número 1, março-julho de 2002

 

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Lixo

Pelo andar da carruagem, sentimos realmente a falta de um articulista de peso. Volume está muito fluida, sem inspiração, textos fraquíssimos, sem nenhum interesse, sem nenhuma vitalidade. Sinceramente, esperava muito mais. Não tanto pelas seções ficcionais - mas é importante deixar claro que os textos apresentados em Ficta não foram escritos especialmente para a revista. Reclamo particularmente da seção Epichereme. Os textos de Estevão Freixo poderiam ser, no mínimo, mais claros e mais objetivos. Não consigo, até agora, entender o ponto onde ele quis chegar confundindo autores tão díspares quanto Vigotsky e Deleuze. Se quiser convencer alguém, vai ter de se esforçar muito mais que isso, amigo.

Quanto a Eduardo Guerreiro, ele tinha começado muito bem, há dois anos atrás, quando entrou na onda do Número 0. Seus textos até então, apesar de pouco objetivos, sustentavam bem uma certa aura otimista de mediocridade, estavam contaminados por uma certa ironia que os centripetava, compreendíamos o esforço e aceitávamos suas falhas e limitações porque pareciam limites reais, sinceros, incontornáveis. Agora ele parece definitivamente querer se projetar como pop-star do ensaio. O que antes se considerava ironia, agora é um rocambolismo pior que o da pior filosofia francesa, navegando em círculos, pretendendo jogar o leitor em um tipo de humor pós-moderno bastante desgastado. Lixo. Cocô puro.

Além deles - aliás os únicos que se dispuseram a colaborar com Volume até aqui, junho de 2002 -, não há mais ninguém, nenhum outro texto que possa contrabalançar sua mediocridade. Podemos esperar mais desta revista? Ao ser expulso do corpo editorial, meses atrás, Bernardo Bolinha afinal de contas tinha razão em profetizar nossa derrocada. Sem ele, sem sua capacidade assombrosa de trabalho e de pensamento, Volume é um fracasso.

Estou quase desistindo de continuar. Volume não será nada, como está nunca conseguiremos ir adiante, nem ganhar dinheiro, nem conseguir nenhuma vitória que nos satisfaça - nós, neuróticos mimados, que dependemos tanto do aplauso e do reconhecimento dos outros.

Izesuq Kilistoq

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