número 2, janeiro-julho 2003
Compre a DeskJet 680c
Máquina e ...
Sobretudo quando se vem à mente a imagem da máquina, porque não é Uma máquina, e sim A máquina - que vamos aqui considerar como objeto generalizante e conteúdo auto-suficiente para representação categórica do termo -, tem-se em mente um composto metálico, que contém articulações e funciona operacionalmente para fins específicos.
Então, é... Que? Ah, se assim podemos considerar como símbolo genérico da utilização da palavra; como podemos pensar o funcionamento da mente, ou a articulação dos atributos mentais, já que nós também funcionamos nos utilizando de nossas propriedades para realização de tarefas específicas?
É...
Bem, vamos dizer, de forma empírica, que a atividade mental é composta de tênues "mecanismos" e movimentos delicadamente articulados (isso é redundância, pensei) que originam e definem pequenos resultados em ocupações diárias de ordens de mais e menos relevância (isso é relativo: ascender um fósforo pode ser de mais relevância, se isso for objeto de conclusão teórica por método gestáltico, isto é, através de insight). Então o que isso traz a tona é uma discussão sobre a definição de objeto. Porque? Porque nos faz trabalhar com analogia entre um braço mecânico e uma percepção momentânea.
Qual a diferença entre o braço mecânico e a percepção momentânea?
A diferença é que o braço mecânico é um braço que trabalha numa oficina de carros e sempre pode te dar uma mãozinha e a percepção momentânea é a nova onda do verão e acontece sempre que se vê o outdoor da coca-cola andando de ônibus pela Presidente Vagas, quero dizer, sempre que se vê o outdoor da coca-cola enquanto se anda de ônibus pela Presidente Vargas.
Peraí. De novo.
Qual a diferença entre o braço mecânico e a percepção momentânea? Não vou dar asas a essa conclusão. Prefiro tangenciar uma nova questão: o objeto operado.
O objeto operário é a máquina, e o objeto operado é o papel e a tinta, se o objeto operário for uma impressora. Entenda que estamos falando agora do objeto operado. Se a mente pode ser entendida como uma máquina, - salvando as devidas restrições às suas possibilidades, apenas para fim de fazer uma comparação - a percepção momentânea seria o objeto operador(braço mecânico); a mente seria o objeto operário, e os conceitos seriam os objetos operados. Imagino que essa teoria não esteja exatamente completa, tendo em vista que dá margem a muitas nuances especulativas. Por isso, nesse artigo, segue um calendário com a foto da Nicole Kidman e uma cópia do texto com as devidas lacunas nas partes pendentes para preenchimento do leitor.
Voltando, o objeto operado.
...
Ah, é isso. O que eu queria dizer é que o objeto operado, o conceito, na atividade mental (a mente é a máquina), é real e não é real. Porque sua mensuração depende da percepção momentânea(objeto operador), que nem sempre é a mesma, mesmo quando o local e objeto de percepção são os mesmos. E mesmo se a percepção for interna, o que independe de localidade, não é sempre a mesma, dadas as seqüentes resignificações dos nossos pensamentos pelo contexto em que se acham. Ponto.
Estevão Freixo