número 1, março-julho de 2002

 

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On Vigotsky (1)

Um texto sobre produção pode se desenvolver como análise de uma produção (resenha), ou pode discutir a atividade, falando sobre os meios de produção, e o que mais se envolve no assunto. Já optando pelo molde epichereme, que significa “bom discurso” – com a ressalva de não se dizer sério, apenas interessado – esse texto se propõe a expor como argumento, idéias que defendem a atividade produtiva como cerne do desenvolvimento individual e social, e, portanto, colocar em discussão os meios de produção e recursos disponíveis levando-se em consideração o que se entende e faz sobre o assunto.

A começar por algo que penso ser bastante interessante, gostaria de trazer em questão a relação do homem com seus instrumentos para o desenvolvimento de seus produtos. Para fundamentar a proposição, quero expor a linha de pensamento do psicólogo e filósofo Vigotsky.

O instrumento, para Vigostky, é um elemento interposto entre o trabalhador e o objeto de trabalho, ampliando as possibilidades de transformação da natureza. Possui função para o qual foi criado e modo de utilização. É, pois, um objeto social e mediador da relação entre indivíduo e o mundo.

Agora, trazendo o conceito para tempos atuais, podemos citar o computador como instrumento, e salientar seu caráter social, já que ele tende a se popularizar, possibilitando a democratização da produção individual e facilitando a intercomunicação social. Veja que ele não apenas facilita a intercomunicação social como dá asas a sua produção voluntária. Isso significa que valoriza a iniciativa individual, e através das possibilidades de intercomunicação, traz novas perspectivas à produção social.

Globalização é um termo que ilustra bem esse panorama, e gosto de pensar que ele não depende intrinsecamente do panorama político (nacional, internacional), mas pensa o social através de suas bases: o indivíduo. E então caminha para o grupo.

Para concluir o texto – não quero me estender, até para que ele se torne mais claro para mim e para quem o lê, e porque gosto de sínteses – vou citar o que poderá ser a base do próximo texto.

Pretendo dar continuidade ao assunto, levando em consideração a utilização de signos – também fruto da pesquisa vigostkyniana – que pode ser vista analogamente ao uso de instrumentos, porém traz novos conceitos que envolvem processos individuais internos. O que não significa, que ao pensá-la, não se possa considerar o trajeto que vai dos processos internos aos resultados e representações externas. Pelo contrário, acho que pode ser interessante e penso ser esse o caminho, já que a atividade produtiva envolve ambos caminhos.

Estevão Freixo

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