sem valor
sobre a obsolescência da sociedade do trabalho e da mercadoria

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CONTRA O DESEMPREGO E A EXCLUSÃO! EXPLORAÇÃO IGUAL PARA TODOS!

Em 1844, Karl Marx, em sua Contribuição à crítica da Filosofia do Direito de Hegel, já dizia: "A última fase de uma formação histórico-mundana é a comédia". A comédia já aconteceu várias vezes na história. Houve épocas em que, com o aumento da população, a coletividade só podia sobreviver praticando o canibalismo. A comédia começou quando, mesmo após a caça sistemática ter provido a tribo de recursos suficientes, os feiticeiros continuaram a persuadir membros da tribo a serem devorados.

Hoje, estamos vivendo novamente uma era de comediantes. A moribunda sociedade do trabalho, ao tentar prolongar a sua existência, faz a paródia de si mesma. Quanto mais se torna evidente que o trabalho se torna supérfluo com o desenvolvimento das forças produtivas, especialmente após a microeletrônica, mais se tenta prolongar artificialmente a sua existência. Os feiticeiros de hoje – tanto faz se vestem a túnica neoliberal, social-democrata ou trotskista – cantam o mantra ao deus-trabalho: "empregos, empregos, empregos"! O trabalho é a antropofagia da modernidade.

Apesar de tudo, como somos bons asseclas, também queremos ter assento no espetáculo! Queremos trabalhar! Queremos trabalhar, por qualquer preço! Não tanto pelo dinheiro, mas pelo prestígio social, pela nossa auto-estima e confiança no futuro, e finalmente pela nossa liberdade, pois grandes sociólogos afirmaram antes de nós: "o trabalho liberta". Ficamos contentes com a promessa de Lula de criar dez milhões de empregos. Esta é a nossa contribuição para solucionar este grave problema social. Nossas propostas:

Sim! Para adorar o deus-trabalho, marcharíamos até Tóquio, descalços, em fila, em zigzag, três passos para a frente e dois para trás. No caminho, nos chicotearíamos mutuamente, e nos jogaríamos aos pés de todos os executivos engravatados que cruzássemos, gritando: "Piedade! Piedade!"

UNIÃO DOS SERVOS VOLUNTÁRIOS

(por Daniel Cunha, parcialmente inspirado em panfleto dos Desempregados Felizes, grupo de Berlim)

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