Uma nova visão sobre a saúde dos olhos


A maioria das pessoas só lembra de ir ao oftalmologista quando tem dificuldade para enxergar. Estima-se que dois em cada três casos de cegueira no mundo poderiam ter sido evitados se houvesse acompanhamento periódico e, conseqüentemente, tratamento precoce. Aprenda a preservar essa pequena e complexa engrenagem.



Enxergar é mesmo a principal função dos olhos e, por isso, os avanços da ciência para melhorar e corrigir a visão da população não param - técnicas e equipamentos mais precisos, por exemplo, tornam as cirurgias oftalmológicas cada vez mais rápidas, seguras e bem-sucedidas. Outras descobertas chegam a desafiar os limites da natureza. Estuda-se a aplicação de células-tronco para a cura de danos do globo ocular até então irreversíveis. E já existe um olho biônico em teste - criado pelo pesquisador Gislin Dagnelie, da Universidade Johns Hopkins, de Maryland, nos Estados Unidos - que promete fazer um cego voltar a reconhecer formas, ajudando-o a localizar portas e janelas, evitar obstáculos e a caminhar sozinho com mais segurança.



O achado é composto por um chip de computador, situado atrás do globo ocular e conectado a uma minicâmera de vídeo instalada nos óculos usados pelo paciente. As imagens capturadas pela câmera são transmitidas ao chip que, por sua vez, as traduz em impulsos elétricos para serem interpretados pelo cérebro. Por tudo isso, é possível visualizar um futuro promissor na área de oftalmologia. Antes, porém, os especialistas chamam a atenção para necessidades mais urgentes no que se refere à saúde ocular, como a conscientização sobre a importância de consultas periódicas, especialmente para quem faz vistas grossas à prevenção.



Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 180 milhões de pessoas em todo o mundo apresentam algum tipo de deficiência visual. Destas, 50 milhões já convivem com a cegueira e 135 milhões correm o risco de ficar cegas. A boa notícia é que 60% dos casos poderão ser revertidos se os problemas forem diagnosticados e tratados em tempo. Portanto, independentemente da necessidade do uso de lentes de contato e óculos, oftalmologistas defendem um maior controle sobre o conforto e a qualidade visual.



Nesse sentido, a atenção com os olhos deveria começar cedo, desde o nascimento, e se estender ao longo da vida, sobretudo após os 40 anos, quando a visão também passa a sofrer os desgastes do envelhecimento. Nesta edição, desvendamos alguns dos mistérios e curiosidades sobre o globo ocular e todas as estruturas que protegem os olhos e permitem ao ser humano ter a capacidade de enxergar. Também reunimos informações sobre os distúrbios da visão mais conhecidos, os tratamentos corretivos, as doenças mais freqüentes, bem como dicas e orientações de prevenção. Confira!



PELOS OLHOS DE LINCE


Durante muito tempo, o tratamento para corrigir desvios e aperfeiçoar a visão dependia apenas do uso de óculos e de lentes de contato. Hoje, porém, quem sofre com miopia, hipermetropia e astigmatismo já conta também com modernos procedimentos cirúrgicos que alteram a forma da córnea - oferecendo, na maioria dos casos, resultados eficazes e imediatos.



Óculos X lentes de contato


Os erros de refração podem ser corrigidos com lentes de vidro ou de plástico montadas em uma estrutura (óculos) ou com pequenas peças de plástico aplicadas diretamente sobre a córnea (lentes de contato). Para a maioria, optar por um recurso ou outro é uma questão de conveniência e conforto. As lentes plásticas para óculos são mais leves, mas tendem a riscar; as de vidro são mais duráveis, porém apresentam maiores chances de quebrar. As bifocais contêm duas lentes na mesma armação e possuem a vantagem de corrigir ao mesmo tempo a miopia e a hipermetropia. Quanto às lentes de contato, apesar de serem discretas, exigem mais cuidados. Elas devem ser limpas diariamente. Caso contrário, predispõem o usuário a infecções e complicações, que podem levar até mesmo à perda da visão.


Cirurgia refrativa


Feita com laser, é realizada em clínicas especializadas ou consultórios, com anestesia. Por conta dos riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico, os melhores candidatos são os indivíduos cuja visão realmente não pode ser corrigida por meio do uso de óculos ou lentes de contato e aqueles que manifestam intolerância à utilização desses acessórios. Porém, deve-se ter mais de 20 anos, fase em que o grau costuma estabilizar. Estão impedidos de realizar o procedimento gestantes e pacientes com outras doenças oftalmológicas ou ainda que façam uso de alguns tipos de medicação.


Em uma pequena parcela de casos há uma reação cicatricial que pode resultar em perda de função visual. A complicação mais comum, porém, é a correção em excesso ou incompleta do erro de refração. Na maioria, não há necessidade de sutura (pontos). Coloca-se um protetor ocular e o paciente é reavaliado no dia seguinte, dando início ao acompanhamento pós-operatório. Vale lembrar que ambos os olhos podem ser operados no mesmo ato cirúrgico. Mas os médicos costumam aguardar o resultado de um lado para agir sobre o segundo. Às vezes, a fim de alcançar melhores resultados, é necessário mais de uma cirurgia.


COMO ENXERGAMOS?


Os raios de luz atravessam a córnea (cúpula transparente localizada sobre a superfície do olho) e chegam à pupila (a área preta no centro da íris). A íris controla a quantidade de luz que entra, abrindo e fechando como uma lente de máquina fotográfica, dependendo da iluminação do ambiente (maior quantidade de luz se estivermos em ambientes escuros e menor, em ambientes claros). Atrás da íris encontra-se o cristalino, uma lente com a função de focar a luz para a retina, esta considerada uma das partes mais nobres do olho.


Da retina, os feixes luminosos são convertidos em impulsos elétricos. Esses impulsos elétricos são então transmitidos ao cérebro através do nervo óptico (que emerge na parte posterior do olho). O nervo óptico de cada olho divide-se e a metade das fibras nervosas de cada lado cruza para o lado oposto no quiasma óptico. Por causa dessa disposição, o cérebro recebe informações tanto do campo visual esquerdo quanto do direito através de ambos os nervos ópticos. Finalmente, a imagem focalizada consegue ser identificada e vista.


Ao escolher a cor das lentes de um ÓCULOS SOLAR, deve-se também ter a preocupação com sua finalidade. A verde apresenta boa absorção de luz e melhora os contrastes; a marrom é indicada para excesso de intensidade luminosa; a amarela realça contrastes e é recomendada para dirigir automóveis à noite e a cinza filtra bastante luz. Lilás, rosa e vermelho são cores conhecidas como just for fun, ou seja, utilizadas apenas para moda e entretenimento.


1. Os CÍLIOS E AS SOBRANCELHAS atuam como barreiras e ajudam a proteger a visão.


2. As PÁLPEBRAS, pregas delgadas de pele, cobrem os olhos. Elas se fecham de forma rápida e reflexa para proteger os olhos contra objetos estranhos, o vento, a poeira e a luz muito intensa. Com o piscar, ajudam a espalhar o líquido sobre a superfície dos olhos. Sem essa umidade, a córnea, que é normalmente transparente, pode ressecar, sofrer lesões e tornar-se opaca.


3. A CÓRNEA é uma membrana transparente, localizada na frente da íris. A córnea viabiliza a entrada de raios de luz no olho e a formação de uma imagem nítida na retina. Resumidamente, tem a função de uma lente da máquina fotográfica.


4. A ÍRIS é o disco colorido no centro do olho com um orifício central chamado de pupila (menina dos olhos). Sua função é controlar a quantidade de luz que entra.


5. O GLOBO OCULAR está situado dentro de uma cavidade óssea e possui aproximadamente 24 mm de diâmetro anteroposterior e 12 mm de largura. Vários músculos que atuam em conjunto movem os olhos. Cada músculo é estimulado por um nervo craniano específico.


6. A RETINA é considerada uma das partes mais nobres do olho. Sua função é transformar os estímulos luminosos em nervosos, que são enviados para o cérebro pelo nervo óptico. Trata-se de uma camada localizada na porção interna do olho onde se encontram células fotorreceptoras (cones - responsáveis pela visão central e pelas cores - e bastonetes - que dão a visão periférica e noturna). Encaminhadas ao cérebro, as mensagens são traduzidas em visão.


7. A GLÂNDULA LACRIMAL fabrica a maior parte da lágrima que banha o olho. No canto interno da pálpebra (próximo ao nariz) existem um orifício e um canal que levam a lágrima já usada para o nariz. A lágrima serve para limpar, facilitar o ato de piscar e dar nutrientes para o olho.


8. As ÓRBITAS são cavidades ósseas e contêm os globos oculares, músculos, nervos, vasos sangüíneos, gordura e estruturas que produzem e drenam as lágrimas.


9. O CRISTALINO corresponde a uma lente transparente e flexível localizada atrás da íris. Sua função é focar os raios de luz para um ponto certo na retina. Quando está opacificado desenvolve a catarata.


A MANEIRA MAIS FÁCIL DE DIFERENCIAR um animal carnívoro de um herbívoro é olhar em seus olhos. Os carnívoros (cachorros e tigres, por exemplo) possuem os olhos na parte da frente da cabeça, o que facilita a localização do alimento. Os herbívoros (aves e coelhos, por exemplo) possuem os olhos do lado da cabeça para perceber a aproximação de um eventual predador.


Distúrbios da visão


Chamados de erros de refração, esses problemas estão relacionados à dificuldade que algumas pessoas demonstram de enxergar em determinadas situações. Veja por que ocorrem os principais distúrbios refrativos:


Miopia


Um dos mais freqüentes erros de refração, afeta a visão à distância. A imagem visual não é focada diretamente na retina, mas à frente da mesma. O problema costuma ocorrer porque o olho é grande ou o cristalino tem uma distância focal curta. Os míopes vêem os objetos distantes de forma embaçada e costumam ter dificuldades para assistir a filmes e dirigir automóveis. O distúrbio pode ser estacionário ou progressivo. Sem o uso de óculos, a miopia ocasiona dor de cabeça, lacrimejamento ou fadiga ocular.


Hipermetropia


Vício de refração que ocorre quando o olho é menor do que o normal. Isso cria um obstáculo para cristalino, que passa a não conseguir focalizar na retina imagens próximas ao olho. A maioria das crianças é hipermétrope de grau moderado, condição que diminui com o avanço da idade.


Astigmatismo


Ocorre quando a córnea apresenta uma maior curvatura em uma direção, o que distorce a visão tanto para perto quanto para longe. Normalmente, a córnea é redonda - em pessoas com astigmatismo, ovalada. Os raios de luz, portanto, não chegam ao mesmo ponto na retina. Alguns são direcionados em mais de um ponto na retina e outros à frente ou atrás dela. Em virtude da curvatura irregular, a imagem levada ao cérebro torna-se distorcida ou desfocada. Entre as queixas mais freqüentes de quem apresenta o defeito estão dor de cabeça, olho avermelhado e sensação de ardor.


Presbiopia


Conhecida como vista cansada, essa condição é desencadeada por conta do enfraquecimento do poder de enxergar de perto, devido à perda da elasticidade do cristalino - uma das conseqüências do processo natural de envelhecimento. O problema é evidente, em geral, a partir dos 40 anos.


AS DOENÇAS OCULARES


Na infância, vida adulta ou terceira idade os médicos recomendam fazer, no mínimo, um acompanhamento anual com oftalmologista. Esta visita periódica deve ser feita a cada seis meses, em caso de pacientes com mais de 40 anos ou algum problema visual. A seguir, veja os males mais freqüentes e os tratamentos indicados:


BLEFARITE


Inflamação comum e persistente das bordas das pálpebras. A vítima apresenta irritação, prurido e vermelhidão nos olhos. Na região palpebral aparecem granulações parecidas com 'caspinhas', que podem se estender aos cílios. Pessoas com pele oleosa e olho seco têm maior tendência a desenvolver a doença, que costuma iniciar-se na infância e se prolongar de forma crônica por toda a vida. Suas origens são alérgicas ou infecciosas. E o tratamento depende da causa. Não há cura para o problema, mas ele pode ser controlado com medidas como compressas mornas, pomada antibiótica, lágrimas artificiais e remédios orais.


FOTOFOBIA

É o que muita gente sente com a presença de luz natural ou artificial. Isso ocorre principalmente em dias ensolarados, na presença de neve ou em areia de praias. Algumas pessoas podem ter reação anormal quanto em relação à luz também, como albinos e vítimas de uveítes, ceratites e estrabismos divergentes.


TERÇOL (OU HORDÉOLO)


É uma infecção, normalmente estafilocócica, de uma ou mais glândulas localizadas na borda da pálpebra ou sob a mesma. Ocorre a formação de um abscesso que tende a romper, liberando uma pequena quantidade de pus. Às vezes, o terçol forma-se simultaneamente com uma blefarite ou é conseqüência da mesma. Um indivíduo pode apresentar um ou dois hordéolos durante a vida, mas alguns os têm repetidamente. O melhor tratamento consiste na aplicação de compressas quentes durante 10 minutos, várias vezes ao dia.


CERATITE


É a inflamação que atinge a córnea e pode evoluir, causando a perfuração dessa microestrutura ocular. São vários os tipos de ceratite (fúngica, bacteriana ou viral), que podem estar relacionadas desde a higienização das lentes de contato até o uso de medicamentos. Os sintomas incluem dor, lacrimejamento, fotofobia (sensibilidade à luz), diminuição gradativa da visão e secreções. O diagnóstico depende de exames laboratoriais para identificar o agente causador. O tratamento é clínico ou cirúrgico e leva em conta a causa, bem como tamanho, gravidade e tempo da ulceração.


CATARATA


Caracterizada pela opacidade da lente natural do olho, pode ser tanto localizada como generalizada no cristalino. É um processo que geralmente atua de maneira progressiva e se inicia com a diminuição da acuidade visual. O uso de recursos ópticos, sejam óculos ou lentes, não melhora a visão desse paciente. O distúrbio pode ser observado na pupila, que se torna esbranquiçada. Além da diminuição da visão, as pessoas enxergam imagens duplas, têm dificuldade para distinguir cores e ficam mais incomodadas com a luminosidade do sol. Pode ocorrer bilateralmente. É também uma das principais causas de cegueira reversível no mundo.

Pode ser congênita (mais rara) ou adquirida, que é a forma mais freqüente e afeta pessoas na terceira idade. Traumas oculares, uso de medicamentos, inflamações intra-oculares, exposição excessiva à radiação ultravioleta e diversas doenças associadas, como o diabetes, são as causas conhecidas de seu aparecimento. O tratamento disponível e reconhecido é a intervenção cirúrgica para a remoção do cristalino opaco. Como é uma lente natural muito rígida, deve-se colocar outra no lugar do cristalino para evitar óculos com lentes de alto grau. Os resultados cirúrgicos geralmente são bem-sucedidos e no pós-operatório faz-se o uso de medicamentos específicos.

CONJUNTIVITE


ata-se da inflamação da conjuntiva (parte branca do olho) que costuma causar sensação de areia nos olhos, secreção, lacrimejamento, vermelhidão e coceira. Cada tipo de conjuntivite (que pode ser viral, bacteriana, alérgica, traumática, tóxica, química) necessita de uma forma adequada de tratamento, portanto a automedicação pode ser danosa aos olhos. Algumas formas do incômodo podem levar a seqüelas ou à necessidade de um procedimento mais específico.


GLAUCOMA


É o aumento da pressão intra-ocular capaz de causar danos ao nervo óptico. A doença se inicia com um bloqueio ao fluido no interior do olho (as células nervosas tornam-se comprimidas e esse dano é capaz de matá-las) e pode levar à cegueira irreversível, caso não haja tratamento. O diagnóstico precoce, por meio do exame anual de fundo de olho (que possibilita a visualização do estado da pupila e do nervo óptico), preserva a visão.


A pressão intra-ocular medida em uma população normal é de aproximadamente 14 a 16 milímetros de mercúrio (mmHg). Pressões intra-oculares acima de 20 mmHg são consideradas dentro da normalidade. Porém, acima de 22 mmHg é considerada suspeita ou anormal. No entanto, nem todos os pacientes com alteração manifestam glaucoma. O motivo ainda é fonte de estudos em vários centros de pesquisa.


Também já se sabe que certas pessoas estão mais predispostas ao mal: aquelas acima de 45 anos, com histórico familiar, descendentes de africanos ou asiáticos e diabéticos. Em geral, o tratamento inicial é clínico e o objetivo é promover a estabilização, retardar ou evitar o surgimento das alterações da doença por meio da redução da pressão intra-ocular. Podem ser utilizados colírios, medicamentos por via oral ou até cirurgias específicas.


No cérebro, existem 12 pares de nervos que levam MENSAGENS MOTORAS E SENSORIAIS ao Sistema Nervoso Central. As mensagens do nervo que cuida da visão passam por vias muito próximas às enviadas pelo nervo olfatório e pelo trigêmeo, que comanda a contração dos nervos da mucosa nasal. É por isso que algumas pessoas espirram ao olhar para o sol ou qualquer outra luz forte.


MITOS E VERDADES


Computador, televisão e videogame prejudicam a visão. Em termos. Toda essa tecnologia não é capaz de afetar a capacidade de enxergar, mas pode provocar fadiga visual (astenopia), que leva a uma irritação dos olhos, deixando-os avermelhados e com ardor. Em casos mais graves, ocrre um ressecamento do olho (o olho seco). Portanto, a recomendação dos especialistas é dar um descanso de dez minutos para os olhos a cada duas horas de diversão ou trabalho em frente a esses equipamentos. Outros males podem afetar a saúde ocular.


Verdade. Entre eles estão Aids, diabetes, hipertensão arterial, hipertireoidismo e condições cardíacas alteradas, cujos sintomas e complicações podem causar sérias repercussões aos olhos. Em casos severos, chegam a causar até cegueira. Contudo, se forem tomadas providências oftalmológicas em curto espaço de tempo, muitos males podem ser evitados e a visão, preservada.


O pré-natal é capaz de alertar contra problemas visuais em crianças ainda no útero.


Verdade. Os cuidados com a visão precisam ter início antes mesmo do nascimento. Toda gestante deve fazer o pré-natal, para o diagnóstico e o tratamento de doenças relacionadas a problemas visuais congênitos, como a rubéola, toxoplasmose, sífilis, entre outras. Os bebês podem nascer com glaucoma congênito e catarata. Ambos os distúrbios podem levar à cegueira. Uma vez diagnosticados, o tratamento deve ser imediato. Ainda na maternidade é possível fazer uma avaliação dos olhinhos do recém-nascido.


Verdade. Pode ser feito o exame do reflexo vermelho para detectar os problemas comuns, como a retinopatia da prematuridade, o estrabismo, o glaucoma e a catarata congênitos. Contudo, diante de suspeitas clínicas, outros testes devem ser prescritos, como oftalmoscopia indireta, exame de fundo de olho, gonioscopia, eletrorretinograma. A atenção maior deve ser dada a bebês prematuros, uma vez que o desenvolvimento visual sofre maior risco por conta de traumas de parto, da necessidade de exposição ao oxigênio, transfusão de sangue e uso de remédios.


Se um produto químico cair no olho, devo pingar um colírio imediatamente. Mito. Se ocorrer um acidente desse tipo, lave os olhos em água corrente imediatamente. Em seguida, procure um pronto-socorro ou um oftalmologista o mais rápido possível. Trauma ocular é uma ocorrência cada vez mais freqüente. E o uso de colírios também exige muita cautela. Existem produtos considerados vasoconstritores ou que possuem cortisona na fórmula. De acordo com os especialistas, usados sem orientação, esses produtos favorecem o desenvolvimento de glaucoma e catarata.


Uma criança deficiente visual não deve freqüentar escola convencional.


Mito. O indivíduo cego ou com baixa visão deve freqüentar salas regulares de ensino. Porque, afinal, ele raciocina como qualquer outra criança - apenas enxerga de modo diferente. Além disso, a convivência é o melhor estímulo para o desenvolvimento infantil. Talvez necessite do auxílio de lentes especiais, como lupas ou barras de leituras - que aumentam letras e imagens - e de outros recursos como cópias ampliadas de páginas de livros, canetas com traçado mais forte, iluminação especial...


O verão pode prejudicar bastante a visão.


Verdade. A água do mar e o cloro das piscinas deixam os olhos irritados. O mais indicado é usar óculos específicos para nadar ou fazer compressas com um pano limpo ou algodão embebido em água fria. Não use água gelada! A exposição aos raios ultravioleta também é prejudicial. Isso é um dos fatores desencadeantes do olho seco, da catarata e da degeneração macular relacionada à idade. Os oftalmologistas recomendam a utilização de bonés e óculos escuros com proteção UVA/UVB.


Em crianças, para ser feito o exame ocular, deve-se dilatar a pupila Verdade. Ela tem uma capacidade, chamada acomodação, de mudar o formato interno do cristalino e corrigir naturalmente a hipermetropia ou de aumentar miopia, dificultando a medida do grau pelo oftalmologista. Para saber o grau exato de desvio e a necessidade do uso de óculos, é necessário, portanto, anular a acomodação (dilatar a pupila). Normalmente, a pupila fica dilatada de 12 a 24 horas, mas sem danos para a saúde ocular.


O SISTEMA BRAILE foi criado por um jovem francês, em 1825. É um código universal de leitura tátil e de escrita, destinado à comunicação de deficientes visuais. O sistema utiliza seis pontos em relevo dispostos em duas colunas. Com isso, permite a formação de 63 símbolos e é usado em diversos idiomas. Já o daltonismo (ou discromatopsia) é uma doença hereditária e não tem cura. Pode ser completo ou relativo, mas compromete a identificação de cores, em especial verde e vermelho. É incapacitante somente para as pessoas que, em suas profissões, necessitem diferenciar cores, como pilotos de avião.


Por Danilo Tovo e Daniela Talamoni


Fonte: Revista Viva Saúde – fevereiro/2006


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