É isso!
Volume é a estruturação sem
forma, a arquitetura sem paredes, a revista sem preço, o texto sem papel, a
interatividade na relatividade. Parte-se da produção sem pressupostos de
formação e a formação pelo agenciamento da produção dialógica. Não
somente um espaço para artigos de um campo interdisciplinar, Volume é
um campo intervirtual de cultivo da prática teórica; intensificar o inter
no disciplinar, privilegiando mais a produção de discussões do que a
discussão das produções (artigos, revistas). É por isso que a proposta é
vitalizar a discussão acadêmica no auge de sua perda de poder sócio-simbólico
para descentrar o saber autorizado das legislações institucionais e para,
paradoxal e voluntariamente, assumir o valor do espaço universitário em sua
posição de veículo de fomentação cultural e crítica.
Tal posição, que deveria ser obrigatória por parte das
universidades, tende a se tornar ausente das padronizações exigidas de cima
para baixo pelo estado neoliberal e pelas estruturas institucionais de poder
administradas a partir de posturas de pensamento centralizadoras e que,
portanto, sustentam sistemas de organização do saber que restringem processos
singulares de reflexão de analistas e teorizadores.
Assim, propõe-se estimular, alimentar, inflamar e provocar
conceitos, interrogações e críticas na sua potencialidade de diferenciação
do instituído e do aceito pela hierarquia internacional do controle de poder
das idéias. Produzir a diferença local, que nem se restrinja aos
imperativos terminológicos que conduzem a problemáticas próprias do domínio
europeu, americano, ou qualquer que seja, nem se fixe obstinadamente num
nacionalismo, folclorismo, enfim, qualquer localismo para tentar
encontrar uma originalidade antropológica, pois a diferença local aqui não é
espacial, é virtual, tópica, dependendo exclusivamente dos próprios
sujeitos e de seu círculo dialógico.
Isso não significa que se postule aqui uma rejeição da teorização
dominante, canônica, consagrada, aquela que é objeto de leitura e citação
constantes. O que se intenta aqui é lê-los com um olhar singularizante,
sempre no interior da perspectiva de uma leitura deslocada da assimilação
reflexa e nada problematizada, e produzir a partir desse viés necessário
de leitura na radical contramão da re-produção subdesenvolvida.
É isso que nós, editores, propomos como desafio de prática
constante para quem participar da revista: seja na escritura, seja na leitura.
É isso o que entendemos por democracia: ligações, debates, combates, seduções,
discussões, trocas, apropriações, desapropriações, leituras e desleituras
entre as diferenças, dando a elas seu pleno espaço de mobilidade e
expressão.
Eduardo Guerreiro
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