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Numa Roda
de Aratacas*
11032000�
Luiz
Delfino de B. Miranda
Meu amigo Antoniel
Mano velho e mais mo�o
Me permita num cordel
Pendurar este papel
Pra m�de n�o ter desgosto
De depois se arrepende
De ter pensado em escreve
E aqui nada ter posto.
Sabes que gosto assim
De escrever no brotar
Das coisas que vem de dentro
Bem l� de dentro de mim
Ent�o deixo-me ao vento
Que me leve o pensamento
T�o leve como o jasmim
Perfumando o arrebento
Do filho que vai nascer
Da mulher que vai parir
Do marinheiro a partir
Do velho que viu nascer
A m�e de ouro no morro
Que em todo canto se diz
Que ela h� de aparecer
Pra quem se sente infeliz.
Ent�o eu fico pensando
por que num fico rimando
Com o cumpadre aprendiz?
Que sabe o som do triangulo
e das zabumbas tirando
o melhor tom que se diz
Numa roda de aratacas
cantando at� bem-te-vis.
E � assim mesmo que fa�o
E nem sei como � que surgem
Esses versos que lhe tra�o.
Que d'antes eram pra Am�lia
Laura, Amanda ou Luiz.
Mas me v�m como o galope
Que voc� me trouxe em trote
Me fazendo um aprendiz.
Da viola enluarada
Das invernia fremente
Do Natal muito mais quente
Do quero-quero n'alvorada
Da tapioca assada
bem na ribeira da brasa
Onde a fuma�a se afasta
Pra dar lugar aos teus versos
Que por certo ouviremos
Ao som do pandeiro ameno
Do reco-reco baixinho
Da frigideira tiremos
O som do mais corriqueiro
E da caba�a bem oca
Que se ou�a o murmurinho
Saindo da tua boca.
Saudades....
02052000 - 3:50
*Arataca: do tupy, O que cai estalando. Tamb�m � o
nome de uma ave que n�o foge frente a seca. Cabe�a chata,
nordestino.
Aqui o poeta pede a Antoniel que lhe traga
toda a sonoridade da viola sertaneja, do triangulo queestala
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