MITOLOGIA GRECO-ROMANA

 

                     REDE DO SABER- LER E VIVER E

TECENDO LEITURAS

 

 

PROJETO DE LEITURA- SEQÜÊNCIA DIDÁTICA

                                                O AMOR 
ATRAVÉS DOS TEMPOS
 

 

 

 

 AUTORA: DEBORAH ADRIANA TONINI MARTINI CESAR

 

 

O amor é paciente, é benigno, o amor não se arde em ciúmes,não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.O amor jamais acaba...

1 Coríntios13:4-8a

INTRODUÇÃO

O público-alvo escolhido para o desenvolvimento do projeto são alunos da 7ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Esta faixa etária foi escolhida porque nela os adolescentes têm grande interesse por tudo o que se relaciona ao amor de uma forma geral. Eles também têm em comum o interesse por gêneros não escolares como o teste, as cruzadinhas, artigos de revistas para jovens dentre outros, além de apreciarem músicas e filmes.

            Além do interesse em relação ao tema, procurou-se usar esses gêneros mais populares, ligando-os a textos literários clássicos como são as histórias da mitologia grega, que têm muita ligação com as situações comuns nos relacionamentos amorosos atuais, mas tratadas de uma maneira muito interessante. Através das músicas, também  foi possível perceber que alguns conceitos relacionados ao amor perduraram mesmo com o passar dos tempos, enquanto outros, mudaram-se completamente.

             Outro aspecto importante é promover uma abertura para a discussão sobre os relacionamentos amorosos, criando a oportunidade de observar mais criticamente questões relativas ao amor, se é que se pode racionalizar esse sentimento.

OBJETIVOS

            O objetivo norteador do projeto foi realmente criar vínculos entre leitor e literatura, além de oferecer aos alunos uma ampla gama de leituras, diversos gêneros e materiais, criando ligações entre  essas leituras.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

            As seqüências didáticas observaram uma estrutura básica que divide cada etapa em três momentos: o antes, o durante e o depois.O número de aulas previsto para o desenvolvimento é de vinte e cinco. No momento que antecedia a leitura dos textos, procurou-se utilizar estratégias que permitissem a mobilização e disponibilização dos conhecimentos prévios. As músicas ajudaram muito nesse aspecto, na medida em que permitiam algum tipo de antecipação temática. No terceiro momento, as antecipações eram confirmadas ou descartadas e os alunos também podiam interagir criticamente com as idéias apresentadas no texto. O momento após a leitura também foi utilizado para a produção dos alunos que criavam textos ou produziam algum trabalho específico.

                                

                          AULAS 1 a 3- MITO E MITOLOGIA

 

 

 

 

MATERIAL

MITOLOGIA VIVA DE VICTOR D. SALIS -Prometeu e Pandora- As quatro eras cósmicas e a origem do masculino e feminino- um mito belo e exemplar

Mitos Gregos de Paulo Sérgio Vasconcellos

 

ANTES DA LEITURA

@     Alguém sabe o significado da  palavra Mitologia? 

@     Para que serve um mito?O que ele representa? 

@     Dê exemplos de mitos que você conhece. 



LEITURA

@     Leitura compartilhada dos textos selecionados

APÓS A LEITURA

@     Sobre o que trata o mito de Prometeu e Pandora?

@     Há alguma semelhança com a história de Adão e Eva segundo o livro de Gênesis? (considerando que essa informação já seja de conhecimento dos alunos)

 

ATIVIDADE

@     Elaboração de um dicionário da Mitologia, que deve ser construído coletivamente visando Explorar o conhecimento das divindades e o papel  que exercem dentro do contexto em que estavam inseridas. O dicionário deve ser montado em um painel para que todos tenham acesso ao material.

 

AULAS 4 e 5- EXAGEROS DE AMOR

 

MATERIAL:

CONTO DA MITOLOGIA GREGA ORFEU E EURÍDICE

LETRA E MÚSICA EXAGERADO DE CAZUZA

 

PERGUNTAS ANTES DA MÚSICA

@     Vocês já assistiram programas do tipo Loucuras de Amor? Lembram-se de que tipos de loucuras fazem os apaixonados para demonstrarem seu amor? Qual loucura vocês acharam a mais louca?

@     Você faria ou já fez alguma loucura para provar seu amor à pessoa amada? O que fez ou faria?

 

EXECUTA-SE A MÚSICA EXAGERADO

DEPOIS DA MÚSICA

@     Você acha o título da música adequado? Por quê?

@     Que partes da música ficam mais evidentes os exageros?

@     Vocês sabem o que significa Hipérbole?

@     Das provas de amor da música o que você faria? O que jamais faria?

@     Tudo o que se fala quando se está apaixonado é digno de crédito? Por quê?

@     Você já ouviu alguém falar que iria até o inferno por amar? O que você acha dessa afirmação?

 

PROPOSTA DE LEITURA

@     Que tal lermos a história do casal Orfeu e Eurídice, da Mitologia grega?

@     Alguém já conhece esse conto?

 

APÓS A LEITURA

@     O que você achou do conto?que parte mais gostou?Que parte não gostou?Você faria à pessoa amada o mesmo que Orfeu por Eurídice?

 

AULAS 6 E 7- AMOR ETERNO

 

MATERIAL:

CONTO DA MITOLOGIA GREGA ECO E NARCISO

LETRA E MÚSICA EU SEI QUE VOU TE AMAR

 

PERGUNTAS ANTES DA MÚSICA

@     Vocês acreditam em amor eterno? Por quê?

@     O amor pode acabar? Por quê?

@     Quem já deixou de amar alguém? Qual foi o motivo?

 

TOCA-SE A MÚSICA EU SEI QUE VOU TE AMAR

@     Pode-se oferecer uma letra a cada aluno para que acompanhem.

 

ANTES DA LEITURA

@     Você acha que uma pessoa pode se anular por amor?

@     Que tipo de comportamento indesejável pode acabar com o amor?

@     Que característica de personalidade pode minar o amor?

@     Beleza é fundamental?

 

PROPOSTA DE LEITURA

@     Ler ECO E NARCISO da Mitologia grega?

APÓS A LEITURA

@     Por que você acha que ECO não chamou a atenção de Narciso

ATIVIDADE

@     Em duplas, reescrever um dos dois  contos da mitologia, ou

@     Re-criar a história de ECO e NARCISO, criando um final diferente para ela.

AULAS 8 A 11- NAMORAR OU FICAR?

 MATERIAL

CRUZADINHA PARA ESTUDO DE VOCABULÁRIO

CÓPIA DO TEXTO VERTUNO E POMONA DO LIVRO OS 100 MELHORES CONTOS DA MITOLOGIA

NAMORAR OU FICAR? ARTIGO DE  COMPORTAMENTO DA RECREARE

Xote das Meninas Composição: Luís Gonzaga e Zé Dantas

crônica do amor- arnaldo jabor

 

perguntas antes da música

@     Vocês concordam com o que dizem a respeito da juventude dos dias de hoje, que são mais namoradores do que os jovens de antigamente?

 

EXECUTA-SE A MÚSICA

@     Oferece-se uma cópia da letra da música Xote das Meninas de Luis Gonzaga e José Dantas, para que, se quiserem possam cantar junto.

 

DEPOIS DA MÚSICA

@     Quem são mais namoradores? Meninos ou meninas?

@     Qual a opinião de vocês em relação à questão de namorar ou ficar? Quais as vantagens ou desvantagens?

@     Fazer um levantamento quanto à preferência da turma, meninos e meninas, separadamente, e representar em forma de gráfico de pizza.

 

LEITURAS:

Dividir a classe em grupos e oferecer em quantidades proporcionais os textos:

NAMORAR OU FICAR? ARTIGO DE  COMPORTAMENTO DA RECREARE

@     Ficar ou namorar: o que os jovens preferem? (Recreare maio de 2004)

@     Comparar os dados da pesquisa com os obtidos na pesquisa com a turma.

@     Abrir discussão sobre esse comportamento.

CRÔNICA DO AMOR- ARNALDO JABOR

@     Fazer comentários sobre o seguintes aspecto: O amor não escolhe.

@     Discutir esse assunto com a turma, procurando ligar com a temática constante no texto namorar ou ficar.

 

ESTUDO DE VOCABULÁRIO

@     Oferecer à turma dicionários e a cruzadinha para estudo do vocabulário do texto VERTUNO E  POMONA.

@     Formar grupos.

 

LEITURA DO TEXTO

@     Entregar a cada equipe uma cópia do texto VERTUNO E POMONA. Faz-se leitura compartilhada.

@     Perguntar a turma se o estudo prévio de vocabulário feito a partir da cruzadinha favoreceu a compreensão do texto.

@     Reconstruir oralmente a narrativa com a colaboração de todos os grupos.

 

APÓS A LEITURA

@     Vocês acham que o que Vertuno sentia em relação a Pomona era amor ou atração? Por quê?

@     Em que aspecto esse texto se relaciona com a discussão sobre namorar ou ficar?

@     Depois da leitura desse texto, vocês concordam com a idéia existente no texto CRÔNICA DO AMOR de que o amor não escolhe quem.

@     Por que Pomona não quis o sátiro?

@     Qual o tipo de relacionamento entre Vertuno e Pomona?

 AULAS 11 A 18- TRÓIA- O AMOR ÀS ÚLTIMAS CONSEQÜÊNCIAS

MATERIAL

TEXTOS:

HELENA DE TRÓIA E PÁRIS ALEXANDRE DO LIVRO MITOLOGIA VIVA- APRENDENDO COM OS DEUSES A ARTE DE VIVER E AMAR;O NASCIMENTO DE PÁRIS – AS MELHORES HISTÓRIAS DA MITOLOGIA GREGA;O POMO DA DISCÓRDIA- AS MELHORES HISTÓRIAS DA MITOLOGIA GREGA;O RAPTO DE HELENA- AS MELHORES HISTÓRIAS DA MITOLOGIA GREGA

OUTROS

TRÓIA- FILME ; EDUARDO E MÔNICA- MÚSICA

ANTES DA LEITURA

@     Perguntar aos alunos se conhecem as expressões: “calcanhar de Aquiles” e “Pomo da Discórdia” e o que elas significam;

@     Conhecem a origem de tais expressões?(não se deve oferecer as respostas, caso não as saibam)

@     Por que foi dado o nome de CAVALO DE TRÓIA a determinados tipos de spywares?

 

LEITURA DOS TEXTOS

@     Dividir a turma em quatro equipes que deverão ler cada uma, um dos textos selecionados para esta etapa.

 

APÓS A LEITURA

@     Pedir aos alunos que expliquem as expressões populares questionadas antes da leitura tomando os textos por base.

@     Cada equipe deverá re-narrar o que leram ao restante da classe, nesta seqüência: O Nascimento de Paris, O Pomo da Discórdia , O Rapto de Helena e Helena de Tróia e Paris Alexandre.

 

@     Deve-se procurar estabelecer uma seqüência entre as histórias lidas.

 

ANTES DO FILME

Solicitar aos alunos que pesquisem sobre os seguintes assuntos, mantendo a divisão dos grupos da atividade anterior. É interessante que busquem a ajuda do professor de História :

@     Há evidências da existência real da cidade de Tróia?

@     A batalha entre Gregos e Troianos foi realidade ou é ficção?

@     O motivo da guerra entre Gregos e Troianos foi realmente o rapto de Helena?

@     Localizar no mapa os locais onde transcorre a história.

Fazer o teste sobre o tipo de amante que cada um é, no site: www.istoe.com.br/planetaweb (ver teste em anexo)

MÚSICA:

@     Executar a música e questionar os alunos a respeito da existência de uma racionalidade no amor.

 

APÓS O FILME

@     O filme é fiel a história, segundo os textos que vocês leram? Quais diferenças?

@     Os personagens são semelhantes aos imaginados por vocês durante a leitura?

@     Qual foi o principal motivo, segundo o filme, da guerra ter acontecido?

@     Você agiria como Paris, levando seu amor às últimas conseqüências? O aluno deve, após dar sua resposta, considerar o resultado de seu teste. O teste tem a ver com seu jeito de ser?

 

SINOPSE

@     Oferecer à turma orientações para o desenvolvimento de uma sinopse;

@     Apresentar aos alunos sinopses de filmes diversos;

@     Pedir que em grupos de 4 alunos façam a sinopse do filme Tróia;

@     Expor em um painel externo as sinopses, ilustrações e fotos sobre o filme.

ATIVIDADES

 

@     Nesta etapa final do projeto, os alunos terão a oportunidade de fazer apresentações que darão ainda mais relevância ao projeto. Deverão ser formadas equipes que optarão por desenvolver cada uma delas, uma das seguintes atividades propostas:

 

@     Apresentação  de leitura dramatizada ou de peça teatral baseada em mitos que tenham ligação com o tema central do projeto, a saber, o amor.

 

@     Elaboração de um painel que tenha por base o poema BALADA DE AMOR ATRAVÉS DAS IDADES de Carlos Drummond de Andrade. Neste painel deverão constar histórias de pares românticos em diferentes épocas, incluindo casais famosos constantemente noticiados pela mídia ou mesmo personagens que se destacaram nas novelas. Sempre que possível, essa equipe deverá ligar os casos mais recentes aos mais antigos, ou aos mitos,conforme semelhanças.

 

@     Elaborar um painel com ilustrações, pinturas, fotos, desenhos de casais se beijando. No centro do painel, deverá estar a foto da obra O Beijo de Auguste Rodin.

 

@     Esses trabalhos serão expostos e apresentados para o restante da escola.

 

@     Terminando as atividades, será feita uma mesa redonda, momento no qual os alunos e o professor poderão fazer considerações sobre o projeto, os erros, os acertos, as sugestões para aperfeiçoamento do mesmo.

 

CONCLUSÃO

 

 

               O projeto, aplicado em diferentes escolas, a saber: E. E. Leonice de Aquino Oliveira, E.E. João Ortiz, E.E.Antonio Florentino, conseguiu alcançar bons resultados. O uso de textos e músicas populares foi decisivo para o sucesso do projeto. As atividades variadas chamaram a atenção dos alunos que, mesmo após a finalização do projeto, continuaram a ler histórias da mitologia grega.

               Pudemos contar com a valiosa participação dos professores de História e que acrescentaram informações relevantes para o desenvolvimento do projeto. Essa é uma importante conquista, uma vez que o trabalho interdisciplinar encontra certas dificuldades para ser implantado. Inserir um assunto dentro de um projeto de outro professor, exige, no mínimo, muita boa vontade por parte de nossos colegas.

               Usar o teatro como forma de expressão da turma em relação ao que tinham aprendido foi muito valiosa.Optamos por apresentar os contos de uma maneira  que pudéssemos atingir um número significativo de alunos.A proposta foi que cada sala tivesse oportunidade de escolher como faria.Além  da apresentação do teatro houve a dramatização e o seminário.  O resultado  foi excelente.Houve envolvimento de todo o período já que as apresentações foram feitas nos palcos das escolas.Vários alunos descobriram que são capazes de extrapolar sua criatividade indo muito além do que costumam produzir.Alguns, foram atores, outro,s cenógrafos, e coreógrafos. 

               Como o teatro é bastante chamativo, outras turmas que não faziam parte do projeto também foram beneficiadas, conhecendo algumas histórias da mitologia grega, aumentando sua procura na biblioteca escolar. Os painéis também trouxeram informações para toda a escola.

               Desenvolver e aplicar o projeto O Amor Através dos Tempos foi muito trabalhoso, mas igualmente gratificante tanto para os professores participantes como para os alunos envolvidos no trabalho.

 

BIBLIOGRAFIA




                                  

 

 

FRANCHINI, SEGANFREDO.As 100 Melhores Histórias da Mitologia. Ed.

LP&M. 6ed.pnld 2005

 

SALIS,V.D.Mitologia Viva- Aprendendo com os deuses a arte de viver e amar.São

Paulo: Nova Alexandria,2004- PNLD 2004

 

BRASIL,F.Mitologia Grega- Um convite à curiosidade. Artigo in: www.lendoeaprendendo.sp.gov.br

 

SITES:

www.mundodosfilososfos.com

www.lunaeamigos.com.br/mitologia/orfeu.htm

www.páginas.terra.com.br/saude/oconsultorio1/orfeu.htm

www.geocities.com/wellesley/atrium/4846/orfeu.htm

www.greciantiga.org

www.mundodemerlin.pro.br

geocities.yahoo.com.br/oportaldehermes

www.felipex.com.br/contos

 

Orientações didáticas do TECENDO LEITURAS 2005

www.lendoeaprendendo.sp.gov.br

 

 

 
 
 	 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


               

 

 

 

 

 

 
EXAGERADO- CAZUZA

 

Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade

Paixão cruel desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas mancadas

Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar

E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais


Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais

Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado
Eu adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

 

 

 

 

Xote das Meninas

Composição: Luís Gonzaga e Zé Dantas

 

 

 

Mandacaru quando fulorá na seca
É um sinal que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjôa da boneca
É sinal de que o amor já chegou no coração
Meia comprida não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado não quer mais vestir gibão

Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar

De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando sonhando acordada
O pai leva ao doutor a filha adoentada
Não come nem estuda não dorme nem quer nada

Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar

Mas o doutor nem examina
Chamando o pai do lado
Lhe diz logo em sur
dina
Que o mal é da idade
E que pra tal menina
Não há um só remédio
Em toda medicina

Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar


EDUARDO E MÔNICA

 

 

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas

pelo coração

E quem irá dizer que não existe razão

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar

Ficou deitado e viu que horas eram

Enquanto Mônica tomava um conhaque noutro canto da cidade

como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer

E conversaram muito mesmo para tentar se conhecer

Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse

- Tem uma festa legal, a gente quer se divertir

Festa estranha com gente esquisita

- Eu não tô legal, não aguento mais birita

E a Mônica riu e quis saber um pouco mais

Sobre o boyzinho que tentava impressionar

E o Eduardo meio tonto só pensava em ir para casa

- É quase duas, eu vou me ferrar

Eduardo e Mônica trocaram telefone, depois telefonaram

E decidiram se encontrar

O Eduardo sugeriu uma lanchonete

Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram, então, no parque da cidade

A Mônica de moto e o Eduardo de camelo

O Eduardo achou estranho e melhor não comentar

Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos

Ela era de leão e ele tinha dezesseis

Ela fazia medicina e falava alemão

E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus



 

 

De Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud

E o Eduardo gostava de novela e jogava futebol de botão

com seu avô

Ela falava coisas sobre o planalto central, também

magia e meditação

E o Eduardo ainda estava no esquema

escola-cinema-clube-televisão

E mesmo com tudo diferente veio mesmo de repente uma vontade de se ver

E os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia como tinha que ser

Eduardo e Mônica fizeram natação,

fotografia, teatro e artesanato e foram viajar

A Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar

E ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos muitas vezes depois

E todo mundo diz que ele completa ela

E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa uns 2 anos atrás

Mais ou menos quando os gêmeos vieram

Batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram para Brasília

E a nossa amizade dá saudade no verão

Só que nessas férias não vão viajar

Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração

E quem irá dizer que não existe razão.
 

VERTUNO E POMONA 

 


Pistas da cruzadinha para estudo de vocabulário

 

HORIZONTAIS

2. PAQUERADORES
5. TÉDIO
6. INTRODUZIR UMA PARTE DE UM VEGETAL EM OUTRO
7. ENTEDIADO
11. MANHA, ASTÚCIA, PLANOS
15. SEMIDEUS, MEIO HOMEM, MEIO BODE
17. VELHA
18. PROVIDO, ABASTECIDO
VERTICAIS

1. INTROMETIDA
3. GROSSEIROS, IGNORANTES
4. DIRIGIA
6. MUITO ENRUGADA
8. ÍMPETO, PAIXÃO
9. QUE CORTA E COLHE
10. DIVINDADES DOS BOSQUES
12. AMÁVEL
13. PLANTAÇÕES DE ÁRVORES
14. CONCENTRADA EM SEUS PENSAMENTOS
16. MACIOS, VIÇOSOS, DELICADOS

 

Foi utilizado o software criss-cross puzzle do site www.puzzlemaker.com para a construção da cruzadinha
 

Como resolver

As palavras que respondem a cruzadinha estão destacadas no texto. Procure compreender a equivalência de significado observando o contexto da frase em que a palavra está inserida. Uma boa ginástica mental para você!

VERTUNO E POMONA

 

Pomona era uma deusa que presidia a floração dos frutos, e seu maior prazer era fazer a guarda e proteger as árvores frutíferas. Seu bosque, no entanto, vivia fechado à entrada de seus incansáveis cortejadores – na sua maioria faunos e sátiros que , tomados pela mais ardente paixão, queriam por todo modo possuí-la. De fato, alimentada pelos mais tenros frutos, a deusa dos pomares tinha um corpo invejável  e uma pele perfeita. Julgando-se em segurança, andava só por entre os troncos das suas adoradas árvores, o que fazia excitar ainda mais o desejo dos seus pretendentes.

Dentre todos, o mais apaixonado, sem dúvida alguma, era Vertuno, o deus cujas atribuições mais se assemelhavam às da bela deusa: Vertuno era o deus protetor dos frutos e dos legumes.

_Nós temos tudo em comum- dizia ele a si mesmo, sem conseguir compreender porque a deusa fugia dele.

Mas Pomona não queria, definitivamente, saber de amores. E como parecia ter mais possibilidade de vencer a sua resistência, era justamente dele que a deusa fugia com mais ardor. Vertuno, porém. Era mestre em disfarces e, por diversas vezes, apresentou-se diante da deusa, mas esta estava sempre ocupada em podar ou fazer algum enxerto nas árvores. Certa vez apareceu como um ceifador, pôs no chão a foice e sentou-se aos pés de Pomona, que permaneceu absorta, totalmente envolvida com sua tesoura a cortar os galhos e a retirar os fungos acumulados, sem lhe dar a mínima atenção.

_Suas árvores estão cada vez mais belas- disse-lhe o deus sem arrancar dela nenhuma expressão. Com os braços erguidos, ela prosseguia sua tarefa.

Noutra ocasião, Vertuno apareceu como um pescador, num disfarce infeliz. A deusa não queria nada com pescadores e detestava esta atividade, chegando mesmo a expulsa-lo de sua presença, com um ar enfastiado. Outra vez, surgiu ,munido de uma escada, com um longo bigode de colhedor de maças. Aproximando-se da deusa, que tentava inutilmente alcançar um dos frutos para colocar na cesta, ele lhe disse:

_Deixe que eu as alcanço para você!

Colocando a escada encostada ao tronco , Vertuno começou a escalar os degraus, quando sentiu a mão cálida da deusa tomar-lhe o pulso.

_Deixe que eu mesma o faço- disse ela, subindo degrau por degrau até alcançar os frutos mais distantes.

Depois de arrancar dos galhos as maçãs, ia jogando-as uma a uma a Vertuno, que, no chão , as ia recebendo. A maioria das frutas, porém, o acertava em cheio na cabeça, arrancando-lhes breves gritos de dor.

_O que há com você, afinal? Não está enxergando direito? Reclamava a deusa, impaciente. _Veja, está estragando todos os meus frutos!

Se Vertuno, no entanto, tinha alguma coisa em bom estado naquele momento, era justamente a visão: cobiçava ardentemente as perfeitas formas de Pomona.

_Tome, leve de volta a sua escada. _ disse a deusa, ao perceber finalmente as  intenções de Vertuno.

Quanto mais Vertuno persistia em seus estratagemas, mais a deusa permanecia irredutível terminando sempre por expulsá-lo de seu bosque sagrado, com maior ou menor delicadeza.

As coisas estavam nesse pé quando, um dia uma velha encarquilhada apareceu diante de Pomona. Estava extremamente quente,e Pomona estava mais à vontade. Um suor delicado como o orvalho brotava  de sua pele clara; na ponta dos pés, a deusa tentava alcançar um galho mais alto, deixando à mostra as axilas , que uma minúscula penugem dourada protegia. O que nas mulheres comuns poderia parecer um desleixo, na encantadora deusa era, porém, um atributo a mais para sua beleza.

A velha _ que outro não era senão o próprio Vertuno _ aproximou-se lentamente, mancando em seu passo senil. Quando chegou aos pés da  deusa, sentou-se, enquanto a observava entregar-se à sua tarefa. Após algum tempo, Pomona, finalmente, acordou para a presença da intrusa.

_Bom dia, senhora _ disse a deusa, estendendo a mão , de modo afável.

_Bom dia, bela jovem! _ respondeu a velha, dando um beijo na deusa, que recuou um pouco, de modo instintivo, diante daquele gesto inesperado e surpreendente.

Pomona estava podando uma vinha, e Vertuno aproveitou a ocasião para fazer uma comparação  que em tudo servia aos seus objetivos:

_Certamente _ respondeu a deusa.

_Por que não lhe segue o exemplo?

_ Como assim?

­Bem, a vinha não cresce jamais se não puder enroscar-se a um tronco forte e viril. Estive observando você desde muito tempo e percebi que foge de todos os seres que buscam unir-se a você.

_ Ora, são todos uns boçais! _ exclamou Pomona, lançando para trás os cabelos e retomando sua tarefa.

_Talvez nem todos sejam disse Vertuno, acariciando as costas da deusa com sua mão enrugada, o que renovou o espanto da moça.

_Senhora, que modos são esses?disse Pomona com um sorriso, tentando mostrar de modo gentil e descontraído sua insatisfação com aquelas pequenas e desconfortáveis intimidades.

Existe alguém que está muito acima de todos os seus outros pretendentes _ disse Vertuno, sob o disfarce da velha, ignorando a advertência da deusa. _ Você sabe quem é, e somente ele merece  o seu amor.

_ Já sei, já sei, que a senhora refere-se ao importuno Vertuno _disse Pomona com ar de enfado.

_Sim, é ele mesmo. Ninguém,mais lhe poderá fazer feliz, pois ninguém a ama mais do que ele! _ insistiu a velha, abraçando o corpo que tinha à sua frente, num transporte de desejo que encheu  de assombro a deusa dos pomares.

_ Agora, chega! _ esbravejou Pomona, afastando a velha descontrolada.

De repente, deu-se conta do que se passava:

_Então é você, novamente!

A velha lançou fora o véu que cobria sua cabeça e disse:

_Sim, sou eu, Pomona querida, e venho mais uma vez tentar obter o seu amor!

_ Por que não experimenta aparecer sob a sua própria forma, ao menos uma vez?

Às vezes as coisas óbvias não ocorrem, mesmo aos deuses.

Vertuno, sabendo que a deusa não tinha olhos para ninguém, procurara nas mais diversas formas convencer a sua amada, sem dar-se conta de que talvez conseguisse seu objetivo se aparecesse diante dela como realmente era. Desfazendo-se de seu disfarce, Vertuno surgiu diante da moça, em sua forma esplendorosa. Pomona, acostumada ao assédio dos faunos e do horrível deus Pã, ficou deslumbrada com sua beleza. Ele aproximou-se, então, da dócil Pomona e a cobriu de beijos, que foram generosamente retribuídos.

 

Do livro: As 100 Melhores Histórias da Mitologia de A. S.Franchini/ Carmen Seganfredo. Ed. L&PM- PNLD 2005. p.139.

 

 

 


 
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