Adolfo Luxúria Canibal

 

Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal

 

 

ABANDONADA

Abandonada à beira rio
Pela calada da noite
A cidade apodrece. 
Remexendo no visco,
Como ratazanas dos esgotos
Ansiando alimento,
Percorrem-se as vielas. 
Abandonada à beira rio
Pela calada da noite
A cidade apodrece. 
Abandonada à beira rio
Pela calada da noite
A cidade apodrece. 
O amor, sublimada filigrana,
Submergido pelo lodo
Torna-se disforme,
Destroço asfixiado em desperdícios... 
E o sol fotografa-nos
No vómito de uma dor imensa,
Derradeira! 
Abandonada à beira rio
Pela calada da noite
A cidade apodrece. 
Abandonada à beira rio
Pela calada da noite
A cidade apodrece.


ALDEIA GLOBAL

anda eufórica toda a gente com a era da informação fechada 
em casa ligada à rede ou grudada à teelvisão na vertigem das 
notícias em constante circulação sempre mais e mais depressa 
tornou-se a grande obsessão "é a aldeia global" - explicam num 
júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de maravilhas dos 
novos tempos, sem discernirem que aldeia sempre foi o 
sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, 
aborrecimento e mexerico e que, de qualquer modo, o que 
verdadeiramente importa se mantém secreto. do além-mar ou 
da máfia julgam que tudo se pode saber economia ou política? 
o difícil é o escolher crimes de sangue relatos de amor são mais 
fáceis de perceber "é a aldeia global" - explicam num júbilo 
imbecil, prontos a desfilar o rosário de últimos acontecimentos, 
sem discernirem que, contrariamente ao mundo observado 
directamente, em que a relação com o real é absoluta, estão a 
consumir meros resumos simplificados da realidade, 
manipulados num fluxo de imagens de que são simples 
espectadores e cuja escolha, cadência e direcção não controlam 
nem têm possibilidade de verificar a veracidade e em que, 
finalmente, no frenesim meticulosamente planeado de dados 
surpreendentes, o que verdadeiramente importa se mantém 
secreto. o que importa é saber onde raio se oculta o poder



ANJOS DE PUREZA 

somos anjos de pureza evadidos dos lazeres carregamos a 
tristeza não trazemos mais haveres era tudo em vão um brincar 
sem dor sem qualquer paixão que nos desse ardor nosso sonho 
era o arrepio deste mundo a ser mudado só tivemos o fastio de 
um objecto a ser comprado era tudo em vão um brincar sem 
dor sem qualquer paixão que nos desse ardor foi apenas um 
lugar onde à falta de faca aprendemos a manejar os cotovelos 
e o olhar somos anjos de pureza evadidos dos lazeres 
carregamos a tristeza não trazemos mais haveres 


ARRASTANDO O SEU CADÁVER 

É demencial Não há palavras que consigam dizer o horror
Vi um pobre homem agarrado ao que restava da sua mulher
Errando pela baixa
Os olhos fixos num horizonte perdido
Sem uma palavra 
Sem um som
Arrastando a carcassa desfigurada por entre o trânsito do fim 
da tarde
Passei sem conseguir dizer nada 
Ninguém dizia nada 
O silêncio
Acompanhava o olhar vazio 
A dor 
A vaguear por entre as ruínas e o trânsito do fim da tarde
As pessoas apressavam-se por causa do cair da noite
E o pobre homem seguia um destino sem rumo
Arrastando o seu cadáver
E o pobre homem
Seguia um destino sem rumo
Arrastando o seu cadáver 
Ninguém dizia nada 
O silêncio
Acompanhava o olhar vazio A dor


ATÉ CAIR

Seduzido pelo rodopio
Embriagado de vertigem
Os néons ferindo como gritos
Deixo-me possuir pelo frémito da multidão
Num desejo de girar sem parar
Até cair...
Até cair... 
Tudo são sombras difusas
Incertezas, especulações sem sentido...
(Uma mulher disforme e cara esborratada,
Insiste para que lhe apalpe os seios flácidos)
Quero mais é o rodopio
A lascívia sem fim deste carrocel atroz


CANÇÃO DA REVOLTA

desfraldemos a bandeira trapo negro bebedeira e brindemos à 
revolta nossa musa desenvolta contra a pilhagem da volúpia 
a volúpia da pilhagem ocupemos a trincheira que a jornada é 
guerreira e cantemos a recusa deste mundo que nos usa contra 
a pilhagem da volúpia a volúpia da pilhagem


CÃO DA MORTE 

No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado 
Morro Morro No altar de ti 
Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim
No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte 
Morro Morro No altar de ti
... 
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço 
Sinto o cão da morte a bafejar no meu percoço...
Morro Morro No altar de ti
...


DESTILO ÓDIO

Odeio o teu esqueleto ciumento
E os seus ornamentos de suicida 
Destilo ódio! 
Odeio as tuas tesouras perversas. 
Destilo ódio! 
Odeio a colecção de animais embalsamados
Que escondes nas gavetas do teu quarto. 
Destilo ódio! 
Odeio essas peçonhentas mãos de bruxa
E a obscenidade das tuas unhas. 
Destilo ódio! 
Odeio-te amuleto maligno que me intoxicas os sonhos
Com esse hálito pérfido que até o metal corrompe. 
Destilo ódio! 
Odeio-te barca sonâmbula. 
Destilo ódio! 
Odeio-te farol esclerosado
Onde a luz cresce mutilada. 
Destilo ódio! 
Odeio-te morte mansa
Que forras de veludo as paredes desta alcova. 
Destilo ódio! 
Odeio-te maldita celerada.


É UM JOGO

é um jogo a que não podemos jogar um jogo de que somos os 
espectadores um jogo de desconhecidos jogadores um jogo a 
que nunca iremos ganhar olha a menina a dançar tão bela no 
seu saltitar canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar 
olha a menina a dançar quem vai com ela ficar? canta a roleta 
a rodar mistérios da sorte e do azar é um jogo feito para nos 
comandar um jogo de que desconhecemos as regras xadrez de 
que se retiraram as negras um jogo feito para nunca acabar 
olha a menina a dançar tão bela no seu saltitar canta a roleta a 
rodar mistérios da sorte e do azar olha a menina a dançar 
quem vai com ela ficar? canta a roleta a rodar mistérios da 
sorte e do azar é a nossa a vida que está em jogo é a nossa a 
vida que outros jogam 


FACAS EM SANGUE 

Vivia na temperatura tépida dos lençóis
Aquele que dava pelo estranho nome
De Amor. Às vezes soltava-se
E percorria pela mão
Dos adolescentes ruas desertas, sombras
Escuras e conspiradoras - soltou-se
O Amor - alguém gritava. 
E vinha o vermelho e invadia o vermelho
E assanhavam-se os gatos conscientes
Da invasão da sua noite
Solitária. Depois apagava-se
A última luz da última janela e desaparecia
O Amor na tépidez dos lençóis. 
Ficava a lua, ficava
O luar azul a reflectir perigosamente
Nas lâminas das facas ensaguentadas
Dos adolescentes...


FADO CANIBAL

Das ternas horas do passado resta a penumbra
Em espelhos de bruma a memória reflectindo
Sangrentas rosas de um amor cruel.


FOGO FÁTUO

Ai, a vida é um sonho
E este punhal uma ilusão
Que seguro firme contra o corpo,
Metal frio de carne sedento 
Entre a noite e a tua morte
Comunica-se um hálito secreto,
Uma atracção indizível
Que o fio da lâmina pressente. 
Na penumbra do teu quarto
O meu brilho é intenso
Como um fogo fátuo. 
Do corpo à sombra
Vai um abismo
Que a luz desconhece
Mas insistentemente procura. 
Aí dorme um segredo
Que só a carne conhece;
Das trevas nasce a luz
Mas a luz sempre às trevas regressa. 
Na penumbra do teu quarto
O meu brilho é intenso
Como um fogo fátuo.


FOGO SELVAGEM

Sinto a força de Deus
No enforcado
Que balança na aragem
Do fim da tarde
Que balança na aragem
Do fim da tarde
Aves marinhas
Que o vento arrasta
Por sobre o mar
Sinto ser um adeus
Do Seu cuidado
O incêndio selvagem
Que no céu arde
O incêndio selvagem
Que no céu arde
Mágoas antigas
Que o tempo agasta
Até matar
Aves marinhas
Que o vento arrasta
Por sobre o mar
Mágoas antigas
Que o tempo agasta
Até matar


NADA A PERDER

Tenho sempre uma garrafa para beber
E uma mulher para amar
Porque nada tenho a perder 
Há uma enorme festa nas ruas
De vez em quando aparece a polícia e tenta prender
Matar toda a gente
Sobretudo quando nos aventuramos pelos bairros residenciais
Onde pessoas aterrorizadas fingem que tudo vai bem
Encarceradas frente à televisão
Quando partimos uma montra ou saqueamos uma loja
Quando atacamos colunas de assalariados
O truque é ter um bom veículo para a fuga
Recolher rapidamente ao nosso território 
Às ruínas
E partilhar os despojos 
Há sempre uma garrafa para beber
E uma mulher para amar
Quando nada se tem a perder 
Sei que um dia, mais cedo ou mais tarde
Também eu acabarei por morrer
Mas se hei-de esperar a morte na solidão do quarto
No conforto asséptico do isolamento
Antes então o gume da liberdade
Entregar-me à vida perdidamente 
Há sempre uma garrafa para beber
E uma mulher para amar
Quando nada se tem a perder


O FIM DA HISTÓRIA

esquecida a perspectiva da história colectiva todos falam sem 
temer que os possam desdizer sem futuro nem passado o 
presente é instante a outro instante colado sem futuro nem 
passado não se pode aferir se nos estão a mentir se há mesmo 
novidade ou se é truque de mercado não sabendo a verdade do 
problema colocado não se pode definir a estratégia a seguir 
sem futuro nem passado o presente é instante a outro instante 
colado sem futuro nem passado sem futuro nem passado o 
presente é instante a outro instante colado sem futuro nem 
passado um mundo assim governado é um mundo condenado 


O JARDIM

Há tanto tempo que não me ocupo do jardim
A última vez estava frondoso
A buganvília a tingir-se de vermelho
Trepando 
O perfume inebriante
E as festas ao cair da tarde
Parece que foram há séculos
Noutra encarnação
Os meus amigos traziam as bebidas
E a jovialidade
O jardim enchia-se de gente
De beijos
Pelos cantos 
Sôfregos de desejo 
Inventavamos planos de rebelião
Sonhos de transmutação
Passavamos horas a inventar
Entre duas carícias
Surgiam ideias puras e inocentes
Como a nossa vontade de tudo abarcar
Era um frenesim constante
Faz-me pena agora
Olhar para ele
Para as suas sebes abandonadas
De ramos retorcidos
Jaz tombada a grande epícea
E uma enorme cratera
Substitui os belos canteiros de outrora 
Há tanto tempo que não me ocupo do jardim 
A última vez estava frondoso
A buganvília a tingir-se de vermelho
Trepando 
O perfume inebriante
E as festas ao cair da tarde
Parece que foram há séculos
Noutra encarnação


PENSO QUE PENSO

Caminho em silêncio
Distraído por um pensar
Que me turba o andar
Penso que penso
E fico a ouvir-me a pensar
Que penso que penso
Este pensamento
Torna-se um tormento
Penso que penso
Que penso que penso
Sempre o mesmo a dobrar
Como vozes a segredar
Penso que penso
Que penso que penso
Que ainda vou flipar
Flipar 
ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM 
Já não posso mais andar
Com tanta voz a murmurar
Levado pelo vento
Penso que penso
Que penso que penso 
E se penso em parar
É mais um pensamento
Que me fica a ecoar
Outra voz a segredar
Outra voz a murmurar
Murmurar... 
Murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar murmurar 
ESTOU FARTO DE MIM ESTOU FARTO DE MIM


PRIMAVERA DE DESTROÇOS

Caio nesses olhos apáticos
Caio nesse hipnótico abraço
Desta viagem entre flores plásticas (flores plásticas)
E coloridas manhãs de aço (manhãs de aço) 
Viveremos tudo revoltosos
Nesta Primavera de destroços
Sem dor, sem rancor, sem remorsos (sem remorsos)
Nesta Primavera de destroços (de destroços)


SANGUE NO ASFALTO

Atravesso a azul noite da solidão
Envolto em ténues irradiações de pura emoção
Corpos desprendem gemidos mutilados
Em excêntricas posições espalhados
Pedaços de chapa 
Vidros escacados
E um mundo de sensações
Medo, horror
Fundem-se num sensual cheiro a morte e dor
Sangue no asfalto
...
Percorro ansioso os destroços no alcatrão
Abrasado em palpitações de pura paixão
Segurando um crâneo já estilhaçado,
No escuro de dois chorões agachado,
Nutre-se de miolos o deus desnudado
Solto algumas imprecações contra o ladrão
E procuro outra azul noite - solidão
Sangue no asfalto
...
Atravesso a azul noite da solidão
Envolto em ténues irradiações de pura emoção
Corpos desprendem gemidos mutilados
Em excêntricas posições espalhados
Pedaços de chapa
Vidros escacados
E um mundo de sensações
Medo, horror
Fundem-se num sensual cheiro a morte e dor
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto


TU DISSESTE

Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..." 
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada" 
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada" 
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"


VAMOS FUGIR

tenho os passos vigiados no labirinto das notícias. das estatísticas não consigo escapar. 
quimeras mercantis e mexericos mediáticos invadem-me a solidão. a realidade não existe. a
fuga é para lado nenhum. tive uma ideia, tive uma ideia, vamos fugir! tive uma ideia, tive uma 
ideia, foge comigo! tive uma ideia, tive uma ideia, vamos fugir! tive uma ideia, tive uma ideia, 
foge comigo! a informação está em toda a parte. mil olhos nos vigiam. ninguém sabe quem dá 
as ordens. mas elas cumprem-se. a teelvisão transmite-nos a realidade, transmite-nos as 
ordens. eu cumpro. a única fuga é a loucura. tive uma ideia, tive uma ideia, vamos fugir! tive 
uma ideia, tive uma ideia, foge comigo! tive uma ideia, tive uma ideia, vamos fugir! tive uma 
ideia, tive uma ideia, foge comigo! tenho um grilo falante um grilo falante um pateta 
desastrado desastrado um cavaleiro andante cavaleiro andante um pardal alucinado pardal 
alucinado tenho uma top-model uma top-model um vingador implacável implacável tenho um 
prémio Nobel tenho um prémio Nobel uma amante insaciável insaciável tenho um serial killer 
tenho um serial killer tenho deus disfarçado deus disfarçado sou o maior dealer sou o maior 
dealer que se encontra no mercado


VEADOS COM FOME

Rodeando a cidade, descendo as colinas, saindo dos bosques
Eles aproximam-se!...
É a invasão dos veados! Dos veados com fome!
Se és moça solteira e vives sozinha
Corre lesta, sorrateira, a fechar a porta da cozinha!...
É a invasão dos veados! Dos veados com fome!


VENTOS ANIMAIS

São ventos animais,
Rugidos, trovões,
Crescem dentro, dentro
Até nunca mais. 
São feras nos quintais,
Corações felpudos,
Saltam dentro, dentro
Em acrobacias bestiais. 
São anjos desleais,
Agentes secretos,
Do fundo, dentro, dentro
Sopram vendavais. 
São ventos animais,
Doenças, traições,
Crescem dentro, dentro
Até nunca mais.


VÉUS CAÍDOS

Das garrafas há muito entornadas
Onde as cinzas dos mortos repousam
Crescem flores enegrecidas
Onde anjos malditos pernoitam 
Das mulheres que eles amaram
Jamais se despregaram
Os negros véus sempre caídos
O pranto sempre vestido
Os demónios fervorosamente
Escondidos 
Mãe!
Mulher!
Nascida dos ratos
Mãe!
Mulher!
Fermentada no Armazém
Sucumbo
Procuras-me enforcado
Sucumbo
Visitas-me desmaiado 
Das garrafas há muito entornadas
Onde as cinzas dos mortos repousam
Crescem flores enegrecidas
Onde anjos malditos pernoitam 
Das mulheres que eles amaram
Jamais se despregaram 
Os negros véus sempre caídos
O pranto sempre vestido
Os demónios fervorosamente
Escondidos

 


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