Moacir Gadotti
Pedagogia da terra: Ecopedagogia e educação sustentável
Moacir Gadotti,por sua vez, intitulando seu texto "Pedagogia da terra: Ecopedagogia e educação
sustentável", apresenta a reflexão que mais densamente aporta para
este escrito a contribuição de Freire. Gadotti torna forte em seu texto a
discussão em torno dos processos de extermínio e destruição da vida que têm
predominado nas relações dos humanos entre si e destes com a natureza. Um tanto
desconfiado acerca das possibilidades humanas, mas sem perder a esperança, Gadotti
lembra o "potencial destrutivo"
que o desenvolvimento do capitalismo provoca, sem descuidar da fragilidade das
experiências socialistas. Embora o tão propalado momento denominado de "era da informação", fortemente
sustentado pela globalização, o autor
lembra os regionalismos e a fragmentação
a partir dos quais a humanidade se organiza. Pensar a educação do futuro é possível a partir da utilização de
categorias compreensivas tais como contradição,
determinação, mudança, trabalho e práxis. Gadotti bem aproxima Freire e
Marx, pela dialogicidade e dialeticidade, destacando a "vitalidade da pedagogia dialógica ou da
práxis". Reconhecendo que tanto a educação popular quanto a pedagogia
da práxis, lidas criticamente, deverão continuar sendo "paradigmas válidos para além do ano 2000",
Gadotti aponta para a necessidade da elaboração de novas categorias "explicitadoras da realidade".
Procurando dar conta da tarefa que aponta, Gadotti reflete categorias para
análise da educação na atualidade: planetariedade,
sustentabilidade, virtualidade, globalização, transdisciplinaridade, que
possibilitam compreender a ecopedagogia, a qual "promove a aprendizagem do sentido das coisas a partir do cotidiano da
vida". Aponta, então, para a esfera da "subjetividade, da cotidianidade e do mundo vivido" como
categorias que "estruturam a vida
cotidiana". Com Francisco Gutiérrez, tomando o livro Pedagogia para el Desarrollo Sostenible,
Gadotti anuncia seis temas que devem fazer parte da Agenda da Educação no Século XXI: (1) promoção da vida, (2)
equilíbrio dinâmico para desenvolver a sensibilidade social, (3) equilíbrio dinâmico para desenvolver
a sensibilidade social, (4)
congruência harmônica que desenvolve a ternura e o estranhamento, (5) ética integral, (6) racionalidade intuitiva que desenvolve
a capacidade de atuar como um ser humano integral e consciência planetária, que
desenvolve a solidariedade planetária. Gadotti avança na reflexão acerca do
desenvolvimento sustentável desvelando um componente pedagógico importante:
"a preservação do meio ambiente
depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da
educação." Coerentemente com as convicções que expressa ao iniciar sua
reflexão, Gadotti afirma que a ecopedagogia originou-se da "educação problematizadora" de Freire:
quando parte das necessidades do aluno (curiosidade) e dá conta de uma relação
dialógica professor-aluno, a educação é produção e não é transmissão e
acumulação; é educação para a liberdade. Baseado nas conclusões do Iº Seminário Internacional da Carta da Terra
na Perspectiva da Educação, promovido pelo Instituto Paulo Freire, Gadotti
recorda e sistematiza valores como respeito à terra e à vida, proteção e
restauração da diversidade, respeito aos direitos humanos, erradicação da
pobreza, distribuição eqüitativa dos recursos, igualdade de gênero etc. Os
valores organizados por Gadotti dão sustentação à análise dos processos de
globalização: "fenômeno desse final
de século, impulsionado sobretudo pela tecnologia, parece determinar cada vez
mais nossas vidas." A "ação
comunicativa", apontada por Gadotti, com Habermas, não implica a
negação dos conflitos de classe. Relativamente à globalização, o autor destaca
que podemos observar pelo menos dois modelos: "modelo de dominação econômico, político e cultural totalitário e
excludente..." e o processo de "globalização global propiciado pelos avanços tecnológicos, que criam as
condições materiais (não ético-políticas)da cidadania global, a globalização da sociedade civil."