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O desenvolvimento tecnol�gico desponta como a principal fronteira para a obten��o do melhor desempenho de diferentes procedimentos m�dicos. Hoje em dia, atrav�s dos diversos sistemas de informa��o dispon�veis e principalmente com o advento da Internet, o novo paradigma para as ci�ncias m�dicas �, sem d�vida, a telemedicina. Essa, em plena expans�o e apontando para os mais diversos fins vem alterar substancialmente a pr�pria forma��o, qualifica��o e o comportamento do profissional m�dico, que necessitar� em pouco tempo de uma capacita��o para utilizar os novos meios de comunica��o.
As experi�ncias atuais com telemedicina j� vislumbram os melhores progn�sticos para o uso dos muitos recursos tecnol�gicos para a pr�tica m�dica. A tend�ncia universal passa por um novo momento centrado na inform�tica aplicada, que j� traz vantagens para todo o corpo cl�nico de hospitais, centros de pesquisa, cl�nicas e consequentemente para o m�dico e paciente. Isso possibilita uma integra��o associada a uma interatividade de informa��es entre todos os profissionais de sa�de e o envolvimento com as novas tecnologias � imprescind�vel para se configurar at� mesmo um outro panorama para a medicina, que pode ser ainda mais qualificada e segura.
Al�m de possibilitar um acesso a pesquisas e qualquer outro tipo de informa��o m�dica com mais facilidade (bastando muitas vezes uma mera consulta � Internet), a aplica��o se faz de forma bastante pr�tica e objetivando um modelo distinto de se atuar em medicina. Um estreitamento com uma medicina baseada em evid�ncias alia prioridades com a telemedicina, que se far� cada vez mais presente abrangendo desde as condutas m�dicas at� o dia-a-dia dos pacientes.
O empirismo e as experi�ncias com o "achismo" j� se tornam pr�ticas m�dicas absolutamente superadas, j� que a disponibilidade das informa��es se faz de maneira "democr�tica" e as dist�ncias n�o ser�o problemas ou desafios intranspon�veis. A plausibilidade cient�fica e os crit�rios para se adotar os procedimentos ter�o uma conota��o bem mais ponderada e o sucesso da telemedicina s� depende da credibilidade e da aplica��o segura dos meios utilizados.
No Brasil, os projetos com telemedicina come�aram a ganhar maior notoriedade especialmente nos anos 90. A Rede SaraH Kubitschek de hospitais (SARAHOs), que conta hoje com hospitais em Bras�lia, Salvador (BA), S�o Luiz (MA), Belo Horizonte (MG) e Fortaleza(CE), come�ou a implantar desde 1992 um sistema de telemedicina para agilizar a troca de informa��es entre suas unidades. S�o periodicamente realizadas videoconfer�ncias englobando os v�rios hospitais a fim de capacitar todos os profissionais de sa�de para facilitar decis�es cl�nicas com mais rapidez. Reuni�es atrav�s de teleconfer�ncia tamb�m s�o feitas assim como discuss�es de casos de patologia, radiologia, histologia entre outras �reas. A sede gerencial de toda a telemedicina da rede SARAHOs fica em Bras�lia e h� perspectivas para amplia��o de todo o sistema, principalmente no que se refere � qualidade t�cnica e de diagn�sticos.
O Hospital S�rio- Liban�s de S�o Paulo tamb�m est� com um novo programa de telemedicina. Os investimentos nessa �rea s�o relevantes e uma parceria exclusiva com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova Iorque, j� foi feita para propiciar um maior interc�mbio m�dico internacional. A sala de teleconfer�ncia, inaugurada recentemente, proporciona servi�os de segunda opini�o e revis�o de material em diversas �reas. "A aplica��o da telemedicina resolver� um problema grave como o acesso a centros de refer�ncia. Aqui j� poderemos discutir casos com interatividade, melhorar a qualidade da medicina e at� reduzir custos", diz o Dr. Frederico Costa, coordenador do programa de telemedicina do Hospital S�rio-Liban�s. Para os pacientes, os servi�os de telemedicina s�o servi�os complementares, mas com a atual estrutura b�sica do hospital j� � poss�vel obter uma avalia��o em tempo real de um diagn�stico com profissionais do exterior.
At� mesmo exames de alta complexidade e procedimentos m�dicos precisos podem ser executados com a telemedicina desde que se possa dispor de recursos t�cnicos adequados. "O Brasil tem uma dificuldade de acesso � informa��o devido aos meios existentes at� hoje, por isso estamos visualizando tecnologias mais est�veis e seguras para comunica��o, mas acredito que num curto espa�o de tempo a telemedicina ser� amplamente difundida para o Pa�s", diz Costa.
A dificuldade de se dispor dos recursos tecnol�gicos no Brasil ainda � o maior problema enfrentado para a expans�o da telemedicina. Seja por telefone, sat�lite, onda de r�dio, v�deo entre outros meios, n�o h� ainda uma seguran�a que viabilize uma confiabilidade adequada frente � tecnologia de transmiss�o do contato.
No Hospital Albert Einstein, por exemplo, desde 1998 o projeto de telemedicina vem sendo objetivado de forma extensiva e marcado pelas dificuldades de transmiss�o dos dados � dist�ncia, por�m a fase piloto est� em andamento. "Precisamos ver a real dimens�o do mercado, do que podemos oferecer e nos certificarmos da qualidade dos servi�os prestados", diz o Dr. Fl�vio Murachovsky, vice-presidente da �rea de Tecnologia da Informa��o do hospital. A abrang�ncia do projeto � gerir um sistema pr�prio de telemedicina e que atenda as prioridades de todos envolvidos. Telemonitora��o, videoconfer�ncia e toda programa��o � dist�ncia esbo�am o projeto do hospital. "J� temos uma integra��o entre as unidades assim como a estrutura suficiente para executar muitos procedimentos com telemedicina, que � uma grande fonte de atendimento m�dico, mas que nunca substitui o contato face a face", diz Murachovsky.
Danilo Tovo
(Revista M�dico rep�rter/ n�mero 11/ dezembro de 1999)
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