Adolescentes são os mais atingidos pela acne


A acne é um dos problemas de pele que mais afetam as pessoas na adolescência. As várias lesões dermatológicas surgidas com a acne incomodam bastante na puberdade, raramente acarretam em maiores danos à saúde e ocorrem com maior freqüência em mulheres numa faixa etária entre 14 e 15 anos, mas também afetam os homens, em especial entre 16 e 18 anos de idade. "Em geral, o processo da acne se restringe à adolescência, porém a acne tardia acontece em adultos acima dos 25 anos", diz Lúcia Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia - regional São Paulo.


Acne pode deixar cicatrizes


Desencadeada por fatores hereditários, pela produção de hormônios e presença de bactérias na superfície da pele, a acne pode se apresentar de diversas formas e a face do rosto, região anterior e posterior do tórax são as partes do corpo que desenvolvem mais os problemas com essa doença, que envolve o funcionamento das glândulas sebáceas e a obstrução dos folículos do pêlo. Pode ser inflamatória ou não e se caracteriza por comedões (cravos brancos e pretos), nódulos, pápulas, pústulas e nas manifestações mais graves por abscessos e cistos em graus variáveis. "A acne pode evoluir para cicatrizes e posteriormente tratar isso é muito difícil", diz a dermatologista.


Como a acne afeta emocionalmente os adolescentes


Em alguns casos, as lesões são mínimas e as conhecidas espinhas podem ilustrar um quadro comum ou passar quase imperceptíveis por toda a adolescência. Em outros, as lesões ficam bem evidentes e é muito comum nessa faixa etária acometer psicologicamente as pessoas. "Vemos muito o comprometimento emocional nos adolescentes com acne.

A doença afeta a auto-estima e pode levar até mesmo à depressão juvenil", diz a médica. Por isso, como não é possível preveni-la, a procura por profissional especializado é fundamental para uma devida orientação e se propor um tratamento após a constatação do problema.


Segundo a médica, o aparecimento de acne e o uso de remédios populares deve ser evitado, pois não há eficácia comprovada para se utilizar isso sem critérios. "Esses 'remédios' podem, inclusive, gerar processos irritativos", diz a dermatologista Lúcia Arruda. Já corticóides, xaropes com iodo podem propiciar a acne, só que por processos distintos, e a própria automedicação é outra medida danosa para o combate à doença. Tomar sol também requer cautela e é um aspecto controverso entre os médicos, pois a acne solar pode surgir e piorar o quadro em determinados casos. Não há relação entre alimentação e acne e, de acordo com a médica, dietas restritivas não são recomendadas para se tratar a acne.


Eficácia depende de tratamento personalizado


Os tratamentos propostos dependem de diagnóstico detalhado feito por dermatologista, que deve avaliar o quadro de acordo com o tipo de acne e gravidade apresentada por cada paciente. Os produtos que apresentam melhores resultados vão desde a esfoliação com limpeza de pele, cremes e loções específicos e várias drogas por via oral ou associação entre todos esses podem ser indicadas. "Temos várias opções terapêuticas e tudo vai depender da intensidade da acne e da resposta obtida individualmente. No entanto, devemos esperar, no mínimo, três meses para observar melhorias", diz a médica, que alerta ainda que o estresse pode contribuir para a acne e por via hormonal.


Outro agravante que danifica a acne vem a ser a manipulação de cravos e espinhas, ou seja, mexer na pele sem critérios específicos pode piorar ainda mais e deixar marcas que têm difícil tratamento. Contudo, a higienização periódica e os cuidados com o uso de cosméticos são medidas importantes e em casos de gravidez ser levados em conta. "Precisamos saber observar bem as respostas em cada estágio do tratamento da acne", diz a dermatologista.


Danilo Tovo
www.bancoreal.com.br/medico - jun/2002

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