CIRANDA DA LUA

Música de fundo:

Sonata ao Luar _ Beethoven

 

ALMA DA LUA

Será que a lua tem alma?

Tão serena e calma pendurada no céu

Indiferente á escuridão ao redor,

A lua agita-se em brilhos que não são seus

A alma da lua, será o sol que lhe empresta a luz

E ladino, a seduz, mas não se mostra a ela

A lua é imune aos galanteios do astro-rei

Quer reinar nas noites de romance

Decorar o cenário das paixões humanas

E vestir-se apenas com o encanto do amor

Denise Severgnini

Novo Hamburgo/RS

 

 

 

LUA CHEIA

 

À mesma hora 'spreitei

À janela pra te ver.

Ontem tu 'stavas tão bela

Que te não pude esquecer.

 

E no céu te procurei

Ansiosa, surpreendida.

O azul a escurecer

E a lua ainda escondida!

 

Em fofo leito de nuvens

Finalmente te encontrei

Preciosa, envolvente,

Tua magia, eu adorei.

 

A subir chegaste ao céu

Irradiando beleza.

Toda a vida companheira,

Contudo causas surpresa.

 

É teu feitiço de Agosto

Pelos poetas cantado.

Tudo atentas curiosa

Com teu doce prateado.

 

A tua face gentil

Prá Terra inteira voltada

Revela teu grande afecto

Pela missão confiada.

 

Presente na nossa vida

O Senhor assim te fez.

Astro lindo, Lua cheia

Sempre eu te veja outra vez.

 

Maria da Fonseca

Lisboa /Pt

 

 

LUA

 

Valeriano Luiz da Silva

 

Pra falar sobre a Lua leva tempo demais

Ela tem três movimentações principais

Rotação, revolução e translação que ao redor da terra se faz...

E obedecendo a ordem da natureza não parou jamais

 

Ela passa por um ciclo de fases

Assim sua forma varia demais

Cujo fenômeno desde a antiguidade já é compreendido

Sobre a terra e a água dizem que sua força física age em vários sentidos

 

Em várias culturas...

Quase todas as criaturas

Fizeram da Lua certa ligação

Com a vida e a morte do cidadão

 

Mesmo antes de o homem na Lua chegar

Sobre este satélite o homem já estava a pesquisar

Já sabia que era composto de alumínio silício e cálcio

Por isso ele continuou em seu encalço

 

Falam que ela tem poder sobre o destino da humanidade

Isto varia entre as pessoas os povos e a sociedade

Sabemos que a Lua acompanha nossa imaginação

Desde os primórdios da civilização.

 

Anápolis 22/11/04

[email protected]

www.albumdepoeta.com

 

 

 

 

LUA, LUA ENLUARADA

 

Na beira do dia
A manhã se faz molhada
A vida já tomou banho
A alma está lavada
Vi tudo na madrugada
Acordei extasiada
O céu era um fogo e ardia
De coriscos se cortava
A lua sumiu de repente
De certo se insinuava
Devia estar toda nua
E toda de prata banhada
Deitada na cama da noite
Pedindo para ser amada
O quarto era crescente
A coberta estrelada
Gemia a lua vadia
Se dando enluarada

Camila

Porto Alegre/RS

 

 

LUA

 

Oh! Minha lua de prata

que ilumina a imensidão,

ouça tua serenata

que canta meu coração!

 

Elma Nascimento

 

 

QUARTOS DE LUA



Uma vez, o Sol perguntou à Lua porque ela gostava tanto de variar de cara, de roupa. Quase sempre que a avistava, ela que burlava suas expectativas...
Perguntou-lhe se ela gostava de variar só porque tinha nome de mulher. Ou porque gostava de proporcionar surpresas. Ou porque gostava de ficar entre os coqueiros da praia, observando  os namorados, à tarde,  a esperá-la cheia, para então chegar, noite feita, bem devagarinho e  mostrar-se  como uma tirinha no céu. Nem assim decepcionava... Como se demorasse a aparecer, com intenção de  prolongar momentos felizes. Para ser cúmplice do amor. Se pudesse, a Lua teria sorrido.
Outra vez,  aproveitando de uma tarde em que a Lua havia chegado mais cedo,  com sua bela roupagem cor de lua cheia, num fôlego só, começou a lhe falar, mas só ele perguntava e ele mesmo respondia. Sugeria. Opinava. Queria muito saber o que ela ficava fazendo quando vinha muito tarde. Ele que trabalhava todos os dias, sem descanso, que se levantava cedo para estimular o canto dos galos, para clarear o mundo, para esquentar as águas, para cuidar do verde das plantas. Ele que vinha diariamente,  nem era tão cantado como a Lua. Tirando uns poentes no mar, que enchia os olhos dos enamorados ou alguns nasceres, envolto em nuvens de vários tons de rosa, de vermelho...  Passava os dias cuidando de iluminação e aquecimento e nada de ouvir palavras de gratidão. Pelo contrário, ouvia queixas, que estava esquentando demais. Se tirava uns minutos de descanso, aproveitando do passar de umas nuvens, lá vinham mais protestos. Não podia fazer diferente, porque só sabia fazer daquela maneira
 nos seus incontáveis anos de existência. Acreditava  que seu calor não era tanto,  pois,  uma vez sequer, havia conseguido derreter o gelo dos pólos norte e sul como também, vez nenhuma, havia sido capaz de derreter o gelo que existe no coração de muita gente dessa terra.
A Lua, sem querer ofender o Sol, brilhava cheia, minguante, nova ou crescente. Sem dar muita importância aos clamores dele, justificava que, em seus também incontáveis anos de existência, haviam lhe dado missão diversa a cumprir. Que ia seguir seu destino. E ainda hoje, quando o Sol se põe, segue ela sua rotina,  metamorfoseando-se, solene, soberana, na noite. Cheia de súditos. Pequeninos. Cintilantes. Com eles continua presenteando, lá  das alturas, aqueles que ainda acreditam no romantismo, na seresta, na poesia, no amor.


Terezinha Pereira

 

 

PANTUM À LUA

 

Sonhada lua, tão brilhante e pura

Se resplandeces no céu do meu bem

Por que me deixas sempre insegura ?

Ao te olhar, não vislumbro ninguém

 

Se resplandeces no céu do meu bem

E eu te contemplo por horas a fio

Ao te olhar, não vislumbro ninguém

Meu poetar torna-se então, vazio

 

E eu te contemplo por horas a fio

Como a buscar o rosto conhecido

Meu poetar torna-se então, vazio

Por não achar o que julgava havido

 

Como a buscar o rosto conhecido

Corro meus olhos pelo firmamento

Por não achar o que julgava havido

Fico a segui-la em breve momento

 

Corro meus olhos pelo firmamento

Vejo no alto tão formosa lua !

Fico a segui-la em breve momento

Caminho só, inquieta pela rua

 

Vejo no alto tão formosa lua !

Assim, sorrio apesar de tudo

Caminho só, inquieta pela rua

Meu ser poeta, sorridente e mudo

 

Assim, sorrio apesar de tudo

E devagar retomo meu caminho

Meu ser poeta, sorridente e mudo

Leva os versos, já não é sozinho

 

E devagar retomo meu caminho

Da minha casa e do meu destino

Leva os versos, já não é sozinho

Meu ser poeta versa o desatino

 

Da minha casa e do meu destino

Olho o céu, desejo tua brancura

Meu ser poeta versa o desatino

Sonhada lua tão brilhante e pura

 

Lilipoeta

Curitiba/PR

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

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