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Tempo de exposição, tipo de ruído e intensidade (volume) são fatores que se relacionam aos ruídos urbanos, fenômeno que hoje chama muito a atenção devido às conseqüências que isso traz para a saúde. Muito mais que o estresse auditivo, esses ruídos representam ainda outras fontes de danos para nossa vida e abrangem desde distúrbios do sono até deficiências de atenção e concentração. É um dos mais relevantes problemas de saúde ambiental, especialmente para quem convive com isso em centros urbanos de todo o mundo, mas acima de tudo depende de controle efetivo para não causar tantos prejuízos para todas as pessoas e em qualquer faixa etária. No Brasil, existe legislação que dá diretrizes quanto aos ruídos urbanos e que estabelece criteriosos limites de tolerância à saúde para variados tipos de ambiente. As leis são dotadas de suporte técnico especializado, têm respaldo de profissionais de saúde, contudo para ser realmente viabilizada depende de maior aplicação nas diversas situações para assim poder minimizar os efeitos que os ruídos urbanos fazem e evitar tantos transtornos já cientificamente comprovados. Estilo de vida Recentes estudos desenvolvidos na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) confirmaram como esses altos níveis de ruídos urbanos refletem no nosso dia-a-dia, podem interferir bastante no nosso estilo de vida e de maneira definitiva. "O problema é que o ruído urbano é invisível, agrava outras alterações na saúde e muita gente acaba se adaptando com isso", diz Carolina Moura, fonoaudióloga do GERUS - grupo de estudos sobre ruído urbano - da USP, que estudou o fenômeno em 75 pontos da cidade de São Paulo. Segundo a pesquisadora, o ruído urbano é definido como um som desarmônico, incômodo, depende da percepção individual e, acima de tudo, tem uma séria influência na saúde, demanda por maiores informações para a população e cumprimento legislativo por parte de órgãos competentes. Veículos Nesse estudo, a principal fonte de ruído urbano avaliada teve origem no tráfego intenso de veículos (carros, motos, caminhões e aviões), fato determinante em grandes cidades e também associado a outras fontes de 'barulhos' de estabelecimentos e indústrias, por exemplo, que podem converter esses ruídos numa amplitude de danos à saúde e depende de medidas eficazes para seguir as normas preconizadas. "A perda auditiva decorrente dos ruídos urbanos é irreversível e geralmente iniciada com exposição a partir de 8 horas diárias de ruído acima dos limites das leis", diz a fonoaudióloga. Legislação De acordo com as legislação federal sobre ruídos urbanos, para cada ambiente são estabelecidas faixas de limites de ruído e cada cidade pode adaptá-las para índices inferiores, porém um dos maiores desafios nacionais constatado pelo Gerus é a necessidade de cumprimento desses parâmetros 'saudáveis' assim como o combate e suas conseqüências no âmbito da saúde pública. "O ruído urbano é um agente estressante, provoca vários distúrbios e muitas pesquisas mostram que também há alterações gastrointestinais, endócrinas, cardíacas e inclusive dificuldades de aprendizagem", diz Antônio Sérgio Melo Barbosa, médico do trabalho da Companhia de Engenharia e Tráfego de São Paulo (CET), pesquisador e autor de trabalho sobre o impacto da poluição sonora em funcionários da CET. Educação ambiental A prevenção e a percepção dos ruídos urbanos, de acordo com especialistas da área, apontam para a educação coletiva e o rigor na viabilização das leis existentes como meios mais eficientes para o combate os ruídos urbanos, os quais tanto alteram o nosso comportamento e afetam a saúde de maneira sistemática. "É importante saber dos malefícios dos ruídos urbanos, propor medidas educativas e principalmente conscientizar as pessoas", diz Antônio Sérgio Melo Barbosa. Além disso, a melhoria do transporte público, barreiras e tratamentos acústicos e prioritariamente a aplicação das leis são algumas alternativas apontadas como viáveis para se pôr em prática uma política anti-ruído urbano. "Vale ressaltar que devemos prestar muita atenção também para o tráfego aéreo, controlar a fiscalização do ruído veicular e divulgar informações adequadas sobre tudo isso", diz Carolina Moura. Danilo Tovo www.bancoreal.com.br/medico - mai/2002 |