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Segunda parte da... entrevista – na redação de um pequeno jornal.

Como Pequeno Jornal Acaba com Grande Epidemia.

Sra entrevistadora, vou passar a palavra já ao Bud.

– Conte a ela, Bud, como foi esse “causo”.

– Foi em 1983, na cidade que preferimos elegantemente chamar de City. Vou ler o que se publicou naquela ocasião: “Taí uma coisa esquisita. Que alguém seja atacado de bronquite, sinusite, caspa, asma, calo... vá lá! Que seja atacado por bandidos, seqüestradores, políticos...vá lá! Infelizmente comum. Já um ataque... de varejeiras é demais, mesmo para a City, onde tudo que é bom vem no varejo, e, para compensar, o restante vem no atacado... é... bem, o motivo desta publicação é que o telefone tocou 999 vezes; do centro e adjacências. O assunto, sempre o mesmo, era a City querida sendo atacada por varejeiras. Com insignificantes diferenças,  acontecia assim:

– Trrrrrriiiiiiimn...!

– Alô, aqui é do jornal Krítica, pessoal já cansado desse cujo fone e... estamos... mais ou menos só, às ordens. Quem está lá?

– Bem, neste exato momento, está NO telefone uma varejeira e...

– Muito prazer! Então a senhora vende coisas no varejo, e? Olha, eu já...

– NÃO!!! Eu não vendo coisas no varejo. Quem faz isso é varejista. Sou dona de casa.

– Que felicidade! Eu pago aluguel. Concluo que, a Sra, AO telefone, falando em comércio e ligando à redação de importante jornal, a atacadista aí já tenha reclamado no Procon, Sedecon, Xuxucon, Bananacon, e Nadacon (sindicato dos milhões que nada comem) e... concluo que não tenha adiantado nada, não é? A Sra. está querendo que eu lhe forneça o telefone do meu amigo, o Ministro da Justiça...

– NÃO!!! Só quero saber o que esse jornal está fazendo contra o ataque das varejeiras.

– Ataque de mosca verde, é?

– Isso! Ela produz lesões profundas e purulentas... o quê o jornal pode fazer por nós e contra elas?!

A Sra. quer que o jornal faça alguma coisa. Devo atacá-las?

Acaso é a favor das moscas verdes?!

– A favor a favor propriamente não. É a cor. Seria mais fácil... algo azul ou rosa... porque, do jeito que os donos do poder perseguem este importante jornal, certamente receberíamos mais um processo. Crime contra a ecologia. Tentando acabar com o verde.

– Então publica uma nota, pedindo às autoridades competentes uma solução.

Isso foi feito.

 NOTA.

Falo em nome das donas de casa da City e solicito, usando dos meus direitos de cidadania, que as autoridades competentes verifiquem a causa desse esverdeado ataque que ocorre e que acabem com ele. E com elas.

Depois da nota dela, o jornal colocou uma sua.

NOTA DA REDAÇÃO.

Se a competência das autoridades competentes resultar incompetente, como quase sempre resulta, a reclamante anote aí esta receita: compra um jornal, do dia, enrola, bem enroladinho, e bate forte na mosca verde com ele. Olhe, se for o Estadão, a coisa não nega nunca! Se for a magrinha Krítica, precisa de várias tentativas e de boa pontaria: “na mosca!”. Com pernilongos os resultados têm sido satisfatórios. Mais eficiente que estilingue.”

E no final, Bud, como foi que acabaram com as varejeiras?

  Triplicando a tiragem do jornal. Verdade!

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