Sentimentos líricos

(Fase - II)

Que fiz de errado? Não bastam as vidas outras

vividas, sob o látego cortante dos mundos

profanos, quando caminhava por entre serpentes

asquerosas e outros seres também imundos?

Qual foi meu hediondo pecado?

 

O frescor de tua juventude não se torna lenitivo para as

sobejas e dolorosas feridas expostas às intempéries;

preciso de tua benigna experiência para acalmar

os vendavais funéreos que me cercam nesta terra estranha.

 

Tal qual amarga derrota, infligida pelo

destruidor dos mais puros ideais,

quebrou-se com furor simiesco

o jarro da mesa tosca de pinho,

o qual continha o melhor vinho.

 

Como saciar minha sede sem vinho fresco,

se o pouco néctar que me restou não pode ser utilizado?

Tornou-se acídula minha bebida predileta,

nada me empolga ante o mal que me consome.

É impossível comer e beber diante de tanta fome,

da miséria e do cruel castigo por mim herdado.

 

Álgido clima de meu temor consumado,

sol friíssimo que não me aquece a esperança,

infrene peleja apelidada vida, cujo halo não

mais existe, escurecendo as mundanas paixões

de um precoce, infeliz e sofrido viúvo das ilusões.

Wilson M. Pereira

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