Daniel Neves
Bruno Pinheiro
Derek Warwick
Olimpíadas 2004



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Este
jogo de bola, que surgiu na Inglaterra há pouco mais de 100 anos, é hoje
o esporte mais popular do planeta. Football, para os ingleses e os
franceses; fútbol, para os espanhóis; soccer, para os
norte-americanos e os japoneses; calcio, para italianos.
Mas um jogo disputado na China, no ano 2500 a.C., é considerado o tataravô
do futebol. O imperador Huang Tse criou uma maneira de treinar seus
soldados. Eles precisavam chutar uma pelota de couro entre 2 estacas
cravadas no chão. Outro jogo bastante parecido, o epyskiros, era
praticado em Esparta no século I a.C. por equipes de 15 atletas. Chutavam
uma bexiga de boi cheia de areia. Ao iniciar a Era Cristã, Roma
apresentou um jogo chamado harpastum. A origem do futebol moderno deve-se a uma conversa de
bar, em 26 de outubro de 1863.Naquele dia,um grupo de jovens de Londres,
na Inglaterra,reuniu-se na taberna Freemason’s para definir as regras do
esporte. Certa hora, os ânimos esquentarão e todos começaram a brigar.
Os participantes dividiram-se em dois grupos. De um deles originou-se a
liga de rúgbi, modalidade popular entre os ingleses na época. Do
outro nasceu o futebol. |
O 26 de outubro de 1863 é considerado o dia da criação do futebol. Foi nessa data que, ao fim de 6 reuniões na Freemason's Tavern, em Londres, foi criada a The Football Association e, com ela, aprovadas as 17 regras do futebol. O futebol tem 17 regras básicas que sofreram poucas alterações ao longo de seus mais de cem anos de história. Essas regras são universais, podendo ser modificadas apenas pela International Board, órgão da Fifa que regula as leis básicas do esporte. As determinações da Fifa servem para definir tamanho e peso da bola, delimitações do campo, tempo de jogo, número de jogadores em campo e no banco de reservas, como os árbitros devem agir nas punições às infrações, funcionamento da lei do impedimento e todo e qualquer lance ocorrido no campo de jogo, como laterais e escanteios. Nas Olimpíadas, no entanto, existem algumas outras regras peculiares e que dizem respeito apenas ao torneio olímpico. Em determinado momento da história eram permitidos apenas atletas amadores. A partir de Los Angeles-1984 passaram a ser admitidos os profissionais, desde que nunca tivessem participado de uma Copa do Mundo. Atualmente, são permitidos apenas três jogadores, por seleção, com idade acima de 23 anos. A idéia é não deixar que as seleções disputem seus jogos com os times principais, o que faria o torneio olímpico de futebol rivalizar com a Copa do Mundo. A prorrogação com morte súbita não vai ser usada nos Jogos de Atenas. Nas partidas eleminatórias, se acontecer um empate durante o tempo normal, os times vão para a prorrogação. Persistindo o empate após os 30 minutos do tempo regulamentar, a decisão acontecerá na cobrança de pênaltis. As regras de disputa são bem simples. No futebol masculino são 16 times - a Grécia, país anfitrião, e mais 15 times que se classificaram nos Pré-Olímpicos de seus continentes - divididos em quatro grupos. Os dois melhores de cada grupo se classificam para as quartas-de-final, quando os jogos começam a ser eliminatórios. Até o final de maio, estavam classificados para os Jogos de Atenas-2004, além da Grécia, Argentina e Paraguai (Conmebol); Costa Rica e México (Concacaf); Gana, Mali, Marrocos e Tunísia (CAF), Iraque, Japão e Coréia do Sul (AFC), Itália, Sérvia e Montenegro e Portugal (Uefa) e Austrália (OFC). No torneio feminino participam dez países (a anfitriã Grécia, os melhores do último mundial em 2003 e os classificados por cada continente). As seleções são divididas em três grupos (dois com três países e um com quatro). Os dois melhores times de cada grupo passam direto para as semifinais e os dois melhores terceiros colocados no geral passam para as quartas-de-final. A partir dessa fase os jogos são eliminatórios, até a final. Alemanha e Suécia (Uefa), Brasil (Conmebol), Estados Unidos e México (Concacaf), Nigéria (CAF), China e Japão (AFC) e Austrália (OFC) são os países classificados. |
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Atacante - jogadores posicionados próximos à área adversária; seu objetivo é fazer as jogadas ofensivas e os gols
Auxiliar - antes chamado de bandeirinha, fica na lateral do campo e auxilia o árbitro em lances de saída de bola ou impedimento
Cartões - aplicados para punir jogadores que desrespeitem as regras e as normas de conduta. O amarelo é advertência, e o vermelho elimina o atleta do jogo
Escanteio - cobrança de tiro livre direto feito a partir do canto do campo, de uma semicircunferência de um metro, onde a bola deve ser colocada
Falta - infração dentro de campo; se ocorrer dentro da grande área, é pênalti
Goleiro - único jogador de um time que pode pegar a bola com as mãos, mas apenas dentro de uma área delimitada; seu uniforme deve ser diferente dos de seus companheiros de equipe
Gol olímpico - quando, após a cobrança de escanteio, a bola entra direto no gol, sem que um jogador do time que ataca toque na bola
Impedimento - quando o jogador de ataque está à frente do penúltimo defensor adversário no momento em que a bola é passada para ele
Lateral ou ala - jogador que defende e ataca perto da linha lateral do campo
Meia - jogador de meio-campo que normalmente arma as jogadas de ataque do time e auxilia na marcação
Pênalti - tiro livre direto batido a 11 metros do gol, sem barreira
Prorrogação - utilizada quando existe empate em partidas eliminatórias -quartas-de-final, semifinal e final
Tiro de meta - é a reposição da bola em jogo, feita dentro da área do goleiro após sua saída pela linha de fundo
Tiro livre direto - cobrança de bola parada em que é permitido chutar diretamente para o gol adversário
Tiro livre indireto - cobrança de bola parada em que o gol só será válido se a bola for tocada por outro atleta além daquele que cobrou o tiro
Volante - meia que normalmente joga à frente dos zagueiros, atuando principalmente na marcação
Zagueiro - jogador que atua recuado no campo, marcando as jogadas de ataque do adversário
Futebol brasileiro fica com a prata em Atenas
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A seleção brasileira feminina de futebol conquistou a inédita medalha de prata nos Jogos Olímpicos. Mesmo jogando melhor, a equipe brasileira perdeu por 1x0 na prorrogação, após empate de 1 a 1 no tempo normal. O time americano saiu na frente na etapa regulamentar,
com gol de Tarpley aos 38 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo,
Pretinha igualou o placar para o Brasil. As jogadoras brasileiras
tiveram chance de vencer o jogo, mas não conseguiram marcar o gol e a
partida foi para a prorrogação. O gol decisivo foi marcado por Wambach,
de cabeça, aos seis minutos do segundo tempo, do tempo extra. |
Murilo Garavello
Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia) Se fosse possível atribuir valores a medalhas, a prata conquistada pelo futebol feminino valeria mais do que todas as outras obtidas pelo Brasil. Nenhum dos medalhistas brasileiros lida com condições tão adversas quanto as meninas derrotadas dramaticamente pelos EUA na prorrogação.
Ao contrário de Robert Scheidt, Torben Grael e Emanuel/Ricardo, elas não têm patrocínio. Também destoam do resto da delegação do Brasil, turbinada por verbas da Lei Piva -o COB não repassa dinheiro à CBF. Para o futebol feminino, sobram apenas algumas migalhas do que é arrecadado pela seleção pentacampeã. Em Atenas, o Brasil superou tudo isso. Chegou à final com o melhor ataque e a melhor defesa da competição -só havia sofrido gols justamente contra os EUA. Na decisão, protagonizou um jogo dramático e emocionante contra as americanas, favoritíssimas e que haviam vencido 17 dos 21 duelos anteriores contra as brasileiras. Marta, Cristiane, Rosana, Formiga, Pretinha e cia. exibiram um ótimo futebol na decisão. Fizeram belas jogadas e mostraram habilidade, mas falharam demais na conclusão -e um pouco em sua organização. Não conseguiram superar o metódico time americano, que mostrou ter como virtude a obediência ao esquema tático. Após o 1 a 1 no tempo normal, no segundo tempo da prorrogação os EUA fizeram o gol da vitória, de cabeça. No entanto, as mulheres do Brasil saem como vitoriosas. A prata em Atenas faz desabar um incômodo jejum de oito anos. Na estréia olímpica do futebol feminino em Atlanta-96, a seleção foi derrotada pela China, nas semifinais, depois de estar vencendo por 2 a 1. Na disputa do bronze, o Brasil perdeu para a Noruega, então campeã mundial, por 2 a 0. Quatro anos depois, em Sydney-2000, a seleção feminina caiu diante da Alemanha por 2 a 0 na decisão da medalha de bronze no torneio. Na semifinal, as brasileiras haviam perdido para os EUA por 1 a 0. A espera pela medalha enfim acabou com a vitória por 1 a 0 sobre a Suécia na semifinal na Grécia, quando o Brasil assegurou pelo menos a prata na decisão contra as norte-americanas. Na festa das mulheres, um homem vencedor. Ao levar a seleção feminina à medalha em Atenas, René Simões adiciona mais um feito histórico a sua carreira. Anos antes, o treinador praticamente "inventou" o futebol da Jamaica e levou os desconhecidos caribenhos à Copa do Mundo de 1998. Com uma trajetória vencedora incomum, em nichos "estranhos", que não inclui nenhum triunfo relevante com clubes de ponta do país, Simões ficará na história como o técnico que fez a seleção feminina parar de bater cabeça em competições internacionais, adquirindo finalmente uma face competitiva. "Ele (Simões) é um fora-de-série, conhecedor profundo do futebol. Desde sua chegada estamos muito mais motivadas. O trabalho dele está sendo marcante", afirmou Kelly na véspera da final olímpica. René Simões substituiu Paulo Gonçalves no começo do ano, assumindo uma seleção pouco motivada diante da estrutura do futebol feminino do país. Mas, conhecido motivador, o treinador aos poucos conquistou a confiança das jogadoras, fazendo o sonho de uma boa participação olímpica crescer para suas comandadas. Antes da viagem para a Grécia, Simões implantou uma tática motivacional, que consistia em cada jogadora carregar uma bola de tênis, para qualquer lugar que fossem. De acordo com o treinador, a brincadeira significava simbolicamente que cada uma de suas comandadas não deveria se esquecer da meta de uma medalha. As brasileiras não só acataram a idéia, como se deixaram empolgar por ela. Agora, a seleção feminina -e todas as jogadoras de futebol do país- esperam que a prata seja suficiente para sensibilizar e emocionar os brasileiros. Em uma nação que dá valor apenas aos vencedores, será suficiente uma prata olímpica carregada de emoção para que se crie um campeonato nacional? Depois da classificação para a decisão, Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), marcou presença na festa olímpica e manifestou a intenção de se erguer uma liga feminina no país. É esperar para ver. |

Feminino
| País | Total | |||
| 1º ARG | 1 | 0 | 0 | 1 |
| 1º EUA | 1 | 0 | 0 | 1 |
| 3º BRA | 0 | 1 | 0 | 1 |
| 3º PAR | 0 | 1 | 0 | 1 |
Masculino
Classificação final
1. Argentina
2. Paraguai
3. Itália
Final
Argentina 1 x 0 Paraguai
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