| Cap�tulo 18 - Novamente a Caminho |
| Edgar pendurou a rede nos ganchos da varanda e deitou-se. O vento soprava um ar quente e a sensa��o de indol�ncia causada pelo calor invadia seu corpo. H� dias n�o encontrava �nimo para fazer absolutamente nada. A martirizante ansiedade que envolvera-lhe a alma corro�a tamb�m todos os sentidos. Gravemente abalado em sua pr�pria estima e desconsolado, dormia com dificuldade, o alimento n�o conseguia descer pela garganta e, em nenhuma circunst�ncia, permitia-se a alguma distra��o. Completara vinte e cinco anos no dia anterior e a data passara despercebida. Limitava-se apenas a pensar, meditar em sua vida e no que agora ela se resumia. Desfigurado pela dor, imaginava ser v�tima de um castigo perp�tuo, num melanc�lico e cont�nuo martelar em sua cabe�a sobre as circunst�ncias tr�gicas que levaram Mario embora. O recente passado turbulento se fazia presente a todo instante. Entretanto, sabia que havia um linimento, ainda que pequeno, para sua depress�o e tormenta. Curvava-se diante da poderosa energia que a natureza lhe transmitia para absorver sua seiva e tentar recompor-se. Da terra, a planta tirava sua for�a e se desenvolvia em sua plenitude. De forma semelhante, ele esperava que, a cada contato mais �ntimo com o que o rodeava, um dia seria trazido de volta � vida. Nas �rvores, nos c�rregos, nos animais, nas estradas poeirentas e nos seres humanos nascidos ali, brotados diretamente da terra. Chiados agudos interromperam suas reflex�es e ele admirou no horizonte os p�ssaros fazendo revoadas pregui�osas no c�u azulado e sem nenhuma nuvem � vista. Um aroma do almo�o sendo preparado na cozinha tomava conta do ambiente, mas n�o lhe instigava o apetite. O longo terra�o que circundava a casa estava deserto, o sil�ncio era total, com exce��o da m�quina de triturar milho, cujo zumbido conseguia chegar at� ele, apesar de estar numa razo�vel dist�ncia, no celeiro. No lento balan�ar da rede, Edgar inclinou a cabe�a e tentou cochilar. Em v�o. Dias dif�ceis aqueles posteriores ao funeral. Os pensamentos o castigavam, uma crise sem limites se abatera sobre sua si. Olga transformou-se num farrapo humano, nada e ningu�m seria capaz de resgat�-la da apatia que devorou tudo o que nela representava de alegria e disposi��o de viver. Um dia, ela lhe falou, com o olhar perdido no infinito: - V� embora. Voc� tem um futuro pela frente. Ter� muita satisfa��o ao longo dos anos que ainda tem para desfrutar a mocidade. Quanto a mim, n�o resta mais nada. Deixe-me a s�s com minha dor. Ela soube fazer com que ele compreendesse muito bem o significado daquelas comoventes palavras. Se ficasse, seria tragado pelo turbilh�o de lamentos. Dois cora��es atolados pela tristeza n�o poderiam ser de ajuda m�tua. Cada um necessitava de caminhos diferentes, cada qual na busca de um motivo para superar suas inquietudes. Usando de discernimento, Edgar tomou coragem, apanhou algumas pe�as de roupas e abandonou a casa quase sufocado pela afli��o. A sociedade era desfeita com um m�nimo de vantagem, mas n�o importava os valores, n�o podia simplesmente continuar ali por mais nem um minuto sequer. Seus pensamentos foram interrompidos pela chegada de um jovem carregando alguns livros debaixo do bra�o. - Que sossego, hem? - deu uma risada, mostrando os dentes brancos contrastando com a pele morena, queimada de sol. - Ol�, Miguel. O que trouxe a� de interessante? - Tem romances de aventura e mist�rio. S�o os melhores da biblioteca, a secret�ria garantiu. V�o servir de boa distra��o. A menos que n�o goste dos autores - falava puxando o "r" fortemente, num sotaque que demonstrava com clareza sua origem interiorana. Da mesma forma, seu modo de vestir era bem caracter�stico, a bota de cano curto, a cal�a de brim, a camisa de algod�o estampado. Observando as capas e folheando as primeiras p�ginas, Edgar deu mostras de agrado, na certeza de que a leitura seria de grande utilidade naquelas circunst�ncias. Agradeceu a amabilidade e acrescentou: - Pena que n�o os tivesse trazido ontem. Passei a noite em claro, com ins�nia. - Saudade de S�o Paulo? Quem se acostuma com toda aquela correria tem dificuldade para ajustar-se � tranq�ilidade do sert�o... - N�o � bem isso. Andei enfrentando uma situa��o dif�cil nesses �ltimos meses, tem sido penoso para mim levar a vida avante. Por isso, o Sr. Teodoro me convidou para vir espairecer um pouco aqui. Qualquer hora conto toda a hist�ria. - Aqui ter� bons motivos para ficar bom da cabe�a novamente. Cuidarei de trazer-lhe sempre as novidades. Por exemplo, o fim-de-semana promete ser bem agitado na cidade. Vai haver a escolha da rainha da primavera no gin�sio de esportes e n�o deve perder. At� quando pretende ficar? - Ainda n�o me decidi. Atendendo �s instru��es do patr�o, o rapaz mostrava-se cordial e prestativo para com o visitante. Teodoro havia dado a entender que sua fam�lia era grata a Edgar, pelo amparo que o rapaz devotara a Olga durante o per�odo dif�cil pelo qual atravessara. Em retribui��o, recomendara a todos os empregados que fizessem sua perman�ncia na fazenda a mais confort�vel poss�vel. Miguel tornara-se mais chegado, acompanhando-o de vez em quando nas caminhadas e mantendo-o informado do dia-a-dia na propriedade. Havia sido digno de admira��o seu empenho na localiza��o dos livros solicitados, numa efici�ncia e rapidez raras de se encontrar. Todavia, Edgar relutava em aceitar suas gentilezas constantes, pois cada interrup��o se constitu�a em aborrecimento. Ele desejava apenas a solid�o e tinha a casa inteira para si. Teodoro e Eugenia haviam partido em viagem de f�rias mas antes disso tomaram todas as provid�ncias para que ele e Olga desfrutassem da casa e suas depend�ncias como melhor lhes conviesse. Representava uma esp�cie de tr�gua logo ap�s os �ltimos acontecimentos, um intervalo suficiente para que tomassem f�lego e colocassem suas vidas em ordem. Como era de se esperar, Olga n�o quis deixar S�o Paulo, por�m achou uma boa id�ia a ida de Edgar. Ela preferia ficar pr�xima a todas as coisas que um dia tivera significado na vida do filho, conforme suas pr�prias palavras. Edgar concluiu que Olga teria dificuldades para reerguer-se, mas calou-se. Era descabido ficar dando-lhe mais conselhos do que j� o fizera. Aproximara-se dos limites do toler�vel. Para si e para ela. Quanto � sua pr�pria dor, que talvez fosse t�o imensa ou maior que a de Olga, ele tinha no��o de que seria muito mais f�cil de suport�-la se estivesse longe de tudo o que lhe fizesse recordar os bons momentos que haviam passados juntos. Ele e Mario, a raz�o de sua felicidade por um curto espa�o de tempo. Edgar sabia que a amargura em seu peito iria diminuir aos poucos, mas enquanto isso n�o acontecia, deduziu que quanto menos gente em torno de si, melhor. Ele imaginava padecer em sil�ncio, sem a interfer�ncia de ningu�m na quietude da fazenda, mas pura ilus�o. Esquecera-se da criadagem. Ainda que sua inten��o fosse conservar-se � dist�ncia, quieto e reservado, n�o havia como escapar das gentilezas e aten��es que o rodeavam. As refei��es eram cuidadosamente preparadas no hor�rio e a cozinheira fazia-se presente quando era colocada � mesa. As salas e seu aposento mereciam aten��o constante das empregadas, impecavelmente arrumados e com as roupas de cama e banho diariamente trocadas. Sua pen�ria era alvo de uma peleja incans�vel e, certamente, esses cuidados tornavam poss�vel a recupera��o. Al�m de tudo, havia o amistoso Miguel oferecendo seus pr�stimos na maior parte do tempo. O rapaz era considerado uma esp�cie de pau para toda obra na fazenda. Edgar notara sua presen�a no est�bulo e la�ando cavalos no pasto, dirigindo a caminhonete carregada para o mercado ou conduzindo trabalhadores para os campos de planta��o. Em todos os lugares ele dava o ar de sua gra�a. J� haviam transcorridos quinze dias de absoluta vadiagem e Edgar p�s-se a pensar em seus planos para o futuro. A qualquer momento seria preciso abandonar o sossego da fazenda e tratar de recompor sua rotina. Tinha perfeita no��o de que a estada lhe era �til mas � claro que n�o continuaria ininterruptamente. Mesmo porque a fam�lia de Teodoro e Eugenia era grande o suficiente para abrigar diversos mexeriqueiros, gente com disposi��o a tecer coment�rios maldosos a respeito de sua perman�ncia na propriedade sem oferecer um trabalho em troca. Chegaria a hora em que ele deveria estar disposto a tomar uma decis�o s�ria e verificar que caminhos seu destino lhe reservava. Tinha horror s� de pensar em voltar para S�o Paulo. Caso isso acontecesse, e era algo inevit�vel, passaria pela cidade apenas para recolher seus pertences e seguir para outro local. Iria refazer a vida de alguma forma, mas n�o tinha condi��es emocionais de tentar quaisquer chances em sua cidade natal. A manh� de s�bado nasceu alegre, com o sol brilhando intensamente e o canto das aves invadindo a casa. Os animais de montaria faziam um barulho infernal no estrebaria, sendo preparados em suas selas para o passeio dos colonos na cidade. Por causa da algazarra, Edgar levantou-se mais cedo do que previa e entrou debaixo do chuveiro, sentindo com prazer a �gua refrescar seu corpo depois de uma noite calorenta. No fim, vestiu apenas um shorts e desceu para o desjejum. Embora encontrasse a mesa farta, tomou apenas uma x�cara de caf� e concentrou-se na leitura, esparramado na rede. Era estimulante a vista que se tinha dos bosques e colinas vizinhas, um verde extraordin�rio que fornecia vitalidade aos que dele desfrutavam. Ocasionalmente Edgar levantava os olhos e admirava a in�mera variedade de flores no jardim, com seus brotos coloridos desabrochando. Depois, voltava a penetrar no clima do romance, na tentativa de afastar sua afli��o e alimentando ardentes esperan�as pela recupera��o de sua alma conturbada. A imagem de Mario martelava constantemente na mente debilitada e sua aus�ncia era dolorida. De repente, um gato passou correndo pela varanda, distraindo-lhe a aten��o. Perseguia um pardal que ati�ava-o com um v�o rasteiro e �gil, depois sumindo por entre as vielas do jardim. Antes disso, o animal desastradamente virou um vaso, espalhando a terra e impregnando o piso de cer�mica com suas pegadas. O ch�o deveria ter sido encerado h� pouco, pois apresentava um brilho intenso. Edgar imaginou que a empregada encarregada da limpeza iria ficar uma fera, pois ouvira suas reclama��es. Ela preveniu Miguel sobre as inconveni�ncias de ter o animal rondando a casa, instando que se desfizesse dele, mas o rapaz insistia em conserv�-lo, para sua irrita��o. Ele levantou-se da rede, colocou o vaso no lugar e foi ao fundo da casa � procura de um pano de ch�o. Na volta, agachou-se e cuidadosamente come�ou a limpar a sujeira, se antecipando em eliminar os vest�gios que, por certo, significariam o fim definitivo do gato trapalh�o. Edgar percebeu um vulto atr�s de si e voltou-se, assustado. Para seu al�vio, era Miguel. Contudo, aquela vigil�ncia constante causava-lhe exaspera��o, levando-o a supor que por tr�s daquilo poderia haver a inten��o de investigar seus passos. Com qual finalidade, desconhecia. Ele trajava roupas pr�prias para festas, envergando uma cal�a vistosa com cintur�o de couro e uma enorme fivela de metal, al�m da costumeira camisa colorida. Estava curioso com a tarefa pela qual desempenhava-se t�o obstinadamente e perguntou-lhe a raz�o daquilo. Depois da justificativa, o rapaz agradeceu a cumplicidade, pois o bichano era de sua estima��o. Mais uma vez comentou dos festejos na cidade com um entusiasmo pr�prio dos habitantes do lugar. Todos tinham em mente as comemora��es do dia, era o �nico coment�rio em qualquer lugar da fazenda. Miguel n�o era exce��o, um filho da terra e quem em cujas veias corre a energia do campo. Mais uma vez insistiu para que o acompanhasse. Edgar com tato inventou uma desculpa qualquer e mergulhou em sua leitura novamente, permitindo que o rapaz se afastasse, abanando a cabe�a, decepcionado. Era melhor assim. N�o tinha disposi��o para encontrar gente sorrindo, se divertindo, gente que n�o tinha nenhum sofrimento para ser compartilhado. Al�m do mais, Miguel pareceu-lhe falso e dissimulado, seria terrivelmente enfadonho permanecer em sua companhia por muito tempo. Ao mesmo tempo, refugiava-se na solid�o propositadamente. N�o desejava for�ar uma situa��o e acabar se tornando inoportuno. Sofria e dispensava qualquer chance de ajuda. Mostrava-se desanimado e sem interesse por festas. Ao entregar o pano de volta, Edgar aproveitou para entrar pela cozinha e consultar sobre o card�pio do dia. Foi informado que no almo�o seria servido costela de vaca assada acompanhada com o de sempre, ou seja, arroz, feij�o e salada. O fog�o � lenha fornecia condi��es para o preparo de uma comida incompar�vel, ele lembrou-se, acusando um leve apetite. Eugenia e Teodoro eram excelentes criaturas. Apesar de ausentes, sabia que haviam deixado instru��es para que ele se beneficiasse de toda a hospitalidade poss�vel. Jamais teriam no��o do quanto um tratamento t�o eficiente seria capaz de ajud�-lo em sua penosa jornada. Regressando ao seu canto preferido, Edgar abriu o livro e tentou absorver-se no enredo novamente. Mas os pensamentos o levaram para o epis�dio que acabara de suceder entre ele e o ajudante da fazenda. Apesar da preven��o que tinha, havia sido indelicado depois do tempo que ele perdera indo at� a biblioteca por sua causa. Ao inv�s de mostrar-se grato pela gentileza, fora arrogante ao recusar seu convite para acompanh�-lo nos festejos da cidade. N�o estaria julgando equivocadamente a maneira como se portava? N�o estaria sendo exigente demais com um sujeito modesto como Miguel, cheio de ingenuidade? Afinal, precisava dar uma chance a si mesmo e ter algu�m para conversar, trocar id�ias, dar opini�es, por mais tolas que fossem. Seria o primeiro passo para se levantar e tocar a vida adiante. Uma brisa leve e fresca surgiu sem causa aparente. Pren�ncio de chuva, talvez. Depois da sa�da dos colonos, a casa foi invadida pela paz novamente. Somente as encarregadas da cozinha permaneceram, cuidando de suas obriga��es e sempre com um olho no h�spede, na expectativa de que pudesse precisar de algo. Edgar deu um pulo at� a piscina, nadou, tomou sol. No caminho de volta, passou pelo pomar, recolheu algumas frutas de seu gosto e foi sabore�-las na varanda. As mangas, particularmente, estavam espl�ndidas. Pensou em ir pegar mais e depois desistiu, acabando por entregar-se definitivamente � leitura. Passou o resto da tarde numa letargia tocante e depois, ligou a televis�o para saber das not�cias. J� completara-se uma semana de sua estada na fazenda e nem se importava com o que ocorria na rotina do pa�s. Perante a falta de curiosidade, Edgar constatou que tinha uma formid�vel voca��o para colocar de lado os acontecimentos mundanos e recolher-se, imperturb�vel, ao seu pr�prio universo obscurecido pela tristeza. Colocou o romance debaixo do bra�o e foi refugiar-se no quarto. Ali, pelo menos, tinha a garantia de privacidade absoluta. Miguel voltou um pouco antes do escurecer. Desmontou do cavalo, recolheu os arreios na estrebaria e, antes de se retirar para sua moradia, deu um pulo at� a cozinha da casa. L� foi informado que Edgar fechara-se no aposento e recomendara que n�o o importunassem. Na certa, era um recado indireto para ele. Reconhecia que sua insist�ncia passava dos limites. N�o fazia por mal, desejava apenas ser acolhedor e descobrir alguma f�rmula que tirasse o visitante de sua apatia. Tinha certeza que algo muito s�rio ocorrera para que ele se comportasse assim, e quase n�o controlava a curiosidade em conhecer a causa. Comeu um peda�o do p�o que acabara de sair do forno, abriu a geladeira para pegar um copo de leite e sentou-se na grande mesa da copa. Nesse instante, uma das empregadas desceu esbaforida as escadas e gritando que havia vazamento na caixa d'�gua. Sem pestanejar, ele correu para fechar o registro geral e foi procurar o problema no forro da casa, onde se encontrava o sistema hidr�ulico. Inquieto com todo o movimento no corredor, Edgar abriu a porta e deu de cara com o rapaz afobado. - O que aconteceu? - Um dos canos que leva �gua para os banheiros soltou-se e come�ou a vazar. Mas est� tudo bem, j� consertei - respondeu, enquanto enxugava com um pano encardido - desculpe se o incomodei. - N�o precisa se desculpar, fez o que era necess�rio. Se n�o estivesse aqui, teria ido eu mesmo cuidar do problema. - Foi uma correria. Sem uma provid�ncia r�pida, a casa poderia ficar inundada. J� imaginou o Seu Teodoro chegar e descobrir a mob�lia toda estragada pela �gua? Me comeria a alma. - Estava divertida a festa? - perguntou, mudando o assunto importuno. - Muito, n�o tinha vontade de voltar. Mas precisava. - Por que? N�o � seu dia de folga? - A maioria dos colonos foi para a cidade, a fazenda est� quase vazia e isso me deixou preocupado. Al�m disso, n�o queria deix�-lo sozinho por muito tempo. Recebi instru��es para acompanh�-lo no que fosse poss�vel. - J� lhe disse que eu me arranjo muito bem na casa, j� estou acostumando. Caso precisasse de algo, tinha gente aqui que poderia me atender - falou num tom irritado, sua teimosia era enervante. - Vou descansar um pouco. Se desejar algo, sabe onde me encontrar. Miguel desceu as escadas sem esperar por uma resposta, levemente magoado. N�o havia mais nada o que fazer no andar de cima, pois j� cumprira sua obriga��o e o problema com o encanamento fora resolvido. Edgar fechou a porta atr�s de si, c�nscio de sua grosseria. Mas n�o havia outra maneira de se fazer entender. Desejava sossego, nada mais. A noite caiu e um sil�ncio invadiu o ambiente, quebrado apenas pelo pessoal na cozinha. Ap�s o jantar, a paz reinou por completo. Edgar ficou sozinho, todos se recolheram e ele tratou de apagar as luzes. Dava-lhe prazer o clima de tranq�ilidade, as depend�ncias na penumbra e a sensa��o de liberdade, mesmo fora de seu aposento. Nessas horas, tinha a casa toda para si. Pegou novamente o livro o qual faltava apenas um cap�tulo para o final e escolheu uma poltrona que lhe pareceu confort�vel, na saleta ao lado do jardim de inverno. Entretanto, n�o permaneceu ali mais do que alguns minutos. Como o sono come�ava a dar sinais de sua presen�a, levantou-se e foi at� a pia do banheiro a fim de jogar um pouco de �gua no rosto. N�o queria deixar para o dia seguinte o restante da hist�ria. Finalmente, dirigiu-se ao quarto e acomodou-se na cama. |