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Com tantas pessoas importantes falecendo,

imaginei o que pudéssemos ter em comum com elas.

E, não sendo cara de pau, eis o que saiu:

     Último agasalho

  No berço de meu filho a alma que cresce

  Balança...

  Bendita madeira – que já morta –

  Perfuma

  Adorna

  Acalenta

  Exorta...

  Doce morada de criança!

          Dos anos de infância

            Se inda existe uma lembrança antiga

            Que em teu peito a imagem dobra

            Esquenta

           Enriquece...conforta...

           É aquela árvore, talvez contorta

           Que teu sonho

           Risonho

           Aninhou;

           Um anseio às asas deu

           E...à sombra daquela copa

           Tão bela

           Entristeceu!...

  Na madeira de Chopin

  A alma canta

  Vibra nos ares.

  Infunde aos séculos e ao vento

  Dos deuses a sinfonia e a terra encanta

  Da Polônia ao Olimpo atroz

  Há tantos mares?

  Em tantos altares, quanto há de Deus?

  Quanto há de nós?

  Quanto há do momento

  Se em cada firmamento

  De um nobre ato pobre

  Ninguém se enriqueceu...?

          Bendita madeira

  Que já morta

  Perfuma

  Acalenta

  Exorta...

  Serás, talvez,

  O COFRE ÚNICO

  A quem meu corpo

  Cansado

  Alienado e triste,

 ...pertenceu...!

 

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