14/06/01 - Eu, Porto teu

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Posso ser um cidadão do mundo

Posso até querer ser livre

Como todos nós pensamos assim

Mas sempre que penso, vejo, sinto

O granito ataca-me

Frio, gélido

Lembrando-me do meu lugar em mim!

 

A minha voz denuncia-me,

Pois tudo aquilo que sou

Tudo o que poderei ser, em parte,

E talvez sem sentido de arte,

Apenas é uma metáfora;

Não que eu diga: Isto te dou...

Mas acabo sendo sempre uma corrida

Do rio p'ró mar...

 

E a cada gota que sorvo 

Apenas espero que não seja a última 

Pois se a vida me escapar,

Se o céu e a terra trocarem de lugar,

Não estarei cá para me recordar

Da dor de não sentir a minha vida ganhar

As asas que me faltam para me conseguir perdoar.

 

E ando eu... descendo calçadas

Dobrando esquinas... gente dura,

Gente simples, gente a quem parece

Que a vida tem maior aceleração gravítica;

Carregando nos seus sacos e mochilas

Todas as suas preocupações solitárias.

 

Na noite os carros passam apressados...

Inconscientes, despreocupados, embriagados;

Exorcismos da vidinha de merda;

De subir degrau a degrau,

Do plantar uma árvore e vê-la arder,

Do construir para depois não ficar

Pedra sobre pedra

Que tanto custou a carregar...

 

É madrugada, 5 da matina;

Apenas a Bandoma mexe

Por entre o nevoeiro, 

Rasgado pelos faróis

De um ou outro carro...

Dormem aqueles que foram esquecidos

Pelo granito, pela voz...

Tendo sempre a sensação de estarem sempre sós...

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