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O Sujo Feijão da Política.

   Feijão, porque é aquilo que comemos com arroz, no dia a dia. Todos o conhecemos. É por esse motivo que uso dele, para uma comparação bem simples.

Quem não se lembra (não é?) de um armazém da sua infância O meu era o do Paquito Carreon e ficava numa esquina. Cada um tem o seu armazém. Eles funcionavam de forma diferente dos supermercados de hoje, tudo embaladinho, lustroso e limpo. O feijão, como o arroz, como o milho, ficava estacionado num saco de juta, com as bordas viradas para fora.

Lembro-me que eu vivia numa casa de muita gente. Muito feijão. À noite, invariavelmente, eu e minha tia Alice nos sentávamos, frente à frente, num canto de comprida mesa. Grande monte de feijão entre nós duas. Pacientemente, pegávamos punhadinhos e íamos separando. Feijões bons, de um lado, cisco, gruminhos de terra, torrõezinhos, casca de feijão sem nada dentro, grãos carunchados, de outro lado. O lado da lata de lixo. Escolhida e limpa, a parte boa desfrutava de um “spa” hidratante, até a madrugada seguinte, quando, num fogão de lenha aconchegante, a imensa família acordava com cheiro de feijão cozinhando e de louro...

“Mardita saudade!”...

Transpondo o feijão para a política (com mil perdões aos bons feijões), é de todos conhecida a imensa luta pelo poder. Do PT, do Lula e do PSDB, do Fernando Henrique Cardoso. Quando Roberto Jefferson apareceu, ano passado e, emagrecido, bem falante, inaugurou a era “mensalão”, os opositores de Lula esfregavam as mãos, incapazes de esconder o contentamento. O PT, anti-corruptor pelos sagrados genes de nascimento... era corrupto!! (A bem da verdade, alguns petistas.)

E o tempo foi passando, e o tempo foi passando. Eu sempre digo aos meus filhos que o tempo é o pai da verdade.

Um belo dia, a sócia do marqueteiro Duda Mendonça é convocada e o bom Dudinha vem junto e compromete ainda mais o PT, de quem havia recebido dinheiro não contabilizado, no exterior. Uma bomba!! Mas... o tempo continua passando e passando. CPIs, CPMIs alvoroçadas todas, em busca da VERDADE. Doa a quem doer! Pelo menos até que o Dudinha, tendo perdido algumas publicidades do governo... solitariozinho... persona non mais grata... foi ficando brabo e, perante a expectativa de ser reconvocado a prestar depoimentos... e jurou “contar tudo, de todos”!! e ele deve saber muito mesmo, porque fez campanha para quase todos os partidos. E o “pai da verdade” foi passando. Apareceu uma lista a que não dei importância, porque apócrifa. Mas... mas... os opositores de Lula deram! PSDB, PFL, PTB, PL e PP estavam comprometidos!

E toda a nossa politicalha resolveu tomar um banho gelado. “Vamos esfriar”! “Não, não devemos convocar o Dudinha!” E... em “troca”, também não convocaremos o banqueiro  Edemar Cid Ferreira, proprietário do falido Banco Santos e... que coincidência! Mui amigo do “irrepreensível” senador, ex-presidente José Sarney... que do Banco Santos retirou, dias antes da falência... todo o seu rico dinheirinho de lá! Dizem que não era pouco! Acredito. Depois, há mais um elemento: o do lobista Nilton, que foi o denunciante do “caixa 2” na campanha do tucano mineiro Eduardo Azeredo.

O “Amor à verdade”, doa quem doer, foi ficando tão pequeno, diminuto mesmo... que desapareceu!!

Resulta, querido leitor que, nessa politicalha, um é refém de outro e o “oitro” é refém do “ium”!

Não interessa mais, a ninguém, a convocação do Dudinha que, no meu modesto ver, é quem manda, hoje, no País, por conta da podridão que conhece!! Aliás, sabia que foi “recontratado” pelo Lula, para mais uma propaganda enganosa?!  A auto-suficiência do Brasil na extração do petróleo. Um grande feito que não é dele, mas produto histórico que, desde a sua fundação por um patriota, foi seguindo um rumo ascendente, para cima e para o alto, investindo em técnicos qualificados, em avanços da ciência de última geração... embora maus elementos ali existam! Eles existem sempre! Não é privilégio nosso, brasileiro.

Isto posto, parece que um “arranjo” vigora nas altas esferas da politicalha, em Brasília. Contra nós, o povo que paga os mais altos impostos do planeta e, em troca, recebe os piores serviços, em Segurança, em Saúde, em Educação... etc e tal. (A corrupção come tudo... ela está desenfreada...!!, na maioria dos partidos).

Querido leitor, volto à mesa longa da minha feliz infância, em que eu e minha saudosa tia Alice colocávamos na panela um feijão limpo, lavado, escolhido, para a família!

O que a politicalha de Brasília pretende, um salvando o “oitro” e o “oitro” protegendo o “ium”... é fazer o povo brasileiro engolir o feijão de cada dia, numa “panela” onde vai caruncho, grumos de terrão, sujeiras várias, casca de feijão apodrecido, tudo embutido num “acordão” com o qual nós, povo sofrido, não podemos concordar!!”

Eu não sei o quê você, leitor amigo, pode fazer, a respeito. Talvez apenas falar com o vizinho. Sei o quê farei. Enviar esse texto a deputados e senadores, para que saibam que o eleitor não é mais o “besta” de ontem. Estamos a exigir serviços pelos quais pagamos. E... um mínimo... seria a honestidade... mínima, de que eles são capazes. Uma pergunta eu gostaria que você perguntasse, comigo: “Quando é que o Duda irá depor?”

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