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A
“Amélia” mais inteligente da época.
- Alguém
importante um dia falou: “O estado de incerteza é descômodo; o da
certeza é ridículo!”
- Você
sabe que ele estava com a razão?
- Vou
contar, sobre “estar com a razão”, uma anedotinha bem antiga e você,
meu leitor, de ágil mente, saberá buscar o objetivo disso, face às
situações de desmando, com denúncias seqüenciais de envolvimento em
corrupção... de pessoas que até a gente julgava serem boas.
- Vamos
à anedota, que é, também, uma forma de divertir. E, bom humor é um
artigo de luxo a que todo brasileiro tem direito e não custa nada, além
da vontade genética em ser feliz.
- Era
no tempo do Presidente Getúlio Vargas e a filha, de nome Ivete, um belo
dia começou a notar no pai uma atitude constante. Ele recebia grupos e
mais grupos de todos os segmentos da sociedade; e dos partidos. Esse
pessoal sempre vinha em comissão. Havia o principal, que falava e
argumentava, enquanto que os acompanhantes só faziam um robusto
demonstrativo do poder da força física. Você sabe que pessoa importante
não anda sozinho, como você e eu.
- Isto
posto, a nossa Ivete Vargas, sempre ao lado do pai, no gabinete, um dia o
interpelou:
- –
Pai, o senhor (naquele tempo se chamava pai de senhor) está me
confundindo. Vem um principal, fala e fala e o senhor diz: “Sabe que está
com a razão?” Logo depois chega um grupo oposto e argumenta...
justamente o contrário! O senhor responde: “Sabe que está com a razão?”
Eu só queria entender, diz nossa Ivete, o porquê disso tudo.
- E
o pai lhe responde:
- –
Sabe que está com a razão?
- Esperando
que você, meu leitor, já se tenha divertido – e pensado – voltemos
ao título desta crônica. A Amélia. Lembra-se da música? “Amélia que
era mulher de verdade, Amélia não tinha a menor vaidade...” etc, etc,
etc.
- Eu
não tenho certeza, porque, conforme afirmado por alguém importante,
seria ridículo. Mas... estou contando ao pé de ouvido de você,
principalmente como mulher que sou, de longa data... e que chora na hora
que convém e ri quando pode, que assisti, por duas vezes, pela TV Senado,
ao “depoimento” de uma senhora riquíssima, pedagoga mas que não deve
ter estudado muito, porque faz erros crassos contra o idioma nosso.
- Um
deputado – ou senador – disse que ela “falava muito bem”. Deve ter
estudado na mesma escola da Amélia.
- De
repente, ela não sabe nada das empresas de que é sócia majoritária; de
repente, ela nada sabe sobre os fraudulentos empréstimos, só soube deles
pela “mídia”!
- De
repente, essa pessoa se mostra a um bando de deputados e senadores como se
fosse a mais simples, a mais econômica (faz as reformas da casa...
paulatinamente), a melhor mãe do mundo, que só vive para a casa, para os
filhos, para o futuro deles, e nem sabe de conta nenhuma, de empresa
nenhuma, nunca esteve nelas e acha que é muito normal sua filha, que se
dedica ao hipismo... possuir treze cavalos!!!!! De valiosas raças!!! Ao
mesmo tempo em que afirma... ter levado longos anos a modificar sua
casa... da maneira que ela quer! E... economicamente!
- Essa
“família” gozada não recebe ninguém em casa e não tem nenhuma vida
social. Não vai a casamentos, aniversários, não faz um churrasco e o
casal nem sequer conversa entre si! Coisa estranha. Estará essa família
se escondendo, apropriadamente, para salvaguardar um imenso monte de
dinheiro tirado de nós, contribuintes, com a cobertura de corruptos e
beneficiários políticos?
- De
outro lado, a madame que dispõe de R$30.000, no dia primeiro de cada mês,
mais R$30.000 no dia 5, mais R$3.500,00 que nem sabe explicar de onde tudo
isso lhe chega e diz não saber como, em poucos anos, a fortuna a
favoreceu, com milhões e milhões... e mais milhões!! Tudo em nome
dela!! E ela, coitadinha... não sabia de nada!
- A
dita cuja é muito astuta, controlada, nada tímida e... muito
controladora. Ela, contou, na hora exata e conveniente que o José Dirceu
estava sabendo de tudo! Depois, voltava a falar sobre os filhos, sobre a
família que, a meu ver, é onde se esconde, com um manto de corrupção e
de dinheiro que nem eu, junto a você, sonharíamos em imaginar.
- E...
sabe, nós, o povo brasileiro somos muito bons! Gente simples e honesta,
de trabalho mesmo!
- O
fato que me estranhou, dentre outros, foi que a madame tinha “exigências”
para com o esposo. Todas as noites, em Belo Horizonte, ela falou, deveria
o Marcos Valério estar em casa! Exigia!!!
- Mulher
que... realmente ama... não exige... ela doa! Também essa digna senhora
exigia que nenhuma reunião de “negocios” fosse, no santo lar. Ela...
simplesmente, mandava!
- Santo
Jesus Craisto!! Você concorda comigo em reconhecer nessa senhora... um
monte de estranheza?…?
- Isso
a mim resulta um grande contraste. Usufruir imensa riqueza... (milhões,
sem perguntar de onde veio) aparentando... grande economia e se fazendo de
vítima!!
- É
uma fraude! Bastante estudada e própria a comover o pessoal da CPI... que
acabou indo na onda dela!...
- Mas
eu não vou!! De repente, ela sabe tudo, de repente, ela não sabe nada!
- Agora,
no depoimento de nossa Amélia, quem não se deixou levar foi a excelente
deputada, ex-juíza, Denise Frossard. Afirmou que a Amélia era muito mais
inteligente, mais perspicaz que o sócio e que as empresas estariam muito
bem se em mãos dela. E que ela estava mentindo!
- Aí
me chega uma suspeita. Essa Amélia, que pouco sabia e muito soube na CPMI,
ao voltar para casa, deveria ter brigado, com grande indignação, com o sócio-marido
que tudo escondeu dela, a pobrezinha. Para qualquer esposa honesta, seria
até motivo de divórcio. Logo saberemos.
- Agora,
se não brigou... é farinha do mesmo saco e não me espantaria caso você,
leitor, estivesse pensando que a Amélia-mandona fosse mesmo a
articuladora desse grande esquema de enriquecimento e de corrupção.
-
A mim só restaria uma
frase: Sabe que está com a razão?
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