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Nossa id�ia inicial era marcar uma cervejada (por conta da galera do Denim and Leather, claro) onde, al�m de trocar id�ias sobre nossa cena, far�amos a entrevista. N�o ia rolar.  Marcamos de ir a um ensaio da banda onde assistir�amos mais uma vez a uma banda tocando com muita garra e vontade e ent�o far�amos a entrevista. N�o rolou de novo (p�, eles tinham de ensaiar t�o longe!!!!!). A conversa ent�o foi por e-mail mesmo. Particularmente curto mais realizar entrevistas pessoalmente, quando podemos pegar respostas mais naturais e espont�neas. Claro que isso n�o impediu de realizarmos uma entrevista igualmente rica em conte�do, onde captamos a maneira de pensar dessa banda puramente conectada a um movimento tao fundamental ao nosso estilo:  a New Wave of British Heavy Metal.........
COMUNIDADE METAL. Por R�gis
Outubro de 2004
ENTREVISTA

1)Como � ser praticamente um representante da NWOBHM hoje, no Brasil?


S�rgio - Seria muita pretens�o nossa, nos julgarmos representantes da NWOBHM, somos apenas uns caras que tem uma banda e que adoram o som daquela �poca e que adoram tocar uns covers de algumas daquelas bandas tamb�m. Mas o bom de fazer isso � que entramos em contato com v�rios fans da NWOBHM. Em todo lugar que tocamos sempre tem fans pedindo m�sicas e querendo trocar id�ia sobre a NWOBHM, e isso � �timo. Quando come�amos a ensaiar alguns dos covers que tocamos, pensamos: �Podemos tocar e falar que � m�sica nossa, porque ningu�m vai conhecer�. Engano nosso. Outra coisa que acontece, e que nos deixa muito contentes, � o contato com as pr�prias bandas da �poca.

Gustavo - Tamb�m n�o acho que sejamos representantes da NWOBHM, apenas procuramos fazer um som que todos na banda gostam muito, sem frescura, mas com muita energia e tes�o.

Marcelo - Eu tamb�m nunca pensei em representar nada, mas dizem que somos "leg�timos representantes"... por mim, tudo bem! S� procuramos fazer o som que gostamos e que ningu�m mais tocava.

2)Desde que a banda foi criada, a �nica mudan�a na forma��o foi a entrada do baixista Gustavo. Qual o segredo de se manter a mesma forma��o numa banda durante tanto tempo?

S�rgio - O Gustavo s� n�o est� na banda desde o in�cio, porque na �poca (1992) ele n�o tocava nenhum instrumento, ent�o resolvemos colocar um outro baixista, que n�o deu certo, ent�o em 1996 o Gustavo resolveu aprender a tocar baixo para entrar de verdade na banda, pois ele sempre nos acompanhou e era praticamente da banda, s� faltava tocar. Mas encontrar as pessoas certas para montar uma banda, �, para mim, a parte mais dif�cil de se montar uma banda. J� toquei com dezenas de m�sicos e � muito dif�cil mesmo acertar. Mas n�s n�o temos nenhum segredo, apenas somos todos amigos, com gosto musical parecido e com desejos comuns para a banda.

Marcelo - Nem sei se foi mudan�a. A impress�o que tenho � que, antes do Gustavo, a banda era n�s tr�s e um cara tocando baixo. A� entrou meu irm�o que tem o mesmo gosto que a gente... O resto � hist�ria! rs...

Gustavo � O segredo de manter a forma��o, � porque n�s somos chatos para caralho... e isso acabou dando certo.

3)Quais os pr�ximos passos da banda?

S�rgio - At� o final deste ano (2004) vai sair uma colet�nea em vinil pela Dark Sun Records do Rio de Janeiro e neste disco v�o ter duas m�sicas nossas e mais a participa��o das bandas STATIK MAJIK, ALCOHOLICOMA e KREMATE. Tamb�m estamos finalizando a arte de uma fita cassete que vamos lan�ar com algumas m�sicas que gravamos ao vivo no nosso show em Assun��o no Paraguai. Al�m disso n�s temos algumas m�sicas novas prontas e queremos gravar em breve para um novo CD-demo. E ainda temos tamb�m o convite de participar de um disco tributo � excelente banda japonesa GORGON, este tributo deve sair no ano de 2005.

Gustavo - E tamb�m queremos tocar o m�ximo poss�vel ao vivo.

Marcelo - Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve! rs...

4)Suas letras num geral s�o otimistas, festeiras, por�m em �Hatred� existe um clima mais m�rbido. Em sua apresenta��o Marcelo a interpreta literalmente como um louco. Alguma raz�o em especial para essa m�sica?

Gustavo - N�o diria que nossas letras em geral s�o otimistas, festeiras, pelo contr�rio. Al�m de Hatred, h� Evil Wheels e The Voice que tem um clima mais nervoso, e as novas que n�o tem nada de otimismo.

Marcelo - � verdade, poucas m�sicas s�o otimistas. Pra falar a verdade, eu n�o sou nem um pouco otimista e viver em S�o Paulo n�o ajuda muito. A "Hatred" � sobre desespero, sobre n�o ter com quem contar quando se percebe que o mundo n�o � um lugar muito legal para se viver!  A m�sica diz o que muita gente sente e n�o tem coragem de dizer! Um louco diria sem grandes problemas...

5)Numa �poca em que as bandas est�o querendo tocar cada vez mais r�pido, com bumbos duplos e solos de guitarra � velocidade da luz, ou seja, t�cnica acima de tudo, voc�s est�o caminhando na contra-m�o desta tend�ncia apostando num som mais cru e direto. A t�cnica destr�i o �feeling�?

Marcelo - o problema � essa preocupa��o excessiva com a t�cnica. As pessoas se esqueceram do que � o Rock'n'Roll!

S�rgio - N�o. A t�cnica n�o destr�i e feeling. O bom m�sico � aquele que consegue fazer um balan�o entre as duas coisas. Por exemplo, voc� pode ser um �timo guitarrista em fazer improviso em blues, puro feeling, mas se voc� s� souber uma escala, na segunda m�sica a coisa j� fica chata. Do outro lado se voc� sabe quinhentas escalas e t�cinicas para improvisar em cima do mesmo tema e quer usar todas em uma mesma m�sica, vai ficar chato igual. N�o basta tocar bem, tem que saber quando mostrar o que sabe. No nosso caso, n�s n�o gostamos desses malabarismo de intrumentistas. Heavy Metal � energia e n�o aula de guitarra/baixo/bateria ou vocal, e muito menos de teclado!

Gustavo - Eu acho que t�cnica demais sem feeling fica uma chatice absurda. Sempre preferi um som mais simples, mas feito com vontade, �quelas bandas que parecem que est�o l� s� para mostrar o quanto sabem tocar, quanta t�cnica possuem e o quanto estudaram, mas que tocam sem tes�o nenhum.

6)No show de Osasco, vcs falaram mal de algumas casas que s� abrem espa�o para bandas cover tocarem. Vcs acham que a culpa � realmente das casas ou do p�blico que n�o prestigia bandas que n�o conhecem?

Hamilton- Eu acho que poderia existir espa�o tanto para as bandas cover como para quem faz som pr�prio. Hoje em dia eu n�o saio de casa pra ver uma banda cover (a n�o ser que algum amigo esteja tocando), mas j� fiz muito isso. Acho que a �culpa� n�o � do p�blico, e sim das casas, porque � aquele lance �tostines�: ningu�m conhece a sua banda porque n�o toca em nenhum lugar, e n�o toca em nenhum lugar porque ningu�m conhece. Ent�o acho que falta coragem das casas para colocar as bandas que amanh� podem estar conhecidas e dar um retorno maior. Nego s� quer moleza, ent�o hoje sempre tem uma banda cover tocando em algum lugar. E � estranho, porque existem trocentas bandas cover, com �timos m�sicos, que acharam um jeito de tocar, mas que poderiam perfeitamente fazer um som pr�prio. Esse assunto renderia pra mais de caixa de cerveja, mas como eu sou bem direto, quase n�o enrolo nada (ops), acho que � mais ou menos isso a�. Ou n�o! Est� compreendido?

Marcelo - Pois �, fica dif�cil conhecer o trabalho de bandas nacionais se as casas de show continuarem assim. Al�m do que, a maioria das bandas "homenageadas" vem ao Brasil. N�o vejo necessidade de cover! � at� legal que exista, tem seu p�blico, mas essas bandas n�o podem, nem devem tomar o espa�o de quem comp�e, ensaia e tenta tocar. O p�blico tamb�m precisa aprender a ser mais curioso! � muito simples ir num show ouvir m�sicas j� conhecidas de bandas consagradas! Ningu�m pensou que essas bandas tamb�m j� foram desconhecidas? Que se a cena na terra delas fosse como a nossa, talvez elas n�o existissem?

7)Vemos muitas bandas das antigas voltando com suas forma��es �cl�ssicas� e bandas novas com estilo �old school�. O esp�rito oitentista est� voltando?

S�rgio - Felizmente o lado bom do Metal nos anos 80 est� voltando, que s�o os shows undergrounds, as amizades, o Metal feito com garra e energia e n�o por dinheiro, etc. Mas tamb�m algumas coisas ruins est�o voltando, como os posers (hahahaha), empres�rios que v�em o Metal apenas como uma fonte de lucro e algumas brigas, que ocorriam muito nos anos 80.

Marcelo - Acho que sim, o excesso de bandas mel�dicas tende a queimar as pr�prias bandas. � meio competi��o para ver quem toca melhor. Acho que muita gente est� buscando simplicidade e "raiva".

Gustavo - Eu espero que sim, e acho �timo! Particularmente, estou cansado dessa avalanche de bandas mel�dicas que est�o ficando cada vez mais repetitivas. J� estava na hora das bandas voltarem a fazer Metal de verdade.

8)Estamos em 1982 e vai haver um festival com cinco bandas da NWOBHM. Quais as bandas que participar�o?

S�rgio - IRON MAIDEN, ANGEL WITCH, SAMSON, HOLOCAUST e SATAN.

Marcelo � IRON MAIDEN (com Paul D'ianno!), SAMSON, ANGELWITCH, WITCHFINDER GENERAL e DIAMOND HEAD.

Gustavo � � dif�cil escolher, mas acho que IRON MAIDEN, DEF LEPPARD, RAVEN, WITCHFINDER GENERAL e DEMON.

Hamilton - MYTHRA, HOLOCAUST, WITCHFINDER GENERAL, ANGEL WITCH e IRON MAIDEN (nessa ordem!).

9)Muito obrigado pela entrevista. O espa�o � de vcs agora.

Todos - Muito obrigado � todos os headbangers da equipe da COMUNIDADE METAL por todo apoio que tem dado a n�s e a toda a cena Heavy Metal do Brasil. Stay Wild!
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