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Filosofia
do buraco. Buraco é uma palavra que leva uma conotação negativa. Ninguém gosta dele! O buraco não deveria, nunca, estar ali. Mas está. Buraco no bolso, por exemplo, tem três explicações: ou pertence a um divorciado que não aprendeu a cerzir; ou a alguém que não tem dinheiro e, por esse motivo, não precisa de bolso...ou a calça já é tão velha que já não merece remendo. As três posições não são confortáveis, mas o buraco está lá. Buraco no lençol significa que está surrado e pedindo aposentadoria por tempo de serviço. Buraco no guarda-chuva significa que deu granizo e que você está molhado. Se o buraco for na parede sua... está de casa velha, hein!? Buraco no estômago, das duas uma: ou acaba de saber que a sogra vem morar junto ou precisa de um lanchinho. Desejo-lhe a segunda hipótese! Sapato com buraco em baixo, em cima ou nos lados é um caso sério, principalmente em dias de chuva e fica muito pior, se o dono dele for um catador de papelão, que puxa, o dia todo, uma carrocinha no lugar do cavalo! Se o buraco for no chapéu, você está de cabeça fria. Gente muito xereta fica do outro lado, se o buraco for no muro. A culpa é da traça, se o buraco for numa peça do guarda-roupa. Convém colocar algumas pimentas em grão por ali, que traça não gosta de pimenta. Não se pode dizer que haja um buraco dentro da bola de futebol. Seria um buraco cercado por toda a superfície esférica. A bola é oca! Não é buraco, presta atenção! Há bons buracos também. Por exemplo, aqueles em baixo e em volta dos vasos. Escorre o excesso de água e o ar entra. Graças a Deus não havia buraco no asfalto, quando, no domingo, tive a honra e o prazer em desfilar no pelotão dos letonianos, em Nova Odessa. O desfile foi uma das manifestações festivas, em homenagem aos 100 anos da cidade. Ganhei uma bandeirinha da Letônia, branca e vermelha e um ramalhete de flores. Havia tanto de lindo a se olhar que o chão não dava tempo de se observar. Não havia buracos... caso contrário, provavelmente eu estaria usando uma nova tipóia. Felicito às famílias todas que participaram desse histórico evento. Gostei muito dos Thiene e dos Valente. Ficou a desejar a presença de pelotão italiano e americano. Parece que estão dispersos. Nós, os letonianos, estamos unidos. Voltemos a São Carlos, linda cidade! Noutro dia, um amigo falou-me uma frase interessante: “Há muita rua dentro dos buracos!” Ele se referia, provavelmente, ao estado do asfalto, em alguns bairros. Deu ele, também, uma solução. Se tirar o asfalto que está atrapalhando os buracos, fica tudo bom. Tudo buraco, tudo liso, sem obstáculos asfálticos! Li nos jornais que os buracos por aqui estão progredindo, porque as obras em fechá-los está oito anos em atraso! Oito anos! A família buraqueira está muito feliz, obrigada, em plena fase reprodutiva! Quem tem carro pequeno que se cuide. Um dia ele some. Cá entre nós, fechar buracos adianta? Ou é um ato paliativo? Eu não sei. O que sei contudo, porque nesse caso o buraco é meu, é que estragaram a frente da minha casa. Fizeram buraco na grama, fizeram buraco na calçada, fizeram buraco no asfalto. Justo sob a minha calçada passava um cano de água que precisou alimentar o Parque do Kocosódromo! O asfalto foi fechado. Deixaram de presente uma incômoda lombada... mas o resto... vai ficando para o dia do São Nunca. Vou reclamar ao bispo!! Se não cair num buraco antes. |