Carlos Alberto Torres
Grandezas y miserias de la educación latinoamericana del siglo veinte
Carlos Alberto Torres, intitulando sua reflexão "Grandezas y miserias de la educación
latinoamericana del siglo veinte", busca expor evidência empírica e
argumentação para mostrar avanços e retrocessos, grandezas e misérias da
educação latinoamericana, apontando, a partir disso, desafios para a educação
no século XXI. Inicia o
texto refletindo "El siglo de la
educación: consideraciones preliminares ." Declara que o século
XX está marcado pela ampliação de oportunidades educativas, a todos, na América
Latina. Lembra o papel do Estado e o aumento de recursos despendidos,
melhorando "sustancialmente la
igualdad de oportunidad educativas para los pobres, imigrantes, niñas y
mujeres, así como para los indígenas." Agregada a tais medidas, o
autor lembra os esforços que têm sido realizados para "la retención
de estudiantes" na escola. Torres lembra, da mesma forma, que o tema
da qualidade e da relevância da educação tem sido preocupação "secular" de pensadores, argumento
da Ilustração, cujas teses foram aceitas pelo mundo latinoamericano. A
expectativa é que população mais educada possa atuar com níveis de tolerância e
convivialidade maiores, agregada a uma maior produtividade e competitividade em
relação às demandas dos mercados. Os projetos acima, com origem fortemente
atada à modernidade, particularmente a universalização e expansão da educação,
acabam abonados pelo modelo capitalista. Ademais, as contradições permanecem
agudas no campo da educação: os pobres estão na escola; o analfabetismo continua
com dimensões alarmantes, com acentuadas desvantagens das mulheres, das
mulheres indígenas; e acentua-se o que o autor chama de "analfabetismo cibernético".
Avançando, Torres problematiza a relação Estado
e educação. Passando pela história da América Latina, aborda a marcante
influência e presença do estado liberal, originado das revoluções burguesas
européias e norteamericana, modelo liberal este que "prevalece desde mediados/fines del siglo pasado hasta la crisis de 1929...".
Torres admite que "la unidad
e diversidad de experiencias educativas en la región son el moto de esta
conversación sobre grandezas y miserias en la educación latinoamericana en el
siglo XX." Relativamente à expansão e às crises da educação na
América Latina, em especial no final do século XX, Torres lembra que as altas
taxas de crescimento da educação estiveram acompanhadas por taxas elevadas de
repetência e evasão. Torres tem especial dedicação à fundamentação teórica do
processo de formulação de políticas educativas, bem como sua crítica.
Preocupa-se, em síntese, com as teorias que, de alguma forma, tiveram impacto
na prática e no pensamento pedagógico latinoamericano. A partir do texto "História das Idéias Pedagógicas" de Moacir Gadotti, Torres lembra
influências, na constituição do projeto pedagógico latinoamericano, desde
Rousseau, Pestalozzi, Herbart, revelando o ecletismo de pensamentos filosóficos
e pedagógicos. O positivismo e a teoria do capital humano, da mesma forma, são
destacados por Torres como elementos teóricos importantes para compreender o
mundo da educação latinoamericana. A quebra que é produzida por Dewey, na constituição da escola nova, com acentuada mudança na
relação professor-aluno, com destaque aos conceitos de experiência e atividades dos educandos, é destacada por Torres, com
a particular participação de Anísio Teixeira e Freire. Particularmente em
relação a Freire, Torres dedica uma parte para analisar sua presença no mundo
da educação latinoamericana. Tomando como referência principal suas próprias
reflexões acerca da teoria freireana, Torres toma a obra de Freire não a partir
do destaque metodológico ou pedagógico, mas político. Sem advogar a favor de
comportamentos basistas, Torres
destaca que Freire toma, como central ao processo de formação das pessoas, o
mundo vivido, ou seja, o "conhecimento
anterior" ao ingresso em processos formativos; afirma que a teoria
freireana, enquanto um "ideário
pedagógico, vinculado a la noción de revolución cultural de los sesenta, es un
modelo diametralmente opuesto a la agenda predominante neoliberal en la
educaión latinoamericana", agenda neoliberal esta que se qualifica
como estratégia para a privatização da educação e redução dos gastos públicos,
com a forte intenção de despolitizar "las
prácticas regulatorias del estado". Em síntese, Torres advoga que o
impacto dos processos de globalização tem estado presente na formulação das
políticas de educação da América Latina através de três aspectos, conceituados
pelo autor: (1) os níveis de financiamento da educação, (2) a relação entre
educação e trabalho e (3) o acentuado crescimento dos modelos de produção por
excelência acadêmica. Finalmente, Torres, lembrando crises que cercam a
educação latinoamericana - como "cuál
es el sujeto pedagógico a educar" -, propõe que repensemos a "utopía educativa", incorporando,
curricularmente, conceitos como diferença,
para que se possa ultrapassar limites impostos pelo positivismo pedagógico.
Tomando a noção de opressão que
universalizou o pensamento freireano, é possível reconsiderar as tarefas do
Estado na educação, propondo, assim, repensar a noção de poder e, logo, de
conhecimento, quando democracia e cidadania ganham centralidade.