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Consulmatum est, mas... beleza é primordial!

 Queridos leitores, e não é que recebi de uma amiga (bem nova ainda, a Nereide) uma reclamação? “Daidy, não estou entendendo muito bem!  Há tempos atrás, você elogiou tanto o seu advogado, o dr. César, da Imobiliária Gigante, que... achei que havia ali uma paixão! Apertos de mãos e abraços... sem pressa de acabar... tudo muito quente! Depois, você escreve sobre o dr. Rodrigo O. Mazzo, seu dentista...  lindo demais... e agora, na semana passada, leio sobre o dr Haroldo – um colírio para os olhos, belíssimo! E me veio à mente um trecho de música clássica: “La donna é móbile, qual piuma al vento... etc, etc e etc... uma perguntinha: você é volúvel demais?!”

– Nunca!! Sou é idosa demais! Com os sentidos físicos já... consumados! é uma liberdade imensa, essa, de poder ver o “belo”, sem intenção de desfrutar disso!  Além do quê, estou de braço na tipóia!! E a tantas pessoas devo agradecer, pelo auxílio que me deram:  o pessoal da Hot Tiger Delivery, os do Sacolão Okino, os do Arco Íris...  que me abriam latas de marrom glacê, de pêssego em calda, garrafas de água com a tampa semi-abertas! Eu acho que, na minha terra, Nova Odessa, isso já aconteceu bastante!

Então, querida amiga, vou repetir: a paparicagem é tanta que... se eu soubesse disso antes, teria ficado idosa muito mais cedo!

Mas, é Carnaval e passo um texto estranho:

O Confete e a Serpentina

Fim de noite; o silêncio da madrugada começa a acordar o barulho de um novo dia... indiferentes aos pequenos problemas da Terra, deita-se a lua e espreguiça o sol seus tentáculos indiscretos que sondam, aqui e ali, clareando cenas ainda não prontas para saírem das trevas;  tentáculos indiscretos que acordam para um novo tormento aqueles que têm o inferno dentro de si e para quem a sucessão dos tempos é nada  mais que uma corrente de torturas – elo por elo – a tolerar, até que, bendita hora, encontre a senha para penetrar no além, através da grande aventura que é a morte!

Indiscretos tentáculos de sol que, por milhões de manhãs, sorriem aos pássaros clareando os ninhos e provocam caretas aos bêbados... lembrando que a alegria da véspera se foi e deixou... maior, hoje,  o nada que encontraram ontem.

Indiscretos tentáculos que, na quarta-feira, abandonam a sós, com a amarga sensação de terem brincado,

                Sem que fossem brincalhões;

                E participado da festa do carnaval

                Sem que fossem foliões...

Os homens cobertos com roupas vistosas e mulheres descobertas de roupas. Ele, vestido de “busch-éte”, ela de czarina, encenaram com perfeição os efêmeros papéis de confete e de serpentina! Ao som estonteante de uma orquestra estonteada, cai o confete em peito

– quente! –

e observa a serpentina que volteia, endiabrada e, prazerosa, esvoaça,

– ardente –

sinuosa ou estirada... pautas de música onde o confete marca as notas da orgia

– e do furacão ...

encenando intervalos para o ator vestido de atriz e... para o bufão!

Indiscretos tentáculos a buscar, no canto do salão arrependido, ou no bueiro do asfalto, um confete desmascarado, em melodia e sem som!... e, ao lado, uma pauta musical de serpentina

Torta...

Tentando compor, para quem nada quer ouvir... uma rima

Morta...

E, para quem nada quer ver, o grotesco arremedo de nostalgia, de ilusão,

Quando ela, qual abelha, amava a ele... qual zangão!...

Por quantos milhões de dias ainda que o sol possa acordar, passarão histórias de busch-étes  e czarinas...

  Ao claro da luz... apenas confetes e serpentinas!...

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