RESGATE DA HISTÓRIA DA FUCRI/UNESC: IMPLANTAÇÃO DO IPAT E DO CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL.
Décio Escobar Oliveira Ladislau*
RESUMO : Este artigo tem o intuito de apresentar uma reflexão sobre a questão do papel da universidade na sociedade e aborda com ênfase a questão do meio ambiente, no que concerne a criação de um centro de pesquisas ambientais na região sul de Santa Catarina, região que abriga áreas extremamente degradadas .
PALAVRAS CHAVE : meio ambiente, ecologia, pesquisa.
Iniciarei este artigo com uma surrada e batida, porém contemporânea indagação, qual o papel da universidade ? Desde os mais remotos tempos, na gênese universitária na Europa, este deve ter sido um assunto muito discutido, aqui nos trópicos, mais precisamente no Brasil, este problema, se assim posso chamar começou a ser observado nas visões de intelectuais e estudiosos no início do século XX, intelectuais do porte de Anísio Teixeira, com suas visões progressista para a época com relação a universidade e todos os intelectuais que comungavam com os ideais de Teixeira . Fala-se muito atualmente em uma universidade cuja principal função seria permeada por um tripé: pesquisa/extensão/Ensino. Cabe agora um segunda e uma terceira indagação, e no nosso município ? qual o papel da Universidade do extremo sul de Santa Catarina( UNESC) diante das atuais conjunturas sociais/econômicas e ecológicas ? Faz-se necessário então, resgatarmos um pouco da história da universidade para entendermos o momento em que vive a sociedade e também a própria universidade.
Atualmente estamos diante de uma situação impar na sociedade mundial cada vez mais a necessidade de se pesquisar e buscar meios para a conservação do meio ambiente se faz necessário em nosso cotidiano, mais precisamente no município de Criciúma o estudo do meio ambiente terá como precursor o Núcleo de Pesquisas Ambientais ( NUPEA ) que posteriormente se chamará Instituto de Pesquisa Ambientais e Tecnológicas ( IPAT) , entidade que pertence a Universidade do Extremo Sul Catarinense ( UNESC ). Este artigo tem como objetivo apresentar o testemunho do surgimento dessa nova fase de pesquisa ambiental em nosso município e sul Catarinense para tanto, buscará no depoimento do senhor Eduardo de Oliveira Nosse ¹, a base testemunhal que sustentará a importância histórica da FUCRI/UNESC no contexto da pesquisa e conservação do meio ambiente catarinense e brasileiro .
Segundo Eduardo, a sua vinda para Criciúma se deu, a partir de um convite, para a instalação de um laboratório de análises químicas na FUCRI este convite partiu do professor e geólogo Arthur Bastos, o objetivo inicial do projeto era a profissionalização de mão-de-obra na área de pesquisa ambiental através de uma parceria com a Fundação de Amparo tecnológico ao Meio Ambiente (FATMA), entidade ambiental governamental que forneceria a instrumentação e material de apoio necessário para pesquisa enquanto a Fundação Educacional de Criciúma (FUCRI) através do NUPEA, núcleo de pesquisa criado a partir de abril de 1992 entraria com a mão-de-obra, casamento que segundo Eduardo se deu muito bem .
No momento de criação do NUPEA, estava no comando da FUCRI o senhor Laênio José Guisi e para a criação do núcleo foi enviado um projeto para o ministério do meio ambiente solicitando como área para implantação do projeto as instalações da antiga ICC. Como serviço inicial houve a concretização do laboratório e posterior qualificação dos profissionais que através do convênio garantiam as pesquisas no meio ambiente e forneciam laudos dos graus de poluição na região .
O primeiro trabalho de vulto do NUPEA foi um estudo que visava o tratamento das águas ácidas do manancial hidrológico das imediações da carbonífera Criciúma pesquisa encomendada pela própria carbonífera .
No ano de 1994 foi solicitado ao núcleo uma pesquisa de enorme vulto, que inclusive envolvia recursos internacionais, a pesquisa em questão foi solicitada pela Agência de Fomento e Pesquisa do Japão (JAICA) organismo que pretendia: Diagnosticar a situação da região carbonífera e conceber um projeto para a solução dos problemas ambientais , segundo o entrevistado, na realidade o organismo japonês queria ter um visão da situação da região e posteriormente vender a algum banco de fomento o projeto de recuperação da área degradada .
Já em 1996 houve a liberação da área da ICC e em 1997, a aprovação do projeto de criação de um Instituto de Pesquisa, o projeto foi aprovado pelo ministério do meio ambiente e em 1998 houve a implantação do Instituto de Pesquisa Ambientais e Tecnológicas ( IPAT ) que contaria ainda com mais 3 núcleos de pesquisas :
NUPEAM ( Núcleo de Educação Ambiental ) .
NUPESE ( Núcleo de Pesquisa Socioeconômico ).
NUPAS ( Núcleo de Pesquisa na Área de Saúde ).
Em 1999 ocorreu a consolidação do instituto que contou inicialmente com o comando do senhor Eduardo Oliveira Nosse que respondeu ao comando do IPAT até o período de 2001 quando se retirou para dar lugar ao senhor Marcos Back que atualmente responde pelo cargo de gerente e como coordenador o senhor Éder dos Santos a partir deste ano o IPAT passou a contar com as dependências da ICC, cuja reforma das estruturas foram viabilizadas por uma verba proveniente do ministério do meio ambiente, onde uma área de 800 metros quadrados, foram reformados para abrigarem diversos laboratórios que são os seguintes :
- Laboratório de águas e efluentes.
- Laboratório de poluição atmosférica .
- Laboratório de solos e resíduos .
- Laboratório der microbiologia .
Como grandes projetos preconizados pelo IPAT Eduardo salientou os seguintes:
- EARIMA - estudo sobre o impacto ambiental provocado pela instalação de uma usina termoelétrica na região sul de Santa Catarina .
- CSN – recuperação de áreas degradadas no município de Siderópolis.
Evidentemente, outras pesquisas de menor expressão ocorrem simultaneamente, e contribuem para analise da situação ambiental da região .
Outra questão, ventilada em nossa entrevista, foi a participação do entrevistado na organização do curso de engenharia ambiental, com relação a coordenação e instalação do curso, Eduardo diz que participou dando algumas sugestões, cabendo a outros membros do IPAT companheiros de Eduardo realizarem esta tarefa, atualmente ministra aula na 8ª fase do curso na seguinte disciplina, Sistema de Tratamento de Poluição Atmosférica e também a disciplina Controle de Poluição do Ar na 7ª fase, ele relata que preferiu dar aulas nessa fase mais avançada do curso por estar mais entrosado com conteúdo a ser ministrado haja visto, sua história passada recente no NUPEA. No ano de 2003 haverá a formatura da primeira turma deste curso .
O que se pode concluir com este artigo é que como vivemos em uma região bastante degradada pela extração de carvão, fato que nos coloca em 4º lugar no ranking de cidades mais poluídas do Brasil, a UNESC está fazendo um papel extremamente importante no que tange a pesquisa e conservação do meio ambiente. Há de se louvar os esforços de pioneiros como o senhor Eduardo bem como, os esforços de outros colaboradores que como muita dedicação, empenho e esforço, tentam construir uma sociedade melhor com a missão de melhorar a qualidade do ambiente de vida .