Poemas Mortistas

-Colonne Noircie

Deve o doente, por sua doença, pagar?
Sofrer, por não ter a quem recorrer?
Não penses que a pena segue o vento porque quer...
Que o mar não tenta, do sol, se esconder...

Dê-me a razão que a vida prolongue!
Dê-me pois desta iguaria não encontro,
O açúcar em minha boca se azeda,
É desprezado o doce de meu biográfico conto.

Mas sendo a dor quem alicercia minha essência,
como poderei dela, ainda, escapar?
Será a morte, para mim, a melhor saída
menos dolorida para o fim chegar?

Doleur perversa que, a mim, o ser penetra
e embrulha-me a melancólicos ornamentos
sugere à morte que siga-me com vontade
que peque-me contra divinos mandamentos!

A infelicidade é o ponto final da minha vida,
que por má regência , em frase, é transformada
retirem dela o verbo camarada
os advérbios de liberdade, jogue-os fora...

Desgraça é o galho mais eufemístico que se ramifica
Do tronco oco e maltratado de meu ser
sustentado por raiz podre, seca, atrofiada,
que se alimenta de um solo ao apodrecer.

"Si la mer essaye, du soleil, se cacher"
Também eu tentarei, ao menos, questionar:
Quem será a raiz que um dia me gerou?
Que será o solo que já mal m'alimentou?

Deve o doente, por sua doença, pagar?
Então me prendam porque culpado sou,
Desculpem-me se blasfemei contra o nada,
Se o nada, em indigno, me moldou!

-Quatre-vingt Dix-huit

Pormenores fiz sentir-me em estado de ódio,
mas quebraste o aquário em que mantinha meu oceano,
mas derrubaste o bonsai em que cultivava minha floresta,
mas manchaste a tela em que perpetuava minha paisagem,
pois eu ignorara o eterno que oferecias-me como vida.
Operaste minha carne,
Debutaste pela idade,
Do labor rompeste-me,
Sortiste-me com venturas,
Internaste-me em desvelo,
Deste-me felinos.
Gratifico-te em tardo momento,
Arrependo-me de fraco atento,
Juro que em teu sucessor,
Não mais imitarei o Passado!

-Quoi de Tout

Les oiseaux nagent dans la mer d'air
Les poissons volent dans le verseau de ciel
Moi, je me noircis dans la mort qui respire
Je viens des endroits qui n'ont pas d'orgueil

Je m'habille de souffrance aujord'hui
Je mange de la rouille que j'ai dans vie!
Mais si je ne sens rien de peine à moi
Ça ne faut plus être en deuil comme toi....

Parce que même mort, je serais, encore,
Ce que je suis; en dansant en rythme
Toujours, funèbre! Comme mon histoire,
Je l'écris mais j'suis, quand même, la victime...

-Au Pays Français

Em teu vasto campo
Recanto do perfeito
Proclamo e aceito
Tua bandeira a ondular
Plana puro hino
Em brisa suave
Sonora melodia
Que me tange o paladar
Azulado alvo-rubro
Inteiro existir
Clamo sentir
Teu branco cerne aromar

Glorifico-te sempre
Afeto pendente
Pleno envolvente
Acato, jubiloso, a ti sem cessar!

 

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