número 1, março-julho de 2002

 

Imprimir   |   Retornar

 

Sobre as secreções de R. Viegas

Pode parecer estranho, mas Rafael Viegas - esse mesmo amiguinho boa-praça, sempre sorrindo e prestativo, sempre à mão quando menos se precisa dele - é um canalha, um viadinho, um filho da puta escroto. Vejamos porquê. Começou sua carreira literária há duas semanas. Havia conseguido crédito junto a alguns amigos porque foi o único que aceitou a modorrenta tarefa de editar uma revista em html. Tem dito que fez um cursinho de webdesigner por correspondência - pelo que sei, é mentira. Na verdade, manipulou cinicamente alguns métodos de copydesk e vai ser cúmplice na maior mamata financeira da história de uma revista de variedades. 

Na verdade, faz-se passar por editor. Há editores, claro, que nunca escrevem em seus próprios periódicos. São chamados goiabas - podres por dentro, infestados de helmintos. A Bíblia os chama simplesmente de néscios: "Pois, se eu vier a gloriar-me, não serei néscio [áphron], porque direi a verdade; mas abstenho-me para que ninguém se preocupe comigo mais do que em mim vê ou de mim ouve" (2 Cor 12:6). Estrategicamente, editores desse tipo costumam apenas coordenar as ações que envolvem a publicação dos textos, mantendo-se no comportado limite de sua falta de talento. Viegas parece querer extrapolar esse limite até o nível do insuportável. Sua brilhante produção literária é composta de apenas um texto, que ele acaba de publicar em Volume - e ainda assim um fragmento, incompleto. Inventou uma balela em torno de uma suposta "votação entre os leitores" para tentar esconder que o texto já acabou e que ele não consegue ir adiante. Um fracasso - mais um na enorme lista de Volume. Na seqüência patética dos fatos que compõem sua vida recente consta que foi escorraçado pela ex-mulher e voltou a morar na casa da mamãe. Expõe todos os domingos os podres de sua consciência matemática numa praça pública em Laranjeiras (Zona Sul do Rio de Janeiro), ora fantasiado de palhaço, ora desprestigiado como fotógrafo ou bibliotecário.

Psicologia denunciada, fica mais fácil compor o quadro de seu estilo, espécie de clonagem imperfeita das Ficciones de Borges - o modelo mais direto. Sendo essas Notas para um estudo sobre as secreções seu primeiro exercício nas Letras, eu poderia ser mais condescendente. Há até mesmo o mérito dele ter se submetido à pretensão de tentar imitá-lo (Borges) - tipo de argumento em que muita gente ssem talento gosta de se apoiar para viver anos como potenciais criadores. Mas esse Viegas é apenas um incompetente. Faltam-lhe uma educação clássica estruturada, leituras críticas mais amplas, conhecimento verdadeiramente enciclopédico e, por que não, domínio da língua portuguesa. Todo esse aprendizado, lento e doloroso, ele já dá como acabado, não parece demonstrar que está em algum processo de depuração ou de aperfeiçoamento, e irrita o modo como ele escamoteia todas essas imperfeições com o ar de quem entende do que fala - mas que só consegue fazer espirrar. Se as apresentasse, suas deficiências, honestamente, em vez de posar como o ácaro da morte, vingador implacável do subúrbio, conseguiria ao menos alguma simpatia de seu único leitor.

Izesuq Kilistoq

[ [email protected] ]

Hosted by www.Geocities.ws

1