Quem
diria! Como
brasileira normal que pretendo ser, mas ignorante como sei que sou, até a
semana passada... pensava no Amazonas como um Estado bem... molhado! Lembro-me,
ainda, das aulas do antigo Grupo Escolar, em Nova Odessa: O rio Amazonas,
que só perde, em extensão, para o Nilo, constrói a maior bacia fluvial
do mundo! Tudo para mim era maior e melhor no mundo!
Minha Nova Odessa era a melhor cidade do mundo; minha família era
a melhor família do mundo; o rio Quilombo era o melhor pra se nadar, no
mundo; o pé de manga espada no quintal do vô Gazzetta era o maior do
mundo; as bandeiras do Brasil, da Itália e da Letônia eram as mais
lindas do mundo! Tudo
era o melhor e o maior! Mal
sabia eu que, mais tarde, teria notícias de que a fome nossa era das
maiores do mundo... Voltemos
ao rio Amazonas, que, nascendo no lago Lauri (ou Lauricocha), no Peru, bem
tranqüilo... faz coligação com muitos afluentes. Na parte brasileira,
chutando pela direita: Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu.
Chutando pela esquerda: Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jarí. Dessa
coligação não política, o rio vai crescendo e crescendo! Fica muito
forte, caudaloso e imenso! Tão forte que ele vai arrancando tudo pelo
caminho, até chegar ao Atlântico, lá pelas bandas das ilhas Marajó,
Caviana e Mexiana, onde oferece o maior espetáculo do mundo, as pororocas
(ou sororocas, no futuro?) Apaixonei-me
pelo rio. Pela imensa força, pela pujança, pela arrogância (nada a ver
com a do José Dirceu, que, aliás, já diminuiu. Lembra-me um conselho
que girava na família: não ser arrogante com os humildes e nem submisso
aos soberanos). Para mim, o
rio Amazonas era a própria força reunida da natureza toda! E mais
empolgada ficava, ao imaginar as volumosas águas fazendo doce, por 200
quilômetros, o Atlântico! Uma luta entre gigantes! (Acho
que tenho mania de grandeza). Aposto
até que conversavam. O Atlântico contava as vantagens do progresso, do
grande desenvolvimentos dos países que banhava... o Amazonas, arrogante,
mas romântico, contava as lendas de Curupira, Açaí, Iara, Boto, Matinta
Pereira e... a cada vez que contava a lenda da Vitória Régia (parente do
Lótus do Nilo)... o Atlântico se acalmava, banhando com lindas ondas
costuradas de branco as praias todas ao nascer do sol e, já à
noitinha... recolhia um pouco as águas, aninhava-se sob o céu bordejado
de estrelas e acalentava-se com o amor de toda essa costa...
esplendidamente brasileira... e... – Um momento, péra aí! Quando é que vai parar com essa lenga-lenga e dar a receita de como defumar peixes? –
Eu
disse que ia?! –
Você
é um dilúvio de confusão, sua... –
Calado!!
Nesta honrada cabana está proibido tudo parecido com Delúbio! A confusão
é só sua. A diversão é minha. Continuando,
a região do Amazonas não está mais molhada! Tudo seco, toneladas de
peixes mortos... amazônicos curtindo fome. E aí, fico olhando não só a
seca na Amazônia, mas incomoda-me o fato de tantos desastres naturais,
furacões em todas as letras do alfabeto (já começaram com o alpha
grego) a trazerem destruição pelo mundo! Tudo
deve estar ligado, deve haver razão lógica. E procuro ler e ouvir
pessoas inteligentes. Lógico que descarto as explicações simplistas, do
tipo: “é porque derrubaram alguns quilômetros de matas ciliares”. Bobagem!
E mais bobagem: “é porque derrubaram muitas árvores pra fazer pasto de
gado!”. Apenas
um argumento a essas bobagens: sobrou algum pedaço de asfalto, na
inacabada Transamazônica ou... a possante floresta engoliu tudo? Não! Não
sou confusa! Sou inversiva, sim, subversiva muito, a ponto de não crer em
lorotas pontuais ao consumo das massas, como esse tal de referendum; do
mesmo modo também que não confio no raciocínio sintético, que vê as
partes. Sou guestaltista, em pró da análise do todo! Acabei
achando um argumento analítico, guestático e plausível para os
desastres, TODOS. A Terra é,
mais ou menos, uma bola. Com quentura no centro. Ali há o magma que os
vulcões vomitam, de vez em quando, junto a materiais piroclásticos. A
estrutura da Terra, do centro até a superfície, era uma, antes e
equilibrada. Com petróleo e minerais em abundancia. Formavam uma certa
camada de proteção natural que impedia o calor do magma avançar à
superfície. Tudo foi sendo cutucado, retirado... estuprado! As
temperaturas aumentam, de dentro para fora, tentando secar.E de fora para
dentro, por causa do furo na proteção de ozônio A média da temperatura
geral aumenta. Geleiras derretem, o mar vai engolindo ribeirinhas; a
evaporação aumenta, a pressão atmosférica se abala, formam-se nuvens
carregadas e... chuvarada!! Feroz ventania!!... Vendavais há muito não
vistos! Agora
eu entendi. Não muito. Mais ou menos... Entendi que a Mãe Natureza, que
reproduz quatro estações todo ano, dando nova oportunidade ao
lavrador... ela... ela não perdoa!! Justiça não política e fajuta, mas
natural. E o mesquinho, ambicioso ser humano, embora alardeie a palavra
“sustentável”, graças a Deus, nada pode contra ELA. Dando-me
satisfeita, volto à defumação de peixes. Na verdade, estou à procura
de uma resposta “guestática”, analítica, sobre a atuação das ONGS.
Não sei muito delas, a não ser que uma, desarmamentista,
paga dinheiro à Globo. Sei que nós, povo, pagamos pela atuação
de um monte de ONGs. Li que um belo dia, chegou um “missionário”
intrometido, lá pelas bandas. Era brasileiro!! Eu não acredito na
“ajuda” de estrangeiros, companheirada, nosso país é muito rico!!
Precisaríamos de um menor número de Ministérios sustentados que
agissem com maior brasilidade! Infelizmente... há brasileiros
pelo poder de outros comprados... quando é sabido que olhos
gordos, norte-americanos, já estão na Venezuela, Peru e Paraguai,
armados até os dentes...? Marines. A palavra lhe sugere algo? Ouviu esse
fato grave, pela Globo?... Claro que não... E
aí fica a perguntinha, dividida: – 1) Quanto pagamos pelas ONGs que atuam na Amazônia? Será que
conhecem a história bíblica das 7 vacas gordas e das 7 vacas magras? –
2)
Por que é que nada foi ensinado aos simples amazônicos em prevenir, em
precaver, em guardar o peixe abundante, defumado ou salgado como bacalhau,
para o imprevisível amanhã?! Ou... vamos ficar no bem-bão de hoje,
dando só de comer, sem, pedagogicamente, ensinar nada de pragmático?
Continuarão a... cuidar de bichinhos... pela não extinção?
E os amazônicos que se danem? Sou sim, subversiva da ordem estabelecida pelos
interesses não nossos! Enquanto
isso, o povão meu, meu irmão da Amazônia passa fome, em meio a tantas
riquezas... submerso que está... pobrezinho... perdido em mais uma
oportunidade perdida! Até
quando? Até quando eu e você criarmos vergonha na cara e... passarmos a
perguntar, a reclamar, a exigir e a cobrar! Sei que não é fácil fazer
isso, porque o político, antes da eleição... tão pertinho de você,
assim que eleito... defenestra-se!! Mas...
o referendum do dia 23 mostrou
aos vendidos e ao mundo... que o brasileiro é como o rio Amazonas. Tranqüilo
no início e coligando-se aos irmãos do Arroio ao Chuí, fica forte,
poderoso, indomável, possante e arrasta muitas pretensões pelo
caminho... até ao grandioso espetáculo da pororoca!! (Eu
nunca vi o Senado funcionar às segundas-feiras, mas hoje, 24, funcionou:
todo mundo falando que o povo quer “segurança”!).
Descobriram!!!!!!!!!!?? Descobrirão mais... em nossa próxima
“pororoca”, nas eleições do ano que vem. Muitos estão preconizando
“referendos muitos”, hoje. Ontem não. Eles legislavam e nós pagávamos! Descobriram
que não somos... ”bichinhos” em extinção!! Orgulho-me de você,
brasileiro! Bacci mille. |