número 1, março-julho de 2002

 

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On Vigotsky (2)

Esta continuação se desenvolve numa discussão mais próxima ao cinema, onde a exposição teórica de Vigotsky sobre signo e um fragmento de Gilles Deleuze se seguem para que se perceba uma relação entre eles. 

Para Vigotsky, o ser humano tem a possibilidade de pensar objetos ausentes e imaginar eventos não vividos. Esses elementos vão servir como mediadores e passam a intermediar a relação entre o homem e suas atividades. Os signos são, portanto, assim como os instrumentos, elementos mediadores. Agem como instrumento de maneira análoga ao papel de um instrumento de trabalho. São marcas “externas” que, por manuseio interno, auxiliam o homem em suas tarefas práticas.

Certa vez, Gilles Deleuze disse algo sobre cinema, numa entrevista, considerando a classificação das imagens e dos signos: “Os grandes gêneros, western, filme policial, filme de história, comédia, etc., não nos dizem nada sobre os tipos de imagens ou sobre seus caracteres intrínsecos. Os planos, em compensação, primeiro plano, plano geral, etc., já definem tipos. Mas há muitos outros fatores, luminosos, sonoros, temporais, que intervêm. Se considero o domínio do cinema em seu conjunto, é porque ele está construído na base da imagem-movimento. Por conseguinte, está apto a revelar ou a criar um máximo de imagens diversas, e, sobretudo, a compô-las entre si através da montagem. Existem signos internos que caracterizam cada uma dessas imagens, ao mesmo tempo do ponto de vista de sua e gênese e de sua composição”. 

O que pretendo ressaltar, é a consideração de que a composição cinematográfica funciona como a montagem de uma linha de significados. O processo de trabalho se dá através da montagem de elementos que em si são efetivamente signos, são mediadores. A personagem não é real, é fictícia, ou simbólica, representativa. Assim é, também, sua frase e seu gesto. No filme já como produto, o objetivo é que esse material conduza o consumidor ao significado destes signos. 

Apenas gostaria de acrescentar uma outra perspectiva em contraponto ao texto de Deleuze, pensando ser possível perceber tipos de imagens nos grandes gêneros de cinema, justo por se apropriarem de determinadas linguagens para se desenvolver. Os gêneros são estilizações, e trazem tipos em seu conteúdo e acabamento de produção. Texturas de imagens (fotografia), utilização de planos, direção de arte, etc.

Estevão Freixo

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