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Um
Certo "Foda-se"
Eu pouco me importo. Minha vida, quer dizer, a sua, não faz a menor diferença - quisera eu que ela não tivesse sentido. Haveria alguma coisa pela qual lutar. Mas não há nada a ser feito por ela, nem ser realizado. Também não me esforcei por estabelecer algum tipo de ascese ou reconhecimento secreto. É falso tudo isso. Não há sentido mesmo, é foda-se de verdade. A explicação da vida é uma equação proposta pelas leis da mecânica : uma vez que você sai do útero da sua maldita mãe você percorre um monte de espaço ridículo até ser tragado novamente e desaparecer sem vestígios - ou pior, com vestígios.
Dadas as premissas, vamos recapitular por que esta revista não deu certo. Não quero assinar um documento que pressuponha raiva ou desgosto. Não procuro cabeças para dependurar na porta da minha casa. Eu detesto minha casa. Quero minha casa fora disso.
O primeiro a ser dependurado, entretanto, seria Eduardo Guerreiro. A proposta era a de que ele, com toda sua inteligência de micróbio, ficasse responsável pela composição dos quadros, pela articulação política de
Volume. Tudo isso nunca existiu. Foi uma catástrofe. Ele foi se afastando, afastando, tudo era mais importante que sua responsabilidade como editor : primeiro a dissertação de mestrado, depois o exame para o doutorado, depois os cursos de doutorado, agora as aulas como professor. Não quero me enfurnar muito nestas questões, você me deixa deprimido.
O segundo, sem dúvida, seria Viegas. Mas eu não posso, por razões lógicas, dissertar contra este eqüino agora.
O terceiro, Izesuq Kilistoq, nossos leitores conhecem bem.
Estou triste. Não pretendia ficar rico escrevendo em Volume, mas eu juro que quis me divertir um pouco. A proposta de "escoar a produção universitária" era real - muito embora ninguém quisesse levá-la a sério. Agora parece inútil insistir, portanto, não quero saber.
Talvez seja melhor reconsiderar e bater em Viegas. Eu odeio você,
Viegas. Odeio seu aniversário, sua velhice precoce, você parece sempre tão patético, incapaz de fazer funcionar o menor, o mais simples e singelo de seus projetos. Tudo o que você teve na vida não parece ter sido fruto de esforço pessoal - foram, de alguma forma, doações, incrivelmente sincrônicas em relação a suas necessidades e reclamações. Sem os outros, sem os amigos, sem seus benfeitores, temos a impressão de que você não existiria. E você não existiria mesmo. É por isso que sua relutância em abandonar os mitos que recheavam sua infância tornou-se, ela mesma, o maior mito, o mais nefasto, o mais profundo, o mais ridículo. Quem é você
Viegas? Seria idiota e pouco original definir você como uma casca, uma camuflagem de risos medonhos que escondem sua natureza de filho-da-puta, de escroto, de falso. Se é idiota, porém, então serve.
Gostaria de esmagar você, Izesuq Kilistoq, com todas as forças da minha alma, eu gostaria de esmagá-lo mas estou tão furioso contra esse
Viegas que não consigo pensar em mais nada. Preciso vê-lo sofrendo, deprimido, bêbado, tentando inutilmente conseguir a indulgência das mulheres. Para mim, é a imagem não realizada da morte - mas espere, sempre haverá tempo suficiente para contornar o problema. Vá ler,
Viegas, aprenda alguma coisa, suma da minha frente. Morra, pouco importa, saia da minha frente, eu quero pensar um mundo melhor e nele você não pode existir senão como lembrança do que esteve podre e foi extirpado, daquilo que o conceito de saúde considera daninho e babaca. Se você não morreu ainda, pense nisso. Apresse-se, tome uma maldita decisão, faça de uma tal forma que não seja necessário ficarmos sabendo, ou só muito tempo depois, quando será inútil nos arrependermos de proferir estas palavras. Assim seja.
Krustie,
o Palhaço
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