número 1, março-julho de 2002

 

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Das fumaças que incendeiam

Perto dos poemas que encontro em eventos de poesia, esse Quatro sentidos ou o diabo na fumaça dos homens de André Sena não seria ruim. Seu tom épico, pleno de referências que se pretendem cultas, jogos pueris de palavras que se pretendem inteligentes e frases de efeito "Olhos pro que não quero!", demonstram um enorme esforço para ser um poeta, e toda essa energia não se pode ignorar numa revista como essa, tão solidária à sensibilidade humana que transborda em cada palavra, cada letra virtual aqui presente. Tudo isso seria desculpável, ainda que de mal grado, se não fosse a tradicionalmente moderna queixa contra o mundo moderno ou pós-moderno (ou o que quer que se chame) e sua incapacidade de enfrentar as poderosas forças do futuro que animam nosso presente. 

Os tão nobres e cultivados pretéritos mais-que-perfeitos são bons indícios de que o aspirante a poeta acha que o passado é mais-que-perfeito para nós: pudera, pudesse!, então, tal alma tão sensível e injustiçada perceber que a nova Jerusalém está em guerra, e a antiga Amsterdã de seus desejos recalcados não me faz gostar de nada de seu poema. Mas toda a ironia que aqui emprego não se quer superior ao nosso superior amigo. Se adivinho sua justificada revolta por essa crítica que espelha a de-composição daquilo que ele denuncia, dou-lhe um bom motivo de orgulho: talvez meu desgosto seja, inconscientemente!, uma terrível e degrada inveja de seu gênio, que o não alcanço. 

Atenciosamente, 
do seu,
Clive Clown

 

Clive Clown

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