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Quando ouvimos falar em dispepsia podemos até estranhar o termo, mas popularmente o conhecemos como má digestão. Os processos que levam ao problema são vários e estão associados ao mal funcionamento gastrointestinal. Caso não haja outras doenças já existentes como gastrite, úlceras ou pedras na vesícula, por exemplo, uma orientação médica pode ajudar a combater os transtornos que a má digestão acarreta. Os sintomas provocados incomodam, mas podem ser evitados com medidas simples do nosso dia-a-dia. Alimentos podem causar vários sintomas "O problema pode surgir antes mesmo de comermos", diz José Luiz Lourenção, gastroenterologista do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. O médico alerta que a má digestão pode ser sinalizada até pelo cheiro de determinados alimentos, porém, os hábitos relacionados à nossa alimentação são os maiores agentes do mal funcionamento gastrointestinal. De acordo com Lourenção, a queimação no estômago, prisão de ventre, suor excessivo, arrotos e náuseas, entre outros sintomas evidenciam a má digestão. "Com a dispepsia há alteração no funcionamento gastrointestinal e distensão muscular", diz ele. Isso tudo pode ser proveniente da qualidade de alimentos irritantes e pela interação entre medicamentos e outras causas que levam a prejuízos para a nossa saúde. "Café, doces, comidas gordurosas e bebidas alcoólicas normalmente provocam o problema", diz o médico. Doenças comprometem o metabolismo gastrointestinal Para os especialistas, o hábito alimentar e o estresse são os maiores causadores da má digestão. "Afastadas outras doenças, a dispepsia ocorre, em geral, em pessoas que não comem direito e não têm horários regulares. O aspecto emocional também reflete o problema", diz Jaime Eisig, gastroenterologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Além dos fatores ligados ao estilo de vida, como para quem tem a doença de Chagas, diabetes ou problemas endocrinológicos são pessoas mais suscetíveis à má digestão", diz Eisig, afirmando que muitas doenças desencadeiam a dispepsia, que pode ser causada também pelo metabolismo comprometido. Contudo, cada quadro deve ser avaliado individualmente. Antes de qualquer procedimento o importante é saber localizar o órgão do corpo mais atingido para se propor o devido tratamento médico. "Em geral, devemos realizar exames detalhados para se chegar a uma conclusão para a dispepsia", diz Lourenção, recomendando que uma boa mastigação e a ingestão de alimentos em pequenas quantidades são formas eficientes de se prevenir a má digestão. Dicas podem ajudar a prevenir a má digestão O fato de comer em pé e com pressa são outros aspectos que ajudam a causar a má digestão. Isso é apontado pelo gastroenterologista e homeopata Cristiano Nowill, que ainda faz outros importantes alertas."Falar, comer e beber ao mesmo tempo, tomar banho ou dormir logo após as refeições não são hábitos saudáveis", diz Nowill. Mudar de ambiente e comer alimentos diferentes com frequência também provocam má digestão. A maior conseqüência disso tudo envolve, em especial, é a diarréia. Por isso, os cuidados com a alimentação fora de casa são indispensáveis para se evitar o problema. "Devemos sempre tentar avaliar a qualidade do que comemos para não termos problemas desagradáveis", diz Nowill. A educação para se alimentar bem vem da absorção de hábitos saudáveis e, segundo os especialistas, representa a alternativa mais viável para não conviver com a má digestão. "Acima de tudo a busca do equilíbrio emocional como um todo favorece muito, inclusive para a dispepsia", diz Nowill. No entanto, todo quadro deve ser diagnosticado para afastar outras doenças gastrointestinais, mas a mastigação sem a ingestão rápida e a adequação dos horários para as refeições são medidas importantes para se evitar problemas digestivos. "Quando alguém come e sofre é hora de procurar um médico", diz Lourenção. www.bancoreal.com.br/medico - set./2002 |