Que
são estes meus olhos
Que não choraram ainda?
E nem chorarão por flor nenhuma
Estes olhos meus são fortes
Como aquele que te guarda
Dentro dele... Selado como uma urna.
Que são estes meus olhos
Que ao verem-te, queimam
Como o fogo de uma locomotiva
Sem fazerem curvas, sempre e sempre...
Nos trilhos da paixão sem poder voltar
E sem saber onde irá parar.
São os olhos de um poeta cego
Que de tanto fitar o vazio
Alucina-me tua imagem em minha fronte
Que é o fruto amargo e áspero da desilusão
Onde não se digere em meu peito
Por causa desta flor com que me deito.
Danilo Rodrigues