|
Sangue...
no asfalto! Encontrei
minha elegante amiga Nereide. Ela havia, generosamente, lido os dois
textos sobre “sono polifásico” e deu-me razão: não entendeu nada!
De lambuja, perguntou-me: “Vai continuar “dando sono” aos leitores,
repisando nos Dirceus, nos Paloccis, nos Azaredos, nos Delúbios...? Ando
enojada e enjoada!” Mas
deu-me carona até o centro, porque eu precisava comprar uma panela de
pressão. Havia dado pane na válvula, isto é no “apito” da minha. Caixa
à sovacola, voltei
pensativa. Penso que somente pensamos quando um pensamento está a nos
incomodar o cômodo sentimento da feliz comodidade improdutiva. Foi
quando visitou-me o Bud (de omBUDsman), personagem que inventei
(no livro Quatro Bruxas) para dialogar comigo, de modo a não ficar
sempre falando sozinha. Ele é muito crítico, severo e, muitas vezes
impaciente. Como o leitor, graças a Deus. – Como? Disse-me ele, “vai escrever novamente sobre o “sono” que você causa, atendo-se aos assuntos desastrosos da corrupção, das pizzas, dos acordões, das cassações e das não cassações?!...” – Aposto que essa caixa que tem sob o sovaco seja... uma panela de pressão!? Inda que não goste de concordar sempre com você, hoje a razão lhe pertence. Neste imenso Brasil, hoje uma ameaçadora panela de pressão na credibilidade sobre a eficácia da Democracia, confesso: não há “apito” brasileiro que mais resista! Mas... como sou otimista e as eleições estão chegando, tangenciarei pelas bandas de um outro desastre, que me foi contado por um amigo. Esse
amigo, a esposa e dois filhos voltavam de uma viagem, depois de alguns
belos dias passados no litoral, junto aos prazeres de rumorejante mar. Era
dia quando de lá saíram, mas o congestionamento da serra os foi
atrasando muito e a noite chegou quando finalmente alcançaram a via
Anhangüera. A família
amorenada queria chegar logo ao doce lar, evitando que uma viagem longa e
cansativa anulasse os benefícios daqueles maravilhosos dias à beira-mar. Tudo
ia bem, até que, após um aclive... qual não foi a surpresa! Imensa fila
de faróis, a perder de vista, indicava um desastre de grandes proporções.
A passo de tartaruga iam indo, rumo ao local da tragédia. O silêncio
entre os quatro era grande. A consternação também. Isso aumentou muito
quando lograram visualizar um tétrico espetáculo que o lusco-fusco dos
faróis prenunciava. Parecia que uma chuva de sangue tingia de vermelho o
asfalto, onde, pasmem! Cabeças, muitas cabeças... sem os corpos...
jaziam tétricamente tingidas! Um
espetáculo bem digno de um desses filmes de horror, sangrentos, ensangüentados,
que as televisões gostam de passar num valente e incontrolável propósito
de cultuar a violência. Assassinatos encomendados pelas máfias em todos
os idiomas. Assassinatos encomendados pelos poderes de invisíveis grupos
políticos que, do alto do Olimpo – eis que a deuses se auto-promoveram,
determinam quem vive e quem morre, desde que a “imagem” seja blindada
e... a sujeira... escondida! Voltemos
às sangrentas cabeças nossas. Seria
uma decapitação à moda iraquiana?! Havia
dois grandes caminhões bastante danificados, tombados e trombados... um
começo de incêndio aqui, outro ali mais iluminavam a vermelha noturna
paisagem asfáltica. Chegou
a vez de a família passar. Os
dois caminhões tombados e trombados... transportavam grandes cargas de...
melancias! ADENDO:
hoje, quarta, dia 15, após redigir o “texto” da semana, ouço o
depoimento do marqueteiro Duda Mendonça, protegido por hábeas corpus,
para não ser preso. As CPIs são passageiras, com alguns elementos compráveis!
Porém, otimista, creio, ainda em Instituições permanentes, como o
Ministério Público, os “Supremos” todos, as Polícias todas, os
Juizes todos e, para mim, o
“Duda” também sabe disso. O que, realmente, ele está fazendo...é
tentar o uso-fruto da “Delação Premiada”. Sabe,
leitor, quando formos mais evoluídos, não haverá mais nada, em nenhuma
instância e em nenhum “instituto” que o povo paga...que será
“secreto, escondido”. E isso
depende da sua luta e da minha luta. Depende da luta de todos! Que Deus
nos conceda força para tanto! |