Que te induz, ó ser humano incompetente,
A abrigar-te com o manto da maldade...
E trair teus semelhantes, servilmente,
Tentando promover-te com inverdades...
Que inspiração é essa, aleivosa e mordaz,
Que te arrebata, tresloucadamente, amigo...
De onde vem essa força estranha que te faz
De bem com poucos e de mal contigo...
Será que tua mente fria - friamente -
Esqueceu que aqui, na lida, somos iguais...
Ou será que só a perfídia impenitente
É que fecunda teus misérrimos ideais...
E se pensas que, com vil atitude, tu serás
Prestigiado por quem bajulas, com despudor...
Ilusão!... Todos sabem: não se pode confiar
Nas idéias mentecaptas do impostor.
Pois, qual réptil mimético, ladino,
Transmudas-te, maquinando teu afã.
E os que hoje te aturam em desatino,
Poderão ser tuas vítimas amanhã.
... Mais tarde, quando já estiveres fatigado,
Reinar-te-ão compunções mórbidas, agudas;
E, ao lembrares do teu esquálido passado,
Sentirás que foste apenas mais um Judas!...
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Rubenio Marcelo
Poema do Livro ESTIGMAS DO TEMPO
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