Continuo
perguntando: Genoino, cadê a minha vaca?!
Eu
tive o ensejo de conhecer a vaca quando ainda era menina. Numa fazenda
linda, dos Vaughan, com grande tanque, cabana para pesca, grande escadaria
por onde a água rumorosa deslizava até escorrer lá embaixo, a formar um
pequeno rio cheio de lambaris. O riozinho era miúdo mas... lhe garanto
que ao cair nos degraus, eu juro, minha mente via mesmo, nas águas, uma
cascata muito maior que a da Foz do Iguaçu! Juro
que é verdade, como verdadeira foi a simpatia que se formou entre mim e
uma lânguida vaca marrom, de olhar terno e doce. Ela
ficou sendo a minha vaca. Lembro-me
que fui crescendo, feliz proprietária de uma doce vaca. Chegou
um tempo bem depois e veio à São Carlos e região, o lindo José Genoino,
candidato à governança do Estado. Em campanha. Levava a bandeira de o
leite pasteurizado é que deveria chegar às escolas. Um
momento! De escolas, eu entendo! E lhe dei um sábio conselho: para crianças,
nada de pronto, de acabado. Mostra o processo, in natura! Leva a
minha vaca lá no quintal da escola. As crianças vão conhecer uma linda
representante quadrúpede de um rabo só, dócil, meiga e bondosa... que
vai dando...! Isso
seria muito construtivo, Genoino, porque as crianças de hoje nem sabem
que a galinha tem o corpo coberto de penas, porque elas só as vêem...
peladas, quase na panela! Um desaforo de lesa natureza! Mas,
havia um outro motivo, muito mais importante. Desde pequenos, nossos
descendentes poderiam contar todas as tetas por onde mamavam, mamam e
mamarão os políticos corruptos! Alguma boa índole, estou certa, teria
impedido, erradicado essa endemia, essa pandemia que coloca o
comportamento ético em local inferior àquele em que a vaca, respeitosa,
depõe o próprio cocô... porque ela sabe que dará um excelente estrume,
se misturado com um pouco de trabalho. Agora... a corrupção, há tanto
tempo unida, misturada à impunidade... só podia mesmo era resultar nesse
imenso lamaçal que até aos bons desacredita... e o mundo todo assiste a
essa purulência – que não é nossa! Mas que fica sendo pela generalização! Mas...
caro Genoino, você não seguiu o meu conselho. Conselho de quem viveu os
tempos de campanha de todo tipo de político, desde Ademar de Barros -
pai, bem antes do tempo do chamado arbítrio... que ouviu o Lula nos inícios
de luta, e que, hoje ouve o senador Arthur Virgílio, da tribuna do Senado
a chamá-lo de: “Idiota!!” E
tudo porque você não deu a devida atenção às crianças, impedindo-as
de aprenderem tudo o quê uma vaca pode ensinar! Ouvi
até o espertalhão do Marcos Valério dizer que gastou quatro milhões de
Reais comprando bois! Um desaforento! Nem ele se lembrou da vaca... embora
seja um perito em... tetas! Com ordenha tecnologicamente de última geração. Enquanto
a vaca vai dando... você, Genoino, foi levando e deve, nestes dias, estar
em busca de meios de sua subsistência. Muito aborrecido com a sujeira
toda que a boca de um violento vulcão expele, indistintamente! Creio
em Deus Pai todo poderoso e creio na bondade colocada no coração de cada
e de todo ser humano, porque Deus não é injusto. Mas seria, se fizesse
um homem bom e outro mau. Os
homens erram porque dirigem a própria vida por padrões errados. Não
pararam para refletir sobre três pequenas verdades que respondem a uma só
pergunta: “Por que o homem age de forma certa?” Primeiro
porque tem medo do castigo. Segundo porque, agindo certo, vai receber
elogios. Terceiro: porque tem convicção de que a forma correta de agir
é a única razão nobre para a forma de se comportar. Vai
toda uma história da humanidade até se aprender a terceira razão.
Chegaremos lá, porque somos perfectíveis! O
caminho vai ficar bem mais curto, Genoino, sem tanta necessidade de presídios,
caso se aceite esse empréstimo que nada tem a ver com contas bancárias: –
Cadê a minha vaca?! Ela já foi pra escola?! Se
até agora esse texto foi brincalhão, afirmo que não o é e você,
leitor, sabe do que realmente se trata. As
tetas são tão grandes... tão grandes e tão numerosas que nosso bom
povo, estudante que aprende na escola da vida, e a quem nada de muito
verdade é contado... ele entenderá o porquê de tanta vaca estar indo
pro brejo. |