A luta para o combate ao câncer de mama é um dos principais desafios da medicina. É o mais temido pelas mulheres, devido à sua alta incidência e também pelas conseqüências psicológicas e todo o desencadeamento de problemas relacionados à sexualidade.
Nos países ocidentais, o câncer de mama representa uma das principais causas de morte para as mulheres. Os números apontam para um aumento relevante da sua freqüência, seja nos países em desenvolvimento ou mesmo nos países desenvolvidos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) registrou nas décadas de 60 e 70 uma elevação dez vezes maior do câncer de mama, em taxas de incidência por idade, junto à verificação de câncer de vários continentes. A Sociedade Americana de Cancerologia, por exemplo, indica que nos Estados Unidos, de cada 10 mulheres um tem a probabilidade de desenvolver o câncer de mama ao longo de sua vida.
No Brasil, a realidade do câncer de mama não difere muito dos outros países. Detecta-se nesse tipo de câncer a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras. Dos quase 262.000 novos casos de câncer de mama, segundo projeções, deve chegar a 31.200 casos novos e 7.300 óbitos. A estimativa demonstrada pelo Ministério da Saúde/Inca para este ano aponta a incidência para cada região geográfica brasileira: Sul - 66,83%; Sudeste - 36,75%; Nordeste - 35,39%; Centro-Oeste - 34,03% e Norte - 20,57%.
A expectativa com novas drogas para a terapêutica do câncer de mama já é delineada com o sucesso de uma combinação de drogas agora cientificamente comprovada. Recém-apresentada no congresso da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), a associação de doxorrubicina e docetaxel elabora uma outra perspectiva para o câncer de mama metastático e está sendo o mais novo e eficiente tratamento para esse tipo de câncer.
Depois de um período pouco promissor na década de 80, onde os avanços foram mais na área biológica do que clínica, nos anos 90 a realidade terapêutica para o câncer de mama aponta para outros caminhos, que abrangem anticorpos monoclonais e especialmente medicamentos quimioterápicos que vêm revolucionando a abordagem com a doença. Pesquisas clínicas, o maior conhecimento da doença e o surgimento dessas novas drogas e suas combinações elaboram um novo momento para a patologia e permitem um outro prognóstico com o câncer de mama.
A importância da novidade suplanta a descoberta de novas drogas e se traduz numa combinação que é fundamentada em importantes estudos clínicos de repercussão mundial. Dessa vez, a doxorrubicina com docetaxel promete se tornar um novo padrão de tratamento de câncer de mama e está repercutindo como um outro momento para o tratamento desse tipo de câncer. "Hoje já está estabelecido que essa associação é uma escolha de primeira linha que têm respostas em menor prazo de tempo", diz o Dr. Adalberto Broecker Neto, oncologista da PUC-RS.
Os resultados da incorporação dessa associação foram relevantes e mostraram um superioridade em relação a outras combinações. Segundo o Dr. Mário Alberto Costa, médico do serviço de oncologia clínica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Rio de Janeiro, e um dos coordenadores da pesquisa com esses medicamentos no Brasil, a ação dessa combinação foi expressiva. "A doxorrubicina junto com o docetaxel, na doença agressiva, trouxe melhor taxa de resposta, se relacionou ao tempo para progressão da doença e houve uma melhora significativa de pacientes. Além disso, a tolerância foi boa, não elevou a cardiotoxicidade e os efeitos colaterais podem ser controlados", diz ele.
Essa associação, em comparação com as anteriores, tem a vantagem de ter efeitos colaterais equivalentes com resultados mais expressivos. "Essa combinação tem uma eficácia em produzir regressões clínicas em maior número que o tratamento padrão", diz o Dr. Artur Malzyner, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, reforçando ainda que uma sucessão de descobertas de suporte terapêutico modificou radicalmente os tratamentos para câncer de mama, inclusive quanto à maior tolerância à quimioterapia e um controle mais seguro da toxicidade.
A evolução no tratamento do câncer de mama e o desenvolvimento dessas novas combinações devem tornar os resultados cada vez mais satisfatórios para o combate efetivo desse tipo de câncer e a doxorrubicina com o docetaxel compõem a última geração de medicamentos para o câncer de mama. "São drogas mais ativas e menos tóxicas e, sem dúvida, representa um passo adiante e atinge significância estatística para o tratamento do câncer de mama metastático", afirma o Dr. Artur Katz, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
Isso tudo traz uma nova perspectiva para a obtenção de drogas cada vez mais eficientes e remonta a um outro paradigma para se deparar com o câncer de mama. Tanto o tratamento sistêmico quanto as pesquisas clínicas se encaminham principalmente na direção da biologia molecular, no entanto hoje a combinação mais plausível atualmente vem a ser a doxorrubicina com o docetaxel. "O uso de drogas dependerá de achados genéticos e estará adequado a uma eficácia individualizada buscando melhor excelência no tratamento", diz Broecker. A importância do diagnóstico e a especificidade das drogas também são fundamentais para se confirmar na prática clínica os avanços com a oncologia. "Cada vez mais a indústria e a pesquisa médica trazem novos elementos terapêuticos que vão mudar a história natural do câncer de mama. Hoje, a atuação é mais fácil e aumenta a probabilidade de cura", completa Malzyner.
