Abanque-se!
Esta
linda expressão eu a aprendi com o emérito escritor Fernando Veríssimo,
em “O Analista de Bagé”
Embora
a achasse bonita, também a achei imprópria. Analista que é macho, não
tem banco. Tem sofá!
Banco,
para mim, é aquele lugar numa linda praça, cheia de flores, onde
“ela”, cheirosa, vestida com muitas rendinhas e babados, cheia de
mimos e de timidez... assentava-se. Aí chegava “ele”, de cabelo todo
englostorado, todo grudadinho à cabeça (o cabelo, não “ele”, preste
atenção!), também se assentava.
Ninguém
se abancava! Ora essa!
Banco,
para mim, também é aquele em que, na mesma praça, voltam os jovens. Ela
menos tímida; ele menos englostorado, a trazerem seus lindos pimpolhos
que adoram pipocas e algodão doce.
Você
sabe, as crianças vivem o presente. Os jovens vivem o futuro. E o mesmo
par, anos e anos mais tarde, com os pimpolhos já formados e casados...
vive o passado.
Antes
era assim: o idoso relembrava. Via de regra. Mas, às vezes dá errado e
você vê muitos idosos a se comportarem como crianças...
Mas,
voltemos ao escritor Fernando Veríssimo.
Fui
ao dicionário a ver se encontrava um verbo relativo a “sofá”.
Esperava encontrar algo como “assofazar-se”. Que assim, ao invés de
você fazer, monotonamente, como todos o fazem ao receber uma visita:
-
Sente-se!
Você
diria: - Assofaze-se!
Chique
no úrtimo! (Jamais usar a expressão: “coloque aí no sofá o seu
assento!”).
Que
ainda não é a pior das opções. Ficaria nada chique você usar uma
parte do corpo que, graças a Deus, todos têm e que jamais vi alguém
tomar emprestada e, por incrível que pareça, também nunca soube que
tivesse sido matéria de estudo para... transplantes!
Abundam
o uso e o abuso verbal dessa digna parte, hoje. Mas... não faça dela um
verbo, sim?!
Eu
não encontrei o verbo relativo a “sofá”.
De
qualquer forma, o banco é sempre muito convidativo e... bem que eu
gostaria de ver um deles em todo ponto de ônibus, para colocarmos ali a
nossa... canseira.
O
ideal mesmo seria que esse banco tivesse cobertura que, assim, estaríamos
colocando a nossa... canseira... em lugar freso, ao abrigo do sol, livre
de queimaduras.
Agora,
cuidado – e dos grandes! – você deve mesmo é ter com relação aos
“Bancos” que oferecem total cobertura. Primeiro eles atraem, cobrindo
e recobrindo sua pessoa de mil vantagens, oferecendo compras fáceis,
seguros magnânimos, milagrosos cartões de crédito, grandes empréstimos
etc.
Mas...
depois... cada vez ganhando mais e empregando pessoas cada vez menos,
organizada e premeditadamente, eles vão... mês a mês... retirando todas
as peças da sua cobertura!
Uma
a uma!!
Até
lhe sobrar apenas sua... canseira!
À
mostra, para todo mundo ver!
E
viva o Veríssimo com o seu:
-
Abanque-se!
Isso
você pode fazer sempre. Jamais: “aBanque-se”!!
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