Malone e John Stockton. São pontos que admiro nas pessoas e que me fazem tentar seguir seus passos. Acho que a função principal dos ídolos é esta mesma: servir de modelo para os outros, alguém que voce possa olhar e dizer ‘puxa, gostaria de ser igual a ele, não seria legal?’. Acho que fiz boas escolhas. E voce, tem escolhido bem os seus ídolos?

 

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