número 2, janeiro-julho 2003

 

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O emplastro

Uma das coisas mais fascinantes da minha infância, e que eu olhava com o maior desejo, era o Emplastro Sabiá. No início da minha descoberta, eu achava que era um grande Band-Aid, e aos poucos, por mim mesma, fui percebendo qual era a sua indicação.


Febre, mal-estar generalizado, dor muscular em qualquer parte do corpo. Em geral, via as pessoas usando nas costas ou no pescoço. Mas o local onde eu via mesmo em abundância era na praia. Isso deveria ser lá pelos anos 76/78, e devo confessar que o meu pai usava muito - mesmo todos da família, e inclusive ele próprio, dizendo que aquilo era placebo. Na dúvida, ele deveria pensar que mal não faria.


Quem sabe meu pai não estava certo, já que hoje em dia, vinte anos após, vende-se algo como o Emplastro Sabiá para quem quer deixar de fumar ou emagrecer. A diferença que essa nova tecnologia custa no mínimo o equivalente a umas vinte vezes o preço do bom e velho Emplastro. E tem gente que não tem vergonha e compra.


Para isso tudo há uma alternativa ainda melhor. É um tipo de remédio que serve para tudo, desde para combater a calvície, até curar câncer no cérebro. São aquelas famosas garrafadas milagrosas. Dizem que são mesmo. A garrafada seria uma versão líquida mais completa do Emplastro Sabiá.

 

Cristina de Pádula

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