A nefropatia diabética atinge entre 30% a 40% dos portadores da doença. As alterações do glomérulo possibilitam a perda de proteínas pela urina e podem evoluir para uma insuficiência renal, afetando tanto pacientes com diabetes do tipo I quanto do tipo II.
O quadro clínico da nefropatia diabética aponta para várias fases e normalmente se desenvolve após os 15 anos com o diabetes. Esse tipo de comprometimento renal também é atrelado a outros problemas decorrentes do diabetes como a pielonefrite, neuropatia autonômica, impotência sexual, disfunção vesical, necrose papilar entre outros.
Aumento da taxa de filtração glomerulocular juntamente com a elevação da excreção da albumina são alguns índices que detectam uma hemodinâmica alterada e o seu progresso pode chegar a uma insuficiência renal.
Dietaterapia vinculada a medicamentos específicos, como o inibidor da angiotensina I ou antagonista da angiotensinaII, são as formas eficientes para se conseguir resultados com a nefropatia diabética. "Um controle metabólico com uma dieta hipoprotéica preserva os néfrons remanescentes e é um importante procedimento terapêutico", diz Antonio Bartolomeu Cruzera, nefrologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.
(Revista Médico repórter/número 1/novembro de 1998)
Diabetes e obesidade
A obesidade é o principal fator predisponente do diabetes tipo II. Esta doença tem um forte caráter genético, porém aparece especialmente em pessoas obesas, isso porque na obesidade há resistência à insulina.
A principal conseqüência do diabetes associado á obesidade é a doença aterosclerótica, que é de duas a quatro vezes mais comum em diabéticos que na população não-diabética da mesma idade. "Perder peso é fundamental, além de uma dieta alimentar e exercícios físicos também", alerta Marcia Nery, endocrinologista do Grupo de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo - SP.
Geralmente uma pequena parcela dos diabéticos do tipo I ficam obesos, enquanto a imensa maioria dos diabéticos do tipo II apresentam obesidade, com adiposidade visceral ou até Síndrome Plurimetabólica, que alia hipertensão arterial e hiperlipidemia e diabetes à obesidade. Mas, em todos os casos, a obesidade mostra-se resistente à insulina.
O fator peso é indispensável para se ter bons resultados no controle do diabetes, apesar de haver uma freqüente dificuldade em lidar com isso e propiciar uma diminuição de complicações decorrentes da obesidade associada. O acompanhamento sistemático e a monitoração constante são medidas auxiliares importantes junto ao paciente.
Dependendo do caso apresentado, da faixa etária ou do histórico familiar, a conduta terapêutica pode ser apropriada e estudada individualmente, mas sempre buscando a profilaxia. Recomenda-se a adoção de um processo educativo, que conscientiza o paciente dos seus problemas clínicos diagnosticados e das terapias com grupos de medicamentos antidiabéticos (para diminuição da absorção de açúcar, na incorporação periférica da glicose, na liberação da insulina) e medicamentos anti-obesidade. "Um controle do quadro clínico com medidas preventivas também é importante para evitar outras complicações", diz a Dra. Márcia.
Danilo Tovo
(Revista Médico repórter/número 4/maio de 1999)
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