número 2, janeiro-julho 2003
a maquina e a língua
na transparência da minha língua , rasteio os fios do céu , lambendo os pontos e me situando
através deles, onde esses pontos ao tocar a carne da língua, formam uma maquina desejante que e o corpo objeto, um
lenço simula o céu, e fios de linhas escorrem pelo pano vermelho, tocando a altura do meu seio e da língua e neste ato de ligação revejo a idéia de céu vermelho, céu aberto no tom da carne, que escorre linhas brancas esperando o ar demarcar suas trajetórias, na ponta da linha a língua na outra extremidade o lenço aberto firme e vermelho, percebendo todos este mecanismos criados artificialmente, por uma mente que deseja presentificar uma máquina simulada, que possa conter o transcendente e sua impossibilidade de permanência, onde o trabalho só existe de fato quando a língua molhada e o seio tocam os fios, não só como desejo de integração mas de percepção e formação de um corpo imaginário, corpo-imagem onde os fluxos não caminham no condescendente mas na antemão dos fluídos, no reverso do ato adaptado, no suor febríl da suspensão da racionalidade, e na possibilidade das ondas em pleno alto mar, ondas das dobras do desejo, quando ele vai a alto mar e bate contra as ondas, arrebentando a própria permanência e se realizando na contramão do fluxo, mas estas ondas barrocas, que se suspendem para além do fio da percepção imediata, e vai para percepções além do nicho das alegrias salubres, na direção da vertigem e do embaçamento da vista se percebendo lúcida em sua fraca dimensão do entendimento, quando o entendimento deve se despedir desta linearidade boba e sombria, e procurar a má companhia das ondas seguir em alto mar e se perder no horizonte, para encontrar o gelado da água onde ele sente e vibra no verdadeiro do estranho e na saída da superfície numa viagem onde há imensos resgates e nova visibilidade, visibilidade descascada que se tem frente e ao lado do sujeito, a muita tensão nesta máquina simulada, máquina de merda, de céu, de febre, de saída e impossibilidade, onde se põe a língua no céu e o fio mas que prostituído e usado, liga e cria a conexão onde a imagem é comunicação e a comunicação é a dificuldade, impossibilidade e medo, não posso perceber o que ele percebe mas posso explodir minha língua mãos e olhos fazendo um momento de
percepção, um segundo de memória no outro, onde este abre algumas portas e se despede de outras tantas.
Erika Fraenkel