Que face tem o tempo 
Neste átimo de segundo 
Quando alinho meu pensar ao teu? 
Que linguagem é falada 
Entre os ponteiros do relógio 
Que me entreolham em esperas? 
Enquanto passam todas as horas 
Neste instante de tua ausência 
Engano-me e finge o tempo 
Embaciando o pretérito presente 
Marca meu álibi para o existir 
Como se possível fosse medir 
O tempo prometido ou adiado 
Talvez haja uma outra dimensão 
Um lugar por ainda alcançar 
Para além das nuvens, um sol 
Onde a luz refulge, redimindo-nos 
Quando a esperança me pede deserção 
Fujo para o caminho da saudade 
Onde me guardam os teus olhos 

 


Fernanda Guimarães 

 

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