Daniel Neves
Bruno Pinheiro
Derek Warwick

Olimpíadas 2004

 

 

A Esgrima é um esporte latino e seu nome vem de escrime, originado da palavra germânica "skirmjan". Podemos dizer que a Esgrima é a arte de duelar com as armas brancas; além das armas convencionais, ( o Florete, a Espada e o Sabre ) armas de corte e de ponta. O objetivo da Esgrima atual é preparar o praticante para demonstrações e campeonatos, já que o duelo está proibido em quase todo o mundo. A principal condição para esgrimir corretamente é tocar o adversário sem ser tocado, através de movimentos ordenados.

A história da Esgrima é muito rica e seu desenvolvimento está ligado à guerras, ao aperfeiçoamento das armas brancas e ao surgimento da pólvora. Podemos dividi-la em três etapas:

    - Antiga- Moderna- Contemporânea.

A ESGRIMA ANTIGA

O período antigo foi marcado pela Esgrima de impacto que era causado pelo choque de espadas muito pesadas sobre o corpo do oponente, o que o levava ao chão.

Naquela época eram utilizadas grandes e resistentes armaduras com um pulôver tecido em fios de ferro e aço que, usado por debaixo, protegia o corpo durante os combates e duelos, contra as flechas e auxiliando nos confrontos contra machado, bastão e lança.

No século XI eram realizados Torneios, a mais alta inspiração da cavalaria, a glória dos moços e o ânimo do espírito dos velhos. Neste tempo, o Torneio era considerado um exercício de nobres, onde só os homens, representantes da nobreza poderiam participar. Ele era a festa solene onde os cavaleiros mostravam sua agilidade e vigor nos jogos e combates corteses com armas brancas. Eram divertimento em que os cavaleiros podiam dar provas de bravura mantendo, mesmo em tempos de paz, a evolução das artes de combates, entre elas, a Esgrima.

Os juizes, nomeados "Marechais de Campo" eram auxiliados pelos Conselheiros, que tinham seus lugares marcados no campo de batalha, para manter as leis da cavalaria e dar conselho e socorro aos que precisassem. As regras da Esgrima atual são as que mais se aproximam das regras dos duelos, que aprimoraram a arte de lutar e matar seu adversário, mesmo no tempo das armaduras. O pulôver tecido em malha de fios de aço entrelaçados, usado por baixo da armadura, dificultava que flechas e espadas pudessem perfurar o combatente, devido à indumentária o cavaleiro tornava-se extremamente pesado. A espada era usada para derrubar o oponente, que uma vez caído, dificilmente levantava-se, ficando à mercê do seu adversário que para esta hora, normalmente guardava técnicas apuradas para uma morte lenta e com muito sofrimento. Para tentar evitar este problema os soldados romanos não se separavam de suas armas e couraça, este hábito era tamanho, que fazia com que eles nem percebessem mais o peso da indumentária, tornado a armadura parte quase como uma peça integrante ao corpo.

Batalhas sanguinolentas e defesa da honra eram motivos para o uso da espada. Séculos e séculos depois a esgrima passou a esporte olímpico. Passou para os salões nobres. No túmulo de Sargão, rei de Acadi, foram encontradas lâminas de espada. São mais de 5 mil anos passados. Na Antiguidade lâminas fracas eram uma constate. Eram de Bronze e ficaram fortes ao serem substituídas pelas de ferro.

Os primeiros tratado da esgrima como esporte são de 1474. Os espanhóis Pons e Pedrós Torres foram seus autores, mas há referência da esgrima como esporte em manuscrito alemão do século XIV. Antes disso, pode-se disser que 100 anos atrás, surgia em Frankfurt, na Alemanha a, Marxbrude Guild, de esgrimistas alemães com armas medievais. Eram armas mal-acabadas, pesadas, sem proteção quem as aperfeiçoou foram os italianos, criando espadas de dois cortes. A Europa adotou-as, com exceção da Inglaterra. os ingleses preferiam o " montante " ou espadão foi o conde Koenigsmarken, da Polônia, quem forjou, em 1680, a espada lâmina estreita. É a forma da moderna espada para esgrima. Graças ao Dr. Graeme Harmond, em 1891, a esgrima passou a ser um esporte de competição nos Estados Unidos e começou a ser mais difundido, porém russos, suecos, italianos, alemães, húngaros e franceses continuaram a ser os principais competidores da modalidade.

 
 
 

Com a descoberta da pólvora e o desenvolvimento das armas de fogo ( Canhões, Arcabuzes e Pistolas ) a vantagem das armaduras foi desaparecendo e só os "Grandes Senhores" continuavam usando-a, muito mais por tradição que por necessidade. Contudo o uso de couraça, para o tronco, e do capacete continuaram.

A espada usada no início da pratica da Esgrima alemã feita em ligas de bronze e ferro e, geralmente, de dois gumes, cortando quando caía e subia, era pesada e grosseira além disto não tinha proteção para as mãos, o "Copo", que tinha esta finalidade só foi inventado pelo Capitão do exército espanhol Gonçalo de Córdoba, falecido em 1515. Sua espada está em exposição no museu de Madri.

Os italianos aperfeiçoaram o Florete, arma fina e longa, logo aceita pelos alemães que abandonaram suas incomodas lâminas. Na França, usava-se uma espada curta que, muitas vezes, confundia-se com uma Adaga ou punhal pequeno. As armas na Inglaterra eram longas, largas e pesadas. Já na Espanha, os espadachins, ora usavam o florete italiano, ora a espada curta francesa e ainda as longas e pesadas inglesas.

Todos os anos realiza-se o Campeonato Mundial de Esgrima, com exceção dos anos Olímpicos. A Esgrima participa deste grande evento desde os primeiros Jogos Olímpicos em 1896, em Atenas. Nos Jogos Olímpicos de 1924 temos a primeira participação das mulheres.

Na sua maioria, os principais expoentes da Esgrima são dos países Europeus, Cuba, Canadá e China,. No Brasil, esta modalidade está em amplo desenvolvimento com um histórico de atletas de talento e expressão, com especial destaque para a Equipe da Federação Paulista que constitui a grande maioria da Equipe Brasileira.

A Esgrima hoje, no cenário mundial, é um esporte altamente desenvolvido, onde tecnologia moderna e segurança são complementadas pelo treinamento físico e mental dos atletas que a praticam.

A esgrima é composta por três armas (Florete, Sabre e Espada), onde um esgrimista joga apenas uma delas.

Espada

fig1: Alvo válido ressaltado na cor branca.

O toque é dado com a ponta da arma e é válido em todo o corpo (ver a figura acima).

Quem tocar primeiro ganha o ponto.

A lamina é triangular com no máximo 90cm.

 

Florete

Fig2: Alvo válido ressaltado na cor branca.

Também toca de ponta e é válido apenas no tronco (ver figura acima).

O florete apresenta algumas diferenças na regra diante da espada, dentre elas a que mais se ressalta é a de que se os dois esgrimistas tocarem juntos, o toque é dado ao esgrimista que estiver ganhando a frase d'armas, ou seja, áquele que estiver atacando, ao contrário da espada, onde o toque é dado aos dois.

A lâmina também mede 90cm e é triangular, porém é mais fina do que a lâmina da espada.

 

Sabre

Fig3: Alvo válido ressaltado na cor branca.

O sabre toca de ponta e de corte (lado) acima da cintura, e assim como o florete tem a vantagem do toque para quem está atacando.

A lâmina mede no máximo 88cm e é quase retangular.

Em um campeonato, em primeiro lugar é dividido os grupos (escolhidos através do ranking), em seguida joga-se os grupos (em combates que vão a cinco) que classificam para as chaves eliminatórias (em combates que vão a quinze) até que se chegue ao grande campeão.


Regras gerais - Nos Jogos Olímpicos, as competições de esgrima são disputadas em eliminação direta simples. Ou seja, perdeu, está fora. Há disputas em três tipos de armas: o sabre, a espada e o florete. Com qualquer um dos instrumentos, ocorrem torneios individuais e por equipes, formadas por três atletas de cada país. A diferença básica entre a categoria masculina e feminina, nas Olimpíadas, é que as mulheres não competem nas provas por equipes no florete e sabre.

Pontuação - Os pontos são marcados toda vez que as armas tocam ou raspam o corpo do atleta. Na espada, a ponta é retrátil e qualquer toque, dos pés à cabeça, é valido. Já no florete a ponta da arma só pode tocar o tronco do adversário. No sabre, qualquer raspão acima da cintura já vale ponto. Os lados da arma também são válidos para tocar o corpo do adversário.

Masculino
Individual Equipes
Florete Florete
Espada Espada
Sabre Sabre
Feminino
Individual Equipes
Florete -
Espada Espada
Sabre -
Pontos eletrônicos sem fio contam os toques. Quando o atleta à esquerda da mesa toca seu adversário em uma região válida, a luz verde é acesa. Quando é o atleta à direita que toca o oponente, acende-se a vermelha. Se o golpe atingir uma região do corpo que não é válida, uma luz branca é acesa.

Individual - Nesta disputa, é vitorioso o atleta que atinge 15 pontos, ou quem tiver a maior pontuação ao final de três tempos de três minutos cada. Se o tempo terminar e a disputa estiver empatada em menos de 15 pontos, disputa-se uma prorrogação de um minuto até alguém marcar um ponto.

Equipes - Cada uma é formada por três esgrimistas. Quando um dos atletas atinge cinco pontos, entram outros dois para continuar o combate, seguindo o placar deixado pelo companheiro, e assim por diante, até que uma das equipes chegue a 45 pontos.

Infrações - As faltas mais constantes na esgrima são o corpo-a-corpo e a saída da pista de 14 m de comprimento por 1,5 m ou até 2 m de largura, além de dar as costas para o adversário e usar a mão não armada.

Punições - Ao cometer uma falta, o atleta recebe um cartão amarelo. Na reincidência, recebe um cartão vermelho, o que acarreta um ponto a favor do adversário. No caso de uma falta mais grave, o atleta pode chegar a receber o cartão preto, que determina sua expulsão ou exclusão da prova.

Uniforme - Os esgrimistas são os únicos atletas olímpicos que usam roupa dos pés à cabeça. Coletes reforçados defendem o tronco. As luvas garantem as mãos, e a máscara protege o rosto e a cabeça. A maior parte da roupa é feita de materiais muito resistentes, como Kevlar e outros derivados do carbono, que são utilizados em coletes à prova de balas.

A fundo - movimento usado para realizar um ataque

Ataque - ação ofensiva inicial executada com o braço e com um movimento progressivo (a fundo, flecha, balestra etc.)

Ataque simples - ação ofensiva, direta ou indireta, executada em um tempo

Ataque composto - quando comporta uma ou mais ações

Balestra - salto curto em direção ao adversário

Cartão amarelo - advertência dada após o atleta cometer falta

Cartão preto - expulsão do atleta

Cartão vermelho - advertência dada após a reincidência de uma falta

Copo - parte da arma que protege a mão do atleta

Corpo-a-corpo - situação em que os esgrimistas têm contato corporal

Em guarda - a posição básica que permite ao atleta atacar ou defender

Engajamento - situação de duas lâminas em contato. Engajar consiste em tomar contato com a lâmina adversária

Empunhadura anatômica - empunhadura especialmente moldada para facilitar o controle da arma

Espada - para pontuar, a arma pode tocar o corpo inteiro do adversário

Estocada - termo antigo designando um golpe executado pela ponta da arma

Finta - simulação de uma ação ofensiva ou contra-ofensiva

Flecha - ataque rápido, ou uma progressão ofensiva que consiste em um desequilíbrio do corpo para a frente precedido de alongamento do braço junto com uma explosão alternativa das pernas

Florete - para pontuar, a arma só pode tocar o tronco do adversário

Lâmina - chapa fina de metal ou de outro material

Linha - porções do alvo consideradas em relação à lâmina do esgrimista

Linhas altas - partes do corpo acima da mão armada, quando se está na posição de guarda

Linhas baixas - partes do corpo abaixo da mão armada, quando se está na posição de guarda

Linhas externas - partes do corpo correspondentes ao lado das costas da mão armada, na posição de guarda

Linhas internas - partes do corpo do lado da palma da mão armada, na posição de guarda

Linha de engajamento - parte do alvo na qual a arma está engajada

Penalidade de um metro - após infração, atleta dá um passo para trás

Pista - local delimitado onde se desenvolve o combate

Presidente - árbitro, juiz ou diretor de combate

Punho - parte de madeira, metal ou plástico destinada a segurar a arma

Sabre - para efeito de pontuação, qualquer raspão acima da cintura, com os lados da arma, são contados

Fotos


O francês Hugues Obry comemora um ponto na vitória sobre
a Alemanha na semifinal por equipes na espada


O francês Hugues Obry mostra a medlaha de ouro
conquistada no torneio de espada por equipes

O francês Hughes Obry (á direita) no combate contra o
húngaro Ivan Kovacs, na final da espada por equipes

Os esgrimistas da equipe francesa celebram a conquista
do título de espada por equipes sobre a Hungria


Quadro da modalidade
  País Total
  1º ITA 3 3 1 7
  2º FRA 3 1 2 6
  3º HUN 1 2 0 3
 11º BRA 0 0 0 0
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