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Posso ser um cidadão do mundo Posso até querer ser livre Como todos nós pensamos assim Mas sempre que penso, vejo, sinto O granito ataca-me Frio, gélido Lembrando-me do meu lugar em mim!
A minha voz denuncia-me, Pois tudo aquilo que sou Tudo o que poderei ser, em parte, E talvez sem sentido de arte, Apenas é uma metáfora; Não que eu diga: Isto te dou... Mas acabo sendo sempre uma corrida Do rio p'ró mar...
E a cada gota que sorvo Apenas espero que não seja a última Pois se a vida me escapar, Se o céu e a terra trocarem de lugar, Não estarei cá para me recordar Da dor de não sentir a minha vida ganhar As asas que me faltam para me conseguir perdoar.
E ando eu... descendo calçadas Dobrando esquinas... gente dura, Gente simples, gente a quem parece Que a vida tem maior aceleração gravítica; Carregando nos seus sacos e mochilas Todas as suas preocupações solitárias.
Na noite os carros passam apressados... Inconscientes, despreocupados, embriagados; Exorcismos da vidinha de merda; De subir degrau a degrau, Do plantar uma árvore e vê-la arder, Do construir para depois não ficar Pedra sobre pedra Que tanto custou a carregar...
É madrugada, 5 da matina; Apenas a Bandoma mexe Por entre o nevoeiro, Rasgado pelos faróis De um ou outro carro... Dormem aqueles que foram esquecidos Pelo granito, pela voz... Tendo sempre a sensação de estarem sempre sós...
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