Diário de Bordo
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8 de Agosto de 2000
23:43 -Playa de Rondillo - Espanha
Business as usual. Acordámos tarde, não conseguímos chegar a Ribadesella...
Almoçámos em Gijon destoando numa
"práia" de relva llena de chicas guapas! O camping
onde nós estamos não é mau...segue a linha do da noite
anterior "las gaviotas", aquela linha do pessoal que
curte viver em parques de campismo. Não há tendas nem roulotes.
Há residenciais. É claro, com avançados em aluminio, estilo
marquise...O Martin deu um dos seus grandes shows
intestino-pneumáticos enquanto montava a sua tenda monolugar
xpto. O Martin sabe dar show como ninguém...
Jantámos um pratão de Callamares a la Romana, regadissimos com as habituais claras de meio litro, enquanto discutíamos o trajecto de amanhã.
Hoje foi o último
dia que pedalámos com o papacito Martin. Amanhã ele segue para
Sul a caminho de Oviedo e dos Picos de Europa. Foi uma
experiência marcante pedalar e conviver com uma pessoa do nível
deste Homem. Reformado e antigo dono de um pequeno Hotel em
Inglaterra decidiu passar uns anitos (já um ano e meio) a
passear por Espanha, para ele o melhor país europeu. Escolheu a
bicicleta
porque é o único meio de transporte em que se é capaz de
sentir o odor, ouvir, observar as terras, lugares e paisagens de
um país. No entanto, quando descobre uma terra capaz de o
prender por mais uns tempos, não exita em telefonar à sua
namorada inglêsa, alugam um carro e partem à descoberta! Hoje
por causa desse telefonema, apanhou uma molha dentro de uma
cabine oferecida pelo Natham...demais...
O dia de hoje foi puxadito com umas súbidas bem íngremes a seguir a Gijon. Estava um calor descomunal e o que nos valeu foi uma fonte de água fresquíssima no meio de um bosque numa das inumeras súbidas. Claro que o que sobe tem que descer, por isso curtimos à grande as descidas ultra velozes, que nos permitiram deixar estupefactos os pobres condutores que as faziam. Numa estrada sinuosa de montanha, uma bicicleta, ainda por cima com o peso das nossas, atinje velocidades muito regulares da ordem dos 50Km/h o que permite ultrapassar em curva tranquilamente, enquanto os carros, com o seu peso e dimensão, têm que abrandar.
Dados do dia
Velocidade Máxima: 52,6 Km/h
Distância Percorrida: 81,04 Km
Velocidade Média: 15,98Km/h
Tempo Efectivo a Pedalar: 5h 04m 17s
Total da viagem: 458Km
9 de Agosto de 2000
1:44 am -Ribadesella - Espanha
Finalmente chegámos a Ribasesella! Já estamos reduzidos a três elementos. O papacito está neste momento perdido, algures num qualquer bar de tapas de Oviedo, a digitar as suas memórias.

Fizemos pouquissimos quilómetros. Optámos por passar por cá o dia, o que foi óptimo porque fizemos praia, que faz bem aos músculos.
A praia é boa. Não tem nada a vêr com as do Algarve nem com as da costa atlântica. Estamos no Mar Cantábrico e aqui o sol está por trás de nós e o mar à frente, o que não deixa de ser uma situação esquisita. A água não é lá muito quente, mas suponho que faça bem às pernas. Nadámos um bocado, comemos uns gelados ao preço de um menu del dia e passámos a tarde a apanhar sol e a falar da terra do Nathan.
Escusado será dizer que ficámos cheios de vontade de lá ir. Quem sabe se a nossa próxima aventura será na Austrália!
À noite fomos comer umas tapas ao centro da cidade, que é muito engraçada e tem uma movida intensa, com imensas cidrerías.
A
cidra é a bebida típica da região, e é um tipo de vinho feito
à base de maçã! A melhor maneira de se beber é oxidando a
cidra... Isso faz-se vertendo o precíoso liquido da maior
distância possível... Dá para imaginar chamar o empregado que
nos serve com um braço esticado bem acima da cabeça e o outro a
agarrar o copo a mais de um metro de distância (dependendo da
estatura do dito). Mas depois não se pense que é para ficar de
copo cheio a degustar! Bebe-se de imediato o mais depressa
possível! E é vêr-se toda a gente a espetar shots de cidra
pela noite fora! O máximo!

Claro que nós não quisémos destoar e a convite sentámo-nos na mesa de unas chicas que nos explicaram tudo sobre a arte de bem servir e beber cidra. Ficámos também a saber que a noite de hoje passa por uma fiesta em Cuerres...
Entretanto corremos todos os bares de cidra e de tapas de Ribadesella onde vímos inclusivamente o jogo do meu Sporting contra o Real Madrid já com a sua nova aquisição portuguesa (Figo), obviamente ganho pelos verdes... Entretanto acontece o impensável... E já não vamos para Cuerres! O Pedro cortou-se a uma boleia até à fiesta por duas chicas... Eu e o Nathan tamos chateados com o Pedro! No Cuerres tonite...
Assim acabámos por vir até ao parque retemperar as forças para amanhã. Esperamos chegar já amanhã a Santander. estamos a ficar com pouquissimo tempo. Provavelmente teremos que apanhar o Ferry para Inglaterra desde Bilbao ou até Santander. A este ritmo é impossivel embarcar em França, como estava previsto. Vamos saber os preços e logo se vê.
Dados do dia
Velocidade Máxima: 46,9 Km/h
Distância Percorrida: 41,26 Km
Velocidade Média: 15,58Km/h
Tempo Efectivo a Pedalar: 2h 38m 58s
Total da viagem: 499Km (quase meio milhar!)

10 de Agosto de 2000
16:00 -Llanes- Espanha
Estamos no combóio da FEVE para Santander. Almoçámos num restaurante ao lado da estação que parecia parado no tempo. Nada se mexia. De vez em quando saía o empregado por trás de uma porta basculante com o nosso pedido. Uma cena que se poderia têr passado em 1943. De certeza que tudo estava como está agora. Nem um piano vazio faltava. Decidimos apanhar o comboio porque não temos mais tempo e nos vai fazer bem o descanso.
Depois do almoço fomos dar uma volta pelo centro de
Llanes que é uma cidade com origem medieval. Na brincadeira
disse ao Nathan que o ladrilho de uma das janelas de uma velha
casa era mais velho que a descoberta da Austrália... Quando
íamos a descer uma ruela, ou melhor um vão de escadas, com a
bicicleta em cima do passeio à mão, eis que o meu suporte de
bagagens traseiro se solta! Por muita sorte estávamos a descer e
as consequências foram minimas. De qualquer maneira preciso de
têr cuidado com ele, a partir de agora. Por causa disso
atrasei-me a arranjá-lo e quase perdia o comboio. Para comprar
os bilhetes voltámos a usar o desconto do "cartão
jovem" Euro>26 mas o Nathan que não tem um tentou fazer
passar o cartão de identificação, da empresa em que trabalhava
na Austrália, como sendo de estudante... mas a senhora do
guiché não se deixou enganar...


Aqui vamos nós fazer uma pausa nas pedaladas. Confesso que sabe muito bem vêr passar a paisagem, sem sentir qualquer dor no corpo. Dez dias consecutivos a pedalar deixam móssas...

Provavelmente só volto a escrever quando saírmos de Santander, por isso os Dados do dia de hoje serão acumulados nessa altura com os dos dias em Santander.
o bilhete de Llanes para Santander...

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