Nascimento de um Vampiro



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Edward, filho de Charles Brisemont, homem corajoso, em seus 19 anos partia de um pequeno vilarejo para a capital. Levava consigo uma carta, uma indica��o de seu pai ao Sr. de Winters, para que fosse admitido na companhia dos mosqueteiros do rei.
Seu pai sempre quis que seus filhos fossem mosqueteiros como ele foi, pois achava que eles deveriam terminar aquilo que come�ou e foi impedido pela perda de sua m�o direita em uma luta. Ele j� havia enviado seu filho mais velho � capital, mas este havia sido morto covardemente - a not�cia que recebeu foi de que teria sido morto com uma punhalada nas costas. Al�m de ganhar a vida, Edward tinha outro objetivo ainda maior: vingar seu irm�o. Mas havia um problema, ele ainda n�o sabia a identidade do assassino.
Ent�o saiu Edward de seu vilarejo carregando n�o apenas a carta de indica��o de seu pai, mas tamb�m todo seu rancor, de um inimigo que nem ao menos sabia o nome, al�m do florete, com o qual foi treinado pelo pai, para se defender no caminho, se lhe acontecesse algum imprevisto e com o qual ele almejava tirar a vida do assasino de seu irm�o.
Foram dois dias de jornada at� a capital. Na noite do primeiro dia, como n�o encontrasse abrigo, dormiu ao relento, utilizando-se de sua capa como prote��o. Quando acordou, sentiu que lhe faltava algo, mas era apenas sua imagina��o. Ao anoitecer do segundo dia chegou � cidade e, como n�o quisesse se apresentar ao comandante sujo do jeito que estava e fatigado pela viagem, instalou-se em uma estalagem onde foi muito bem recebido por uma mulher jovem e bela, que recebia ordens de outra, mais velha, provavelmente sua m�e.
Durante a noite ouviu alguns gritos, que lhe pareciam vir da bela mo�a que lhe recepcionara. Sua honra n�o lhe permitia deixar uma linda donzela como aquela em apuros, pegou seu florete e foi verificar. Ao descer viu um homem com um grande saco nas costas, ao ser mexido o saco fazia barulho de metal: eram as riquezas da casa. Outro homem amea�ava a mo�a com uma faca. Ao ver Edward, os dois gatunos n�o pensaram duas vezes, decidiram por correr para a rua.
Edward conseguiu acertar ainda a perna do homem com a faca, mas o outro, com o dinheiro, correu. Como aquele que foi acertado n�o podia se mover, correu na dire��o do fugitivo que, ao notar que seria alcan�ado, por estar carregando muito peso, soltou a sacola e fugiu. O dinheiro foi restitu�do � mo�a, mas o ladr�o havia fugido. Pelo menos havia conseguido prender um deles, o que j� n�o era uma derrota total.
No outro dia n�o se comentava outra coisa na estalagem. Foi poupado de pagar pelo pernoite, mesmo depois de insistir que havia apenas feito sua obriga��o. N�o era ganancioso mas lembrou que o epis�dio dos ladr�es poderia lhe ajudar com o Sr. de Winters, afinal havia prendido mais um gatuno.
Dirigiu-se ao quartel dos mosqueteiros.
- Que fazes aqui com este homem - lhe perguntou o guarda
- Venho traz�-lo para a pris�o e resolver algum problema de emprego
- Ent�o queres ser um mosqueteiro?
- Sim, e trago indica��o para isso.
- E qual teu nome, filho?
- Me chamo Edward, filho de Charles Brisemont.
Ao ouvir o nome do pai de Edward, o guarda mostrou-se surpreso, se n�o espantado, e fez sinal para que entrasse.
- Mas deixe este homem aqui que cuidaremos dele.
O homem foi conduzido por outro guarda enquanto Edward andava pelo pr�dio. Aproveitava a procura para vislumbrar a paisagem, aquilo que seria como sua casa. Finalmente achou o Sr. de Winters, em sua sala, conversando com outro homem.
Aguardou a sa�da do homem, pediu licen�a e entrou.
- Bom dia, meu rapaz. O que o traz aqui?
- Senhor, tenho indica��o de meu pai para me apresentar ao senhor. - disse isso e entregou a carta
Depois de ler a carta, o Sr. de Winters levantou o rosto, olhou para o rapaz e disse:
- Vejo que tens �tima descend�ncia. Teu pai serviu muito bem o rei como um de seus soldados e acredito que estejas disposto a fazer melhor ainda que ele.
- Farei o melhor que puder, senhor.
- Muito bem, filho. Apresenta-te amanh� �s tr�s horas a mim para que fa�amos os testes necess�rios.
- Sim, senhor.
Disse isso, pediu licen�a novamente e saiu da sala. Em seu caminho, n�o olhava muito bem para o que acontecia a sua volta: estava totalmente vislumbrado por ter conseguido se tornar um mosqueteiro do rei e, por isso, acabou por esbarrar em um homem. Quando olhou para a figura, para pedir desculpas, notou um homem com quase o dobro de seu tamanho vestindo o uniforme dos mosqueteiros e que parecia n�o ter gostado muito do esbarr�o.
Como n�o tivesse nenhum amigo nessa cidade, foi Edward festejar sozinho em uma taverna da cidade. Entrou e pediu qualquer coisa para beber. Sentou-se e passou a refletir. Seu primeiro objetivo estava quase cumprido, precisava apenas passar nos testes no dia seguinte e se tornaria um mosqueteiro, como queria seu pai. Mas havia mais alguma coisa que o perturbava: ainda precisava encontrar o assassino de seu irm�o. Estava pensando em seus problemas quando sentiu algo lhe cutucar as costas, parecia a ponta de um florete. Virou-se.
Era realmente um florete. Reconheceu de pronto o homem que o segurava: era o mesmo em que havia esbarrado no quartel. Sentiu um calafrio lhe subir a espinha. Mas o homem n�o tinha inten��es hostis, guardou o florete e sentou-se ao lado de Edward.
- Ol�, rapaz. Vejo que voc� � novo por aqui.
- Sim, sou. - Edward se mantinha alerta
- Sabe, quando eu te encontrei no quartel, tive uma vontade incr�vel de te dar uma estocada. Mas isso j� passou, eu estava apenas mal-humorado com um problema que fui resolver com o Sr. de Winters. Agora que tudo j� foi resolvido, n�o tenho mais raiva. Mas me diga: que fazias no quartel?
- Tentava conseguir ades�o ao corpo de mosqueteiros do rei.
- E conseguiste?
- Sim.
- Ah!! Ent�o temos que comemorar! - e pediu algo tamb�m para beber - � tua sa�de!
Edward notou que o homem realmente era inofensivo.
- Diz-me teu nome.
- Edward Brisemont.
- Brisemont... Conhe�o este nome, �s filho de Charles Brisemont?
- Sim, o conheceste?
- N�o pessoalmente mas ouvi dizer que foi bravo guerreiro.
- E conheceste meu irm�o, Conrad?
- Claro, claro. �ramos muito amigos. Pena que tenha nos deixado.
- E sabes como isso se deu?
- Edward, n�o creio que este seja o melhor lugar e ocasi�o para falarmos disso.
- Ent�o onde queres conversar?
- Se quiserdes realmente falar sobre isto, podemos ir � minha casa.
- Ent�o vamos.
Edward estava realmente muito interessado em saber isto, queria a todo custo vingar seu irm�o. Dirigiram-se � casa do homem. Era uma casa razoavelmente grande, onde foram recebidos por um criado que p�s a mesa para que conversassem.
- Agora, lembro-me que ainda n�o sei nem mesmo teu nome, amigo.
- Ah, claro. E eu tamb�m esqueci de apresentar-me. Chamo-me Alexander.
- Muito bem, senhor Alexander. Conta-me o que sabes sobre a morte de meu irm�o.
- O que sei n�o � muito. Ele foi encontrado morto em sua pr�pria casa, com uma facada nas costas. �nica e fatal. A pol�cia n�o tem certeza de nenhum suspeito mas sabem que foi algu�m com muito conhecimento do corpo humano e com muito treinamento. Alguns acreditam que tenha sido at� mesmo outro soldado.
- Mas quem?
- Eu n�o acusaria ningu�m pois, al�m de n�o ser perito, n�o tenho provas contra ningu�m.
- Ele tinha algo contra algu�m, algu�m que perseguisse?
- N�o, ele era um homem muito pac�fico. Por�m, n�o querendo desacreditar seu irm�o, poderia ter algo muito secreto, que escondia mesmo de seus melhores amigos.
- E tu consideras esta possibilidade?
- Aprendi na vida que todas as possibilidades devem ser consideradas, por mais absurdas que sejam.
Depois disso seguiu-se um tenebroso sil�ncio. A noite j� principiava a cair e Edward fez sua �ltima pergunta.
- Estarias disposto a me ajudar a investigar a morte de meu irm�o?
- Claro, tudo para vingar um homem honrado.
Ap�s ouvir isto Edward levantou-se e saiu. Seguiu para a estalagem onde havia dormido o dia anterior. Estava tudo trancado, talvez por causa do incidente da madrugada. Bateu na porta. Atendeu a mo�a que havia o atendido no outro dia e deixou-o entrar. Edward cumprimentou e subiu para o seu quarto, sem nem mesmo parar para comer algo, pois estava muito preocupado com o problema de seu irm�o.
No dia seguinte Edward acordou com uma fome incr�vel, resultado da falta de comida do dia anterior, e desceu para fazer o desjejum. L� embaixo, a mo�a o esperava com a comida, parecia que ela havia adivinhado sua fome. Como estivessem fechadas todas as janelas, pediu que fossem abertas mas ela retrucou que prefere o escuro.
Ele notou que se sentia um pouco atra�do pela mo�a, mas n�o sabia-lhe nem o �ltimo nome. Resolveu perguntar e foi prontamente respondido. Seu nome era Clarice Visegron. Mesmo n�o conhecendo a fam�lia da mo�a, Edward sentiu algo estranho ao ouvir aquele nome.
Mas decidiu que deveria esquecer estes devaneios do cora��o. Alimentou-se, despediu-se e foi para a pra�a, tomar um pouco de ar. Em meio a alguns carros e pessoas que passava, notou algo que n�o tinha notado no dia anterior. Seu olhar se fixou em uma casa onde dois mendigos pediam esmolas na cal�ada. A casa parecia muito bem trancada e talvez abandonada. Mas notou um homem de p�, ao lado da casa.
Resolveu ir falar com o homem.
- Com licen�a.
- Sim, o que deseja?
- Que � esta casa aqui?
- Ah, esta casa. Ela s� funciona � noite, � melhor que o senhor volte depois do p�r-do-sol.
- Mas quem mora a�?
- Ningu�m, volte � noite e o senhor pode descobrir.
Edward deu as costas e voltou � pra�a. Agora havia ainda mais uma coisa que o intrigava: o que aconteceria naquela casa � noite? Por que o homem teria sido t�o evasivo? Olhou para o rel�gio em uma torre: j� eram quase tr�s horas e ele precisava apresentar-se ao Sr. de Winters. Apertou o passo at� o quartel.
Chegou exatamente � hora marcada � sala do comandante.
- Muito bem, rapaz. Estais pronto?
- Estou, senhor.
- Ent�o vamos aos testes.
Seguiram para uma �rea onde Edward foi conduzido a vestir uma roupa para esgrima. Ele teria que lutar com um soldado, que estava o esperando.
- Brisemont, este � Grimaud, mosqueteiro do rei. Podem iniciar.
O advers�rio era bastante habilidoso, mas Edward conseguiu vencer a luta, com alguma dificuldade.
- Muito bem, Brisemont. Continuemos.
Desta vez Winters levou Edward para uma pista de corrida com alguns obst�culos, onde lhe preparou um cavalo. Depois destes testes ainda houve muitos, consumindo uma semana de esfor�os, e em todos Edward foi bem-sucedido.
- Brisemont, - disse Winters - tendo passado por todos os testes, agora tu ser�s admitido como mosqueteiro do rei. Receber�s um novo florete, se assim desejares, montaria e abrigo no dormit�rio do quartel. Se n�o quiserdes alguma dessas coisas, diz-me agora.
Tudo era bem-vindo mas Edward ainda queria guardar o florete de seu pai.

Precisamos contar ainda que, durante a semana de testes, durante o tempo em que n�o estivera no quartel, Edward foi, � noite, investigar a casa misteriosa. Na primeira noite, descobriu que se tratava de uma casa de
aluguel, mas a casa ainda lhe era interessante. Durante as manh�s, tentou descobrir mais sobre a mo�a misteriosa que lhe recepcionava, mas ela sempre fugia do assunto, parecia que tinha medo de algo.
No quarto dia, viu que Clarice, a mo�a que acabou por roubar seu cora��o com todo seu mist�rio, entrava na casa de aluguel. Mas isso n�o poderia estar acontecendo. Seria ela uma prostituta? Todo aquele mist�rio era por causa disso?
Tudo levava a crer que ela realmente trabalhava l�, e isto lhe decepcionou muito. A mulher que ele julgava amar, tinha, para ele, se transformado num monstro. Passou a nutrir �dio por ela, mas, no fundo, ainda a desejava.
Decidiu investigar melhor a casa e a mulher. Chegou a segu�-la para descobrir o que ela fazia na casa. Viu ela bater tr�s vezes, cada uma de modo diferente, talvez uma senha, em uma porta que lhe foi aberta e entrou. Ele
olhou para todos os lados e p�s o ouvido na porta para ouvir o que falavam.
P�de ouvir claramente.
- Mestra, - dizia Clarice - ele me segue. Acho que ele desconfia de que trabalho aqui.
Ao ouvir isso, Edward sentiu um calafrio mas, como n�o sentisse seu esconderijo amea�ado, continuou a escutar.
- N�o devias ter deixado isso acontecer. - respondeu uma voz feminina - Agora ser� mais dif�cil cumprir meus planos.
- Eu tentei impedi-lo, mas n�o pude.
- Clarice, tu sabes que est� proibida de amar este rapaz, n�o?
- Sim, mestra.
- Isso � muito importante, n�o estraga por completo meus planos.
- Te serei sempre fiel.
- Ent�o traga-mo aqui amanh� � noite.
- Mas...
- Recusas-te?
- N�o, mestra, farei o que me ordenas.
Edward notou que a porta seria aberta. Saiu da casa e seguiu para a casa de Alexander, que havia se tornado seu amigo e o receberia de bra�os abertos. Foi recebido pelo criado, com uma lanterna na m�o.
- Por favor, quero falar com teu amo.
- Sim, siga por aqui.
- Que te aconteceu, Edward? Pareces muito p�lido.
- Preciso te falar, Alexander.
- Muito bem. - e fez sinal para que o criado puseste a mesa.
- Alexander, tu sabes o que � aquela casa que parece abandonada na pra�a?
- � uma casa de aluguel. Dizem que � amaldi�oada. Que tens com aquela casa, amigo?
- H� uma mo�a.
- Esque�a-a, rapaz. Ela n�o te ama realmente.
- N�o, n�o � isto. � a mo�a que me acolhia na estalagem.
- Aquela que pensastes amar?
- Esta mesmo. Eu descobri que ela tem algum neg�cio naquela casa, mas ela n�o trabalha l�. Se � que entendes o que digo.
- Claro, claro, entendo. Mas qual o neg�cio que ela tem l�?
- N�o sei ao certo, parece um tipo de mensageira. Eu a segui at� l� e a vi falando com uma mulher, � qual chamava de mestra. Falavam sobre mim.
- E isto � bom ou ruim?
- Penso que � ruim, muito ruim. A outra mulher pediu que Clarice me levasse at� l� no dia de amanh�.
- E que pensas em fazer?
- Era isto que vim te perguntar.
Depois de refletir um pouco, Alexander tem uma id�ia.
- Ent�o eu te aconselho a dormir aqui em minha casa por hoje. Se ela te encontrar amanh� no quartel, ent�o acho que deves segu�-la at� o local que for guiado. Como dissestes, ela falava com uma mulher e uma mulher n�o pode ser t�o perigosa, mesmo que more em uma casa amaldi�oada.
- Se a casa � amaldi�oada, ent�o n�o deveria eu levar algo para me proteger?
- Realmente, leve um dente de alho para afugentar os maus esp�ritos.
E foram dormir.
No outro dia, Edward acordou amedontrado, ap�s ter pesadelos. Pegou logo um dente de alho e foi para o quartel. Era seu dia de servi�o, precisava ficar de guarda.
O dia corria bem mas, quando aproximaram-se as seis horas, hora da troca da guarda, Edward viu uma pessoa conhecida se aproximar. Depois de chegar mais perto, notou que era Clarice, ela havia ido busc�-lo para sua entrevista � mulher da casa de aluguel. Ele sentiu vontade de correr mas conteve-se em checar se o dente de alho ainda estava em seu bolso.
- Posso conversar contigo, Edward? - perguntou Clarice
- Claro. - respondeu, quase gaguejando, ao notar que a nova guarda j� se aproximava
Depois de passar o servi�o aos novos guardas, Edward foi com Clarice para a pra�a. A proximidade da casa lhe amedrontava e ela quase podia notar isso.
- Edward, tenho algo muito importante para te dizer.
- Pode falar.
- Sabe, ...
- Pode falar, estou ouvindo. - ele notava que ela tamb�m estava nervosa
- Preciso que tu me sigas para conhecer uma amiga. Ela diz que tem neg�cios com tua pessoa.
- Mas quem � esta pessoa? - perguntava ele, apenas para disfar�ar
- Venha siga-me.
Edward levantou-se e j� seguia na dire��o da casa, quando notou que ela tomava outro caminho. Sentiu-se melhor ao perceber isto.
- Tem mais alguma coisa que preciso dizer-te.
- Dize, deixa de tanto mist�rio.
- Desde que chegaste � cidade, te vigio, Edward. Noite e dia, todo o tempo que posso olhar para ti eu te vigio.
- Isto tem algo a ver com tua amiga, Clarice? - e apertou sua m�o
- Sim e n�o - e deixou uma l�grima cair
- Por que choras?
- Por ti.
- Por mim? Mas por que? - Edward sentiu que ainda queria aquela mo�a naquele momento, e parecia ser correspondido, por mais que suspeitasse dela
- Porque est�s condenado.
- Por que? Dize! Quem me condenou?
- Voc� ainda n�o pode saber.
Disse isto e beijou o rapaz. Ele ainda n�o sabia o que a mulher da casa queria, mas aquele momento foi por ele desejado durante muito tempo. Clarice se soltou e saiu correndo, na dire��o de sua casa. Edward n�o soube o que fazer, ficou paralisado pela surpresa. Resolveu ir � casa de Alexander, onde encontraria al�m de abrigo, um amigo para conversar.
Foi informado pelo criado que n�o encontraria seu amo naquele momento. Voltou � pra�a, a casa j� n�o mais lhe amedrontava como antes, ficou a pensar sobre os acontecimentos. Aquela mulher, a condena��o que Clarice citou, o assassino de seu irm�o. Agora eram tr�s os problemas que o perturbavam e o mais f�cil de resolver era o que dizia respeito � mulher misteriosa da casa de aluguel.
Levantou-se e seguiu para a casa. Ao entrar sentiu um calafrio, talvez fossem os fantasmas da casa, mas isso n�o o amedrontava: estava determinado.
Bateu � porta que Clarice batera no outro dia do mesmo modo que ela havia batido. Uma mulher abriu, uma figura extremamente p�lida, um pouco menor que ele, com cabelos longos e negros que chegavam � cintura, seus olhos verde pareciam hipnotiz�-lo.
- Entre, meu rapaz. - e apontou a cama - Onde est� sua amiga Clarice?
- Ela me pediu que viesse aqui apenas. N�o me acompanhou.
- Ent�o ela te disse o assunto de nossa conversa.
- Disse que tinhas neg�cios comigo, mas eu desconhe�o esses neg�cios.
- Realmente, tenho algo muito importante para lhe dizer.
- Pareces t�o misteriosa quanto ela.
- Por que? Ela � misteriosa?
- Sim, parece que est� sempre escondendo algo de mim.
- � sobre isto que preciso falar-te. Espere que vou preparar algo para ti.
A mulher se vira e toma dois copos e enche de vinho tinto. Num deles ela derrama um pouco de seu sangue, mas Edward n�o nota isto. Era o come�o de sua condena��o.
- Tome. - entregando o copo com o sangue - Tu n�o me conheces, mas eu conheci muito bem teu pai.
- O que tem meu pai? - Edward nota que esta mulher pode ser uma chave para o assassino de seu irm�o
- Ele era um grande homem. Disse-me uma vez, ap�s perder a m�o: "Anna, minha miss�o n�o est� completa mas eu enviarei meus filhos para cumpri-la. E tu ser�s testemunha disto." E vejo que ele cumpriu sua promessa. Tu sabes de que miss�o ele falava?
A este momento Edward j� havia bebido parte do vinho, sentiu um gosto estranho mas creditou aquilo aos costumes das pessoas da cidade grande.
- N�o, n�o sabia. - ele falava mas estava hipnotizado pela mulher, ela era agora a mais bela mulher do mundo naquele momento para ele, j� havia mesmo esquecido Clarice
- Foi isto que ele me incubiu de te revelar. Ele te falou sobre mim?
- N�o, nunca citou tua pessoa. Nem mesmo teu nome
- Isso � bom. - disse ela segurando um sorriso - Sabes que ele queria tornar-se conde, n�o?
- N�o. - respondeu espantado - Meu pai sempre foi um homem muito humilde, n�o almejava estes t�tulos de nobreza.
- Pois era este seu objetivo. Ele planejava escalar degrau a degrau at� seu t�tulo almejado por interm�dio de sua posi��o como homem de armas. � esta a tua miss�o agora.
- Mas por que ele n�o me disse antes?
- Isso ter�s que descobrir.
- E que tem tu com os neg�cios do meu pai?
A este ponto a mulher s� n�o empalideceu mais por que lhe seria imposs�vel.
- Teu assunto comigo j� � findo, podes sair.
Quando ouviu isto, Edward agradeceu aos c�us. Provavelmente se ficasse mais algum tempo com aquela mulher ele n�o conseguiria se controlar tamanho era o sentimento que o enfeiti�ava. Ela parecia ter lhe dado algum tipo de por��o do amor. Como n�o pudesse voltar para o dormit�rio do quartel �quela hora da
noite, resolveu ir procurar por Alexander.

Enquanto nosso amigo caminhava para a casa de Alexander, Anna White maquinava seus planos em sua casa. Edward j� havia bebido de seu sangue, agora ele sentiria vontade de servi-la inconscientemente. Mais tarde, quando seu amor fosse tanto que ele se mataria por ela, ela mesma o mataria, como havia feito com seu irm�o. Assim sua vingan�a contra Charles Brisemont seria quase completa: haveria matado seus dois filhos mais velhos, s� lhe faltaria o mais novo.

Ao chegar em resid�ncia de Alexander, Edward o encontrou a jogar dados com outro homem que reconheceu rapidamente: era Grimaud, aquele contra o qual havia lutado durante os testes. Os dois se levantaram e o cumprimentaram quando chegou � sala, conduzido pelo criado.
- Boa noite, Edward. Acho que conheces meu amigo Grimaud.
- Sim, j� tive a honra. - falou, cumprimentando Grimaud
- Mas o que vieste fazer aqui?
- Preciso falar-te algo.
- Tudo bem. Espere um pouco que tenho um jogo a acabar com meu amigo.
Depois de algumas jogadas, Alexander se levantou e perguntou:
- Incomoda-te se ele ouvir nossa conversa?
- N�o, ele pode at� me ajudar.
- Ent�o conta teu problema.
- Lembra-te daquela mulher que queria falar-me, que te disse ontem?
- Claramente.
- Muito bem. Fui falar-lhe, e estou desconfiando que a mulher seja uma bruxa. Acho que me enfeiti�ou.
- Por que dizes isto?
- Sinto algo muito forte por ela, mais forte do que sinto por Clarice.
- E dizes que vistes ela pela primeira vez ontem?
- Sim.
- Ent�o isto � provavelmente bruxaria. Amanh� iremos comunicar isto � Igreja. Queres mais alguma coisa, meu amigo?
- Sim, se for poss�vel.
- Pode pedir.
- Preciso de abrigo por esta noite, pois n�o me ser� poss�vel ir dormir no quartel a essa hora.
No outro dia, quando amanheceu, Edward sentiu que seus olhos se incomodavam com a luz do sol. Fechou a janela, mesmo achando aquilo muito estranho, pois ele desde crian�a gostava da companhia do sol e naquele dia a luz n�o estava t�o forte pois era inverno e as nuvens acizentadas cobriam o c�u.
� tarde, quando tiveram uma folga, Alexander chamou-o para irem � Igreja, denunciar a mulher. Mas ele recusou, dizendo que havia se enganado, que n�o sentia nada pela mulher. Estava mentindo: ele sabia que se denunciasse a mulher, ela seria provavelmente queimada viva, e n�o queria que isso acontecesse.


Naquela mesma tarde, foi ver a mulher, mas foi impedido pelo homem que estava na porta. Ele dizia que ela s� poderia v�-lo � noite. Na mesma noite ele voltou � casa e foi falar com a mulher mas parecia que ela n�o estava l�, lhe disseram que ela foi jantar.
Edward ficou angustiado, n�o podia viver mais um dia sem ver a mulher. Come�ou a apresentar alguns sintomas de doen�a. Creditou isso � falta da mulher.
Passou a ficar de cama por muitos dias e, quando soube da not�cia, Clarice vinha todos os dias v�-lo. Ela dizia que fora a outra mulher que havia feito isso a ele, que ele n�o merecia aquilo e ficava a se culpar. Ele sentiu muita pena da mo�a mas n�o acreditava nela.
Depois de algumas semanas doente, Edward sentiu que lhe faltavam for�as. � noite, Anna veio lhe ver.
- Edward, tu n�o deves morrer.
- E n�o morrerei. - ele dizia isso apenas para os outros pois sabia que a doen�a iria venc�-lo
- Mas tu �s t�o mo�o ainda. - a mulher parecia que estava com pena dele
- N�o te preocupes, eu sobreviverei.
- N�o deixarei que esta doen�a o mate.
Fechou os olhos do rapaz, mordeu-o e tirou-lhe todo o sangue. Edward sentia toda sua vida lhe deixar. E, por mais que tentasse, n�o conseguia resistir.
- Desgra�ada! - gritou e caiu
A mulher, dizia para si mesma que aquilo que iria lhe fazer seria ainda melhor vingan�a. Mordeu o pr�prio pulso e deu-lhe de beber seu sangue. Ao ca�rem as primeiras gotas, Edward sentia algo muito estranho, era como se a vida lhe voltasse, mas n�o exatamente como isso. Come�ou a beber o sangue da mulher, instintivamente. Se sentia dominado por alguma for�a maior.
Depois que Edward parecia satisfeito, algu�m bateu � porta. A mulher ficou apavorada, tentou carreg�-lo para pularem a janela. Mas a Besta tomava o rapaz, e com ela vinha sua for�a. Ao abrir a porta, uma figura deslumbrante lhe apareceu: era Clarice. N�o pensou duas vezes, atacou-a. Assim, Anna fez com que Edward tirasse a vida daquela mo�a que ele amava realmente, n�o pelo Sangue mas pelo cora��o.
Levou-o para seu ref�gio e o escondeu l� por algum tempo, dando-lhe para beber de algumas prostitutas que l� trabalhavam.
Depois de libertado pela sua Senhora, Edward notou que toda a sociedade havia o dado como morto. E o pior: ele realmente estava morto, havia se tornado um vampiro. Adotou o nome de seu irm�o, que queria vingar e o sobrenome da mulher que havia lhe trazido para este novo mundo. Passou a apresentar-se como Conrad White e a andar pelos becos, pelas sombras, sempre se escondendo das outras pessoas. N�o podia admitir o que havia lhe acontecido.
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