Hiperatividade pode ser sinônimo de doença
|
Quando observamos uma criança extremamente inquieta, que comete peraltices a toda hora, com impulsividade constante e não lidam bem com suas frustrações pode ser motivo de preocupação especial e estar relacionada à hiperatividade. É um distúrbio psiquiátrico que não é transitório, por isso deve ser tratado e depende de especial atenção de pais, familiares e professores, pois isso pode gerar mais facilmente quadros depressivos, agressividade, exclusão social e dependência de drogas futuramente. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3 a 5% da população infantil mundial é hiperativa. Tem uma prevalência em crianças em idade escolar, é mais freqüente no sexo masculino e filhos de hiperativos têm oito vezes mais risco de ter a doença. “Logo nos primeiros anos de vida, nota-se alterações no seu processo de desenvolvimento neurológico e emocional. Algumas crianças, desde cedo, mostram-se irritadiças, chorando nos primeiros meses de vida, se mexendo muito durante o sono e acordando várias vezes durante a noite. Isso já é um indício precoce da hiperatividade”, diz o psiquiatra infantil Ênio Roberto de Andrade, coordenador do Ambulatório de Hiperatividade infantil e Distúrbios de Atenção do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. As causas do problema estão relacionadas a fatores genéticos e ambientais, compromete seriamente a qualidade de vida de quem tem o transtorno de déficit de atenção (denominação mais precisa para essa patologia) e em 30% dos casos pode se estender até para a adolescência e também para a idade adulta. “Essas crianças têm um comportamento bem diferenciado e os problemas são mais evidentes junto ao insucesso escolar e com a dificuldade de se relacionar com outras crianças, além de serem mais suscetíveis a outros problemas psiquiátricos”, diz o médico, alertando que filhos de hiperativos têm oito vezes mais risco de ter a doença. Basicamente, a distração, inquietação, inabilidade motora, problemas na fala e de aprendizagem e permanente movimentação constituem os principais sinais clínicos de uma criança hiperativa em associação com outros traços característicos como quociente intelectual (QI) leve a moderadamente rebaixado e baixa auto-estima no aspecto emocional. Para tanto, um detalhado diagnóstico clínico e um tratamento acompanhado por equipe multidisciplinar (com médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais entre outros) pode abordar a doença e oferecer uma alternativa mais eficaz diante dos problemas apresentados pelos pacientes hiperativos. “A taxa de abandono ainda é elevada, há muita resistência à terapia psiquiátrica, mas com um bom acompanhamento, a introdução de medicamentos específicos e tratamentos auxiliares pode-se obter melhorias e levar a criança a uma vida normal”, diz o psiquiatra, reforçando que a participação familiar, a devida socialização da criança e a adequada prática de atividades físicas são importantes para se objetivar resultados com a hiperatividade.
Além disso, a busca por informação e a procura por um especialista preparado contribui muito para o sucesso perante as crianças hiperativas. Danilo Tovo www.sosdoutor.com.br - set/2000 |